É muito comum ligar a meia idade com a queda do metabolismo mas, um estudo considerado sem precedentes, prova o contrário e explora o uso de energia pelo corpo. A pesquisa foi publicada na revista Science, com 6.400 pessoas entre oito dias de idade até os 95 anos, feito em 29 países com descobertas surpreendentes sobre o corpo humano.
Para medir o metabolismo das pessoas, foram usadas a água duplamente marcada, que é produzida através de formas mais pesadas de átomos de hidrogênio e oxigênio que constituem a água. Esse é um material extremamente caro e por isso foi necessário a colaboração de pesquisadores de 29 países diferentes. Os dados mostraram que o metabolismo atinge seu ápice no primeiro ano de vida, mantendo uma estabilidade dos 20 aos 60 anos. Esta idade é quando ele começa a decair de maneira inevitável.
(Reprodução/pexels)
O metabolismo é todo o conjunto de reações que acontecem no interior dos organismos vivos e permite, assim, que o corpo mantenha as suas funções vitais. Dessa forma, é possível dizer que quanto maior o corpo, mais energia será necessária para movimentá-lo.
Fases da vida metabólica
O estudo chegou a classificar quatro fases metabólicas que são: o período entre o nascimento até o primeiro ano de idade, quando o metabolismo atinge o ponto mais alto de toda a vida, considerado 50% a mais do que da população adulta; uma leve lentidão até os 20 anos de idade, sem nenhum aumento ao longo da puberdade, mesmo sendo um período marcado por mudanças; nenhuma alteração dos 20 aos 60 anos; um declínio permanente que aos 90 anos, passa a deixar o metabolismo 26% abaixo do da meia-idade. A maior surpresa é a inexistência de uma queda ao longo da vida adulta.
Os riscos da automedicação e seu crescimento durante a pandemia
Covid: 58% da população brasileira já recebeu ao menos uma dose da vacina
Aromaterapia: óleos essenciais que tratam do corpo e da mente através do olfato
"A coisa mais surpreendente para mim é que não há mudança durante a vida adulta — se você está vivendo uma crise da meia-idade, não pode mais culpar o declínio da taxa metabólica”, foi o que disse John Speakman, um dos pesquisadores da Universidade de Aberdeen, na Escócia.
Outra grande surpresa foi a falta de aumento metabólico ao longo da puberdade ou gravidez, além de não ocorrer quaisquer desacelerações próximo da menopausa.
"Curiosamente, foram encontradas poucas diferenças no gasto total de energia entre o início da vida adulta e a meia-idade — um período em que a maioria dos adultos nos países desenvolvidos ganha peso. Essas descobertas podem sustentar a ideia de que a epidemia de obesidade é resultado do excesso de ingestão de energia alimentar, e não por um declínio no gasto de energia”, disse Tom Sanders, professor do King”s College London, no Reino Unido.
(Foto destaque: Reprodução/ pexels)