Na última segunda-feira (17), o presidente Lula compareceu ao evento de posse do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Brasília, onde discursou sobre a tentativa de golpe de Estado que sofreu após as eleições de 2022, comparando o episódio à ditadura militar.
O evento ocorreu um dia depois do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) promover um ato em prol da anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023. Em seu discurso, o presidente destacou que por trás dos episódios ocorridos em 2022, há ideais embasados na autoridade e violência que foram marcantes no regime da ditadura militar.
Presidente Lula e Beto Simonetti, presidente da OAB (Foto: reprodução/Instagram/@lulaoficial)
Papel da AOB
Segundo Lula, a OAB teve papel importante em prol da restauração do estado democrático de direito após os acontecimentos da ditadura militar, que persistiu por 21 anos no Brasil e também mencionou o atentado de bomba na sede da OAB em 1980, em que Lydia Monteiro, secretaria da OAB, foi assassinada. Durante o discurso, Lula também mencionou o golpe de 1964 e afirmou que a Ordem foi uma das primeiras a se posicionar a favor do fim da tortura e desaparecimentos, dando como exemplo caso do deputado Rubens Paiva, morto durante a ditadura militar.
Entre vários assuntos, Lula citou que, atualmente, o Brasil enfrenta muitos desafios complexos e compara esses episódios como um "cenário em que o fascismo ressurge sob novas formas", e afirmou que a intolerância política chegou ao extremo na tentativa de golpe contra a democracia no país. Além disso, também defendeu a regulamentação das redes sociais para inibir a desinformação e discursos de ódios nas redes.
Menção à Operação Lava-Jato
No discurso, o presidente Lula também relembrou o período em que foi condenado por lavagem de dinheiro na Operação Lava-Jato, quando foi preso em 2018 e passou 580 dias detido na sede da Polícia Federal em Curitiba. Em 2021, as condenações foram anuladas por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que, na época, considerou o então juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, como um suspeito no processo, admitindo que graças ao trabalho árduo de seus advogados, foi inocentado das acusações: “Não é demais lembrar que graças a atuação da advocacia combativa pude ver minha inocência prevalecer.”, declarou o presidente, que constantemente menciona a Operação Lava-Jato em seus discursos.
Lula também reafirmou o compromisso da OAB em representar os valores de democracia, justiça e os direitos humanos, sendo uma das instituições mais importantes do país. Após o discurso, o presidente da OAB, Beto Simonetti, reforçou que a instituição deve se manter apartidária e não se opõe a partidos governantes.
Foto Destaque: Presidente Lula e demais participantes na cerimônia de posse do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)(Reprodução/Instagram/@lulaoficial)