O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na tarde da última quarta-feira (02) uma série de tarifas recíprocas que vão de 10% a 50% sobre produtos importados aos norte-americanos.
A medida que entra em vigor no próximo sábado (05) é um ponto de virada no comércio global. Apesar das novas tarifas, o Brasil não está entre os países mais tarifados e terá seus produtos exportados para os EUA taxados em 10%, a tarifa mínima imposta por Trump. Outros países com a taxa mínima são: Reino Unido, Singapura, Austrália, Nova Zelândia, Turquia, Colômbia, Argentina, El Salvador, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.
Reação Brasileira
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e Ministério das Relações Exteriores (MRE), lançaram uma nota, onde o governo brasileiro disse que "lamenta a decisão tomada pelo governo norte-americanotodas as possibilidades de açãoa imposição unilateral de tarifa linear adicional de 10% ao Brasil com a alegação da necessidade de se restabelecer o equilíbrio e a “reciprocidade comercial", que se mantém aberto ao diálogo, mas que avalia "todas as possibilidades de ação", inclusive recorrer à Organização Mundial de Comércio (OMC). Segundo o texto, o superávit comercial dos EUA chegou a US$ 28,6 bilhões no ano passado e que "a imposição unilateral de tarifa linear adicional de 10% ao Brasil com a alegação da necessidade de se restabelecer o equilíbrio e a 'reciprocidade comercial' não reflete a realidade".
A economista do BTG Pactual, Iana Ferrão, analisou o anúncio para o portal ‘’BBC News Brasil’’ e explicou o impacto das tarifas no Brasil. "Todos os produtos brasileiros importados pelos EUA terão uma tarifa extra de 10%, exceto aqueles já sujeitos a taxas mais altas, como aço e alumínio, tarifados em 25%", afirmou.
Segundo ela, entre os setores mais afetados estão o de semimanufaturados de ferro e aço, aeronaves, materiais de construção, etanol, madeira e seus derivados. A economista disse que setores como o de commodities agrícolas e mineração não deverão sofrer grandes impactos por não dependerem tanto do mercado norte-americano.
Pronunciamento do presidente Lula sobre o ''tarifaço'' de Trump (Vídeo: reprodução/Instagram/@cnnbrmoney)
Nota brasileira
O governo brasileiro lamenta a decisão tomada pelo governo norte-americano no dia de hoje, 2 de abril, de impor tarifas adicionais no valor de 10% a todas as exportações brasileiras para aquele país. A nova medida, como as demais tarifas já impostas aos setores de aço, alumínio e automóveis, viola os compromissos dos EUA perante a Organização Mundial do Comércio e impactará todas as exportações brasileiras de bens para os EUA.
Segundo dados do governo norte-americano, o superávit comercial dos EUA com o Brasil em 2024 foi da ordem de US$ 7 bilhões, somente em bens. Somados bens e serviços, o superávit chegou a US$ 28,6 bilhões no ano passado. Trata-se do terceiro maior superávit comercial daquele país em todo o mundo.
Uma vez que os EUA registram recorrentes e expressivos superávits comerciais em bens e serviços com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos, totalizando US$ 410 bilhões, a imposição unilateral de tarifa linear adicional de 10% ao Brasil com a alegação da necessidade de se restabelecer o equilíbrio e a “reciprocidade comercial” não reflete a realidade.
Em defesa dos trabalhadores e das empresas brasileiros, à luz do impacto efetivo das medidas sobre as exportações brasileiras e em linha com seu tradicional apoio ao sistema multilateral de comércio, o governo do Brasil buscará, em consulta com o setor privado, defender os interesses dos produtores nacionais junto ao governo dos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo em que se mantém aberto ao aprofundamento do diálogo estabelecido ao longo das últimas semanas com o governo norte-americano para reverter as medidas anunciadas e contrarrestar seus efeitos nocivos o quanto antes, o governo brasileiro avalia todas as possibilidades de ação para assegurar a reciprocidade no comércio bilateral, inclusive recurso à Organização Mundial do Comércio, em defesa dos legítimos interesses nacionais.
Nesse sentido, o governo brasileiro destaca a aprovação pelo Senado Federal do Projeto de Lei da Reciprocidade Econômica, já em apreciação pela Câmara dos Deputados.
Foto destaque: Donald Trump em seu discurso na casa branca(reprodução/Instagram/@whitehouse)