Bem Estar

Pessoas que foram expostas ao Covid 19 e não pegaram o vírus motivam estudo

Estudo internacional busca explicar o porque de algumas pessoas não serem contaminadas pela Covid-19 mesmo estando estreitamente ligadas à doentes. Pesquisadores analisam,principalmente, amostras de sangue de casais expostos ao vírus.

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04 Nov 2021 - 21h30 | Atulizado em 04 Nov 2021 - 21h30

Mesmo com o sucesso da vacina e com altos investimentos dos laboratórios mundiais em pesquisas, a pandemia continua a gerar mistérios. Muitas pessoas mesmo com o contato estreito e a convivência permanente com doentes, não contraíram o vírus da Covid 19. Agora, especialistas querem descobrir qual o mecanismo em genes humanos promove o não contágio.  

Tocar, abraçar, dormir junto, fazer carinho, beber no mesmo copo, usar a mesma toalha, entrar no mesmo carro, beijar na boca, estar no mesmo quarto, e até fazer sexo. Mesmo nessas situações muitas pessoas não transmitiram ou contraíram o vírus. A ciência quer saber como e/ou por que, em certos casos, só um dos parceiros se infectou. Não existem números que levantem essa ocorrência, mas os casos são muitos. A conclusão do fator pode contribuir para o avanço da cura.


Mesmo com altos investimentos dos laboratórios em pesquisas, a Covid 19 ainda gera mistérios. (Foto: Reprodução/Ag.Brasil)


Essa busca sobre o tipo de gene ganha força. Uma pesquisa do consórcio internacional COVID Human Genetic Effort, quer identificar os mecanismos genéticos que desencadeariam quadros graves em pessoas sem comorbidades. O grupo reúne cerca de cem laboratórios ao redor do mundo. “Não existe tratamento específico para o Covid 19. Uma das formas é entender que mecanismos permitem que ele entre e replique mais facilmente no corpo e quais situações o organismo inibe a infecção”, aponta Carolina Prando, médica/imunologista translacional do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, que atua na iniciativa.

O estudo saiu na publicação científica “Nature”, com o título “Um esforço global para dissecar a base genética humana da resistência à infecção por SARS-CoV-2”. A pesquisa inicia a investigação, que se estenderá pelos próximos semestres. O consórcio de médicos, anteriormente, descobriu falhas no sistema imunológico. Estas ajudam a explicar casos graves em pessoas sem comorbidades. Entre estas, alterações em genes que coordenam a produção dos interferons tipo 1, proteína fabricada por leucócitos e fibroblastos para atrapalhar a reprodução de microrganismos e células tumorais e favorecer a defesa em outras células.

Outra falha são os autoanticorpos, ou seja, anticorpos que neutraliza o interferon tipo 1. A doutora compara a uma espécie de “doença autoimune”, que não seria descoberta sem a pandemia. Ela relata que esse interferon é a “via essencial” no combate: “Em torno de 10% de pessoas com o vírus em forma grave podem ter esses autoanticorpos. O percentual aumenta conforme a idade. A presença deles é responsável m torno de 20% dos casos de pneumonia de Covid-19 letal acima dos 70 anos”, explica a médica brasileira.

 

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A publicação mostra situações de resistência à infecção, como a tuberculose. A pesquisa busca não só entender o que impede a infecção, mas inclusive descobrir e produzir remédios: “Pretendemos identificar genes candidatos com variantes potencialmente raras. Essas variantes são de particular interesse por dois motivos. Em primeiro lugar, podem fornecer uma compreensão profunda das vias biológicas essenciais envolvidas na infecção pelo SARS-CoV-2. Em segundo, permitirão o desenvolvimento de intervenções terapêuticas inovadoras”. O consórcio já conta com 400 amostras de pacientes de vários países. Os brasileiros Antônio Condino, imunologista, e Mayana Zatz, bióloga molecular e geneticista da Universidade de São Paulo, também participam do projeto.

 

Foto Destaque: Testes para Covid. Reprodução/Ag.Brasil

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