Moda

Conheça o estilo Mandrake, que surgiu nas periferias e viralizou nas redes sociais

O estilo Mandrake surgiu nas periferias e conquistou as redes sociais com milhões de likes e visualizações. A estética é diversificada e representa o grupo periférico com o look.

3 min de leitura
16 Dez 2021 - 19h13 | Atulizado em 16 Dez 2021 - 19h13

Mandrake é um tipo de estilo que temos visto muito ultimamente nas ruas, nos videoclipes, no Instagram e no Tik Tok. Os Mandrakes são os jovens da periferia que chamam a atenção pelo seu visual, com elementos que remetem ao funk. O que nasceu como uma manifestação cultural genuína, acabou virando tendência, resultando em estereótipos fakes e em reproduções rasas.

Este estilo é composto por camisas de times de futebol, gola polo, correntes grossas, tênis de mola, sobrancelhas chaveadas e os famosos óculos com lentes espelhadas da Oakley chamado Juliet, que é um dos acessórios mais associados ao estilo. Todos eles combinados formam o look perfeito, apelidado de ‘kit’.


Mulheres Mandrake (Foto:Reprodução/Instagram)


“A pessoa coloca um Juliet na cara e fala ‘pronto, estou funkeiro’. Acham que basta qualquer elemento visual clichê para se dizer Mandrake”, diz Fernanda Souza de 26 anos, moradora do Grajaú, periferia de São Paulo, multiartista que já colaborou com a Nike e com a produtora de funk KondZilla.


Estilo Mandrake (Foto:Reprodução/Fernanda Souza)


O Mandrake não é um estilo de moda refinado que aparece em revistas, ele é visto somente como um look exótico, que garante muitos likes em redes sociais. O fenômeno se insere no contexto político, econômico e social do Brasil. Afinal, o movimento nasceu e se sustenta é nas periferias e comunidades. E como consequência, há a disseminação equivocada de uma expressão cultural, e o apagamento de quem realmente compreende o que essa manifestação significa.

“Começaram a aparecer muitas meninas brancas, fazendo trend, com camisa de qualquer time, usando quaisquer óculos. É como se a gente fosse uma fantasia, como se fôssemos umas palhaças. As pessoas podem vestir as roupas, mas, nesse caso, usam para estereotipar, para parecer que pertencem a um determinado grupo. Elas nem sabem que usar uma camisa da Cyclone, onde eu moro, pode te fazer levar um enquandro”, explica Fernanda.

https://lorena.r7.com/post/Relembre-os-momentos-mais-marcantes-da-moda-em-2021

https://lorena.r7.com/post/Zendaya-usa-vestido-personalizado-com-teias-de-aranha-em-premiere

https://lorena.r7.com/post/Chilli-Beans-materializa-os-astros-na-colecao-de-oculos-inspirada-no-Zodiaco


Dentro do movimento, existem diversas multiplicidades e incontáveis gostos diferentes. Mas, por ter vindo de grupos que são oprimidos, as pessoas tendem a enxergar o Mandrake como algo feio e animalesco, e alvo de escárnio e zombaria.

A estética Mandrake carrega a personalidade da favela para o mundo. E por isso, ela tem como fundamento a busca por reconhecimento, pertencimento e respeito.

 

Foto destaque: Estilo Mandrake.Reprodução/Getty Images 

Deixe um comentário