O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na tarde desta última quarta-feira (2), uma série de tarifas recíprocas que vão de 10% a 50% sobre produtos importados aos norte-americanos.
Donald Trump em coletiva, usou uma tabela para mostrar as tarifas que incluiu até mesmo seus aliados, incluindo: Europa, Índia, Japão e China, enquanto paises como Rússia, Cuba, Belarus e Coreia do Norte que estão entre as nações mais sancionadas no mundo, não apareceram na lista de Trump.
Com o cenário global marcado por uma intensa guerra comercial, Trump aplicou uma tarifa de 10% sobre a maioria dos produtos importados pelos Estados Unidos. A China, principal fornecedora do país, agora enfrenta uma taxa de 54% sobre todas as suas exportações para o maior mercado consumidor do mundo.
“Diante de uma guerra econômica implacável, os Estados Unidos não podem mais continuar com uma política de rendição econômica unilateral”, disse Trump ao apresentar as tarifas.
Trump anunciou a implementação de uma tarifa básica de 10% sobre todas as importações para os Estados Unidos, além de taxas mais elevadas para dezenas de países. No entanto, Rússia, Cuba e Coreia do Norte não foram incluídos na lista de nações sujeitas a tarifas “recíprocas” mais altas, divulgada pela Casa Branca.
Matéria da BBC sobre as novas tarifas (Vídeo: reprodução/Instagram/@bbcbrasil)
Decisão por não incluir países ‘inimigos’
As agências de inteligência dos EUA apontaram, em sua avaliação anual de ameaças, que China, Rússia, Irã e Coreia do Norte representam as maiores ameaças potenciais aos Estados Unidos. Trump, por sua vez, havia ameaçado Moscou com novas medidas comerciais.
Questionado sobre a ausência da Rússia na lista de países sujeitos a tarifas mais altas, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou à Fox News que os Estados Unidos não mantêm relações comerciais significativas com a Rússia e Belarus, já que ambos estão sob sanções.
Em 2023, o comércio de mercadorias entre Rússia e EUA somou US$ 3,5 bilhões, um valor muito abaixo dos US$ 36 bilhões registrados em 2021, antes da invasão russa à Ucrânia.
Cuba e Coreia do Norte também não foram citadas na lista. Segundo a Secretaria de Imprensa, as tarifas e sanções atuais sobre esses países já são altas o suficiente.
Trump também não mencionou o Canadá e o México. No entanto, de acordo com o CBC e a Reuters, o decreto assinado pelo presidente indica que esses países não serão afetados pelas novas tarifas, pois já estão sujeitos a taxas de até 25% sobre diversos produtos, aplicadas anteriormente pelos EUA.
Relação com a Rússia
A Rússia, que enfrenta mais de 28.595 sanções impostas pelo Ocidente, tornou sigilosos seus dados comerciais desde o início da guerra.
As importações de mercadorias russas pelos EUA totalizaram US$ 3 bilhões em 2024, uma redução de 34,2% em comparação a 2023, segundo o Escritório do Representante de Comércio dos EUA. Para Moscou, o maior risco agora é uma possível desaceleração da demanda global causada pela guerra comercial, o que poderia impactar diretamente o preço do petróleo.
O Banco Central da Rússia alertou autoridades no início deste ano sobre a possibilidade de os EUA e a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) aumentarem a oferta no mercado, provocando uma queda prolongada nos preços — semelhante ao colapso da década de 1980, que contribuiu para a dissolução da União Soviética.
No domingo, Trump declarou à NBC News que ficou irritado após Vladimir Putin questionar a credibilidade do presidente ucraniano Zelenskiy. Como resposta, o presidente dos EUA sugeriu que poderia impor tarifas secundárias de 25% a 50% sobre os compradores de petróleo russo.
Foto destaque: Donaldo Trump em coletiva anunciando as novas tarifas (reprodução/Instagram/@fmalternativa)