Pela segunda vez, a defesa de Jair Bolsonaro solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a devolução do passaporte do ex-presidente. A justificativa dos advogados de Bolsonaro seria uma viagem a Israel, entre os dias 12 e 18 de maio.
De acordo com a defesa, o ex-presidente foi convidado pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para visitar o país. Na petição, enviada ao STF antes da descoberta de que o ex-presidente passou duas noites na embaixada da Hungria, em Brasília, os advogados incluíram o convite de Netanyahu.
Em nota, a embaixada israelense confirmou o convite enviado à Bolsonaro e o justificou com base na “forte amizade” entre o ex-presidente e o primeiro-ministro israelense, além do “apoio sem reservas expresso por Bolsonaro ao direito de Israel de se defender contra o terrorismo brutal do Hamas desde as atrocidades do dia 7 de outubro".
Primeira tentativa
O passaporte de Jair Bolsonaro foi apreendido em 8 fevereiro, em decorrência da Operação "Tempus Veritatis", que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado para manter o ex-presidente no poder.
Em 14 de fevereiro, a defesa de Bolsonaro pediu, pela primeira vez, a devolução do passaporte, afirmando que a decisão do STF era “absurda”, já que o ex-presidente “nunca deu qualquer indício de que se evadiria, sempre comparecendo a todas as intimações para depor”.
Estadia em embaixada húngara
Vídeo mostra estadia de Bolsonaro na embaixada da Hungria em entre 12 e 14 de fevereiro. (Vídeo: Reprodução/Youtube/UOL).
Nesta semana, o jornal americano The New York Times (NYT) noticiou que, na mesma época desta primeira petição e da Polícia Federal deflagrar a operação sobre a trama golpista, Jair Bolsonaro se hospedou na embaixada da Hungria, em Brasília, o que levantou suspeitas de que o ex-presidente havia pedido asilo ao país europeu.
Após a revelação do NYT, a PF passou a investigar as circunstâncias dessa estadia e o ministro Alexandre de Moraes deu 48h para que Bolsonaro se explicasse.
Em resposta, os advogados do ex-presidente afirmaram que ele não tem a intenção de fugir da Justiça e que se hospedou na embaixada para manter contato com o governo da Hungria, além de declarar que Bolsonaro não está preocupado com uma possível prisão preventiva.
A petição da defesa foi enviada para a Procuradoria-Geral da República (PGR), que deve analisá-la em até cinco dias e, após seu parecer, destinar para avaliação de Moraes.
Foto destaque: O ex-presidente Jair Bolsonaro. (Reprodução/O Globo/Alexandre Cassiano).