Saúde e Bem Estar

Startup desenvolve no tomate que permite tratamento do colesterol ruim

Pesquisadores da startup paulista Crop Biotecnologia desenvolveram uma plataforma para expressar em tomate peptídeos, permitindo o tratamento contra a colesterol ruim

3 min de leitura
26 Ago 2021 - 11h23 | Atulizado em 26 Ago 2021 - 11h23

Pesquisadores da startup paulista Crop Biotecnologia desenvolveram uma plataforma para expressar em tomate peptídeos (moléculas de aminoácidos que compõem as proteínas) para o tratamento de doenças crônicas.

 Por meio da plataforma, os pesquisadores conseguiram um peptídeo para o tratamento do colesterol por via oral, que inibe a pró-proteína convertase subtilisina/kexina tipo 9 (PCSK9) – molécula que degrada receptores no fígado responsáveis por capturar colesterol ruim (LDA) da circulação sanguínea.

 Desenvolvidas por meio de um projeto apoiado pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE, da Fapesp), a plataforma e a molécula estão em processo de patenteamento e despertaram o interesse de licenciamento por duas indústrias farmacêuticas e de investimento por um fundo de “venture capital”.

“Por meio de entrevistas que realizamos na fase final da participação no programa PIPE Empreendedor conseguimos obter duas cartas de interesse de indústrias farmacêuticas e a assinatura de um term sheet (acordo de pré-investimento) com um fundo de venture capital”, disse Lucas Ribeiro, cofundador e diretor científico da Crop Biotecnologia, em palestra no encerramento da 18ª turma do programa de capacitação em empreendedorismo de alta tecnologia.

 A ideia inicial dos fundadores era cultivar tomates que expressam o peptídeo inibidor PCSK9, liofilizá-los e fornecer o produto na forma de um extrato em pó para indústrias do segmento de nutracêuticos e de alimentos funcionais.


Tomate com peptídeo inibidor da pró-proteína PCSK9 (Foto:Reprodução/Crop Biotecnologia)


 O aditivo pode ser encapsulado em uma matriz vegetal também desenvolvida pela empresa e integrante da plataforma, permitindo maior estabilidade ao pH estomacal, que por sua vez possibilita o uso oral e aumenta a absorção intestinal.

 Existem barreiras no caminho. O mercado de nutracêuticos é 30 vezes menor que o farmacêutico. Além disso, é necessário superar barreiras de regulamentação, visto que o produto é resultado da engenharia genética de um fruto.

“Com base nessa constatação, começamos a olhar para o mercado farmacêutico, em que o peptídeo tem alto potencial de comercialização”, relatou Ribeiro.

https://lorena.r7.com/post/NEUROBICA-Exercicio-para-mente 

https://lorena.r7.com/post/Saia-Justa-desta-quarta-25-debate-velhice-e-sexualidade-com-Leticia-Sabatella-no-GNT 

https://lorena.r7.com/post/Pfizer-compra-a-Trillium-empresa-especializada-em-tratamentos-contra-o-cancer 

Opção mais valiosa

 De acordo com estudos de mercado, o segmento de medicamentos para redução de colesterol cresce 3% ao ano e deve atingir o valor de US$ 37,7 bilhões em 2027. Os principais medicamentos existentes hoje para essa finalidade são as estatinas e os anticorpos monoclonais.

 Ao conversarem com representantes da indústria farmacêutica e potenciais investidores, porém, os empreendedores constataram que a plataforma para desenvolver peptídeos terapêuticos com administração via oral teria mais valor do que somente a molécula para o tratamento de colesterol alto.

“Para os potenciais investidores, seria interessante que nossa plataforma abrangesse outros peptídeos terapêuticos”, afirmou Ribeiro.

 A partir dessa dica, os empreendedores fizeram um rastreamento de peptídeos terapêuticos utilizados que poderiam ser desenvolvidos por meio da plataforma e identificaram 95.



Foto destaque: Startup desenvolve no tomate que permite tratamento do colesterol ruim. Reprodução/Pexels.

Deixe um comentário