Saúde e Bem Estar

Como a mudança climática pode afetar nossa saúde

De acordo com a biólogos e pesquisadores, dois grupos sofrem mais com as oscilações bruscas de temperatura: o grupo das crianças e dos idosos.

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19 Out 2020 - 17h02 | Atulizado em 19 Out 2020 - 17h02

Os problemas de saúde humana associados à mudança climática podem não ter sua origem necessariamente nas alterações climáticas, mas sim, nas alterações que a Terra pode sofrer a partir dela.

Temos como exemplos as variações nos regimes de chuvas, tanto em quantidade quanto em intensidade, provocando diversos desastres naturais como enchentes e secas, mudanças no ambiente como a alteração de ecossistemas e de ciclos biológicos, geográficos, e químicos, que podem aumentar a incidência de doenças infecciosas, mas também doenças não-transmissíveis, que incluem a desnutrição e enfermidades mentais.

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Além disso, mudanças climáticas têm um impacto desproporcional sobre as populações pobres e vulneráveis, que não dispõem de meios para se protegerem. As mudanças do clima podem produzir impactos sobre a saúde humana por diferentes vias. Por um lado, impacta de forma direta, como no caso das ondas de calor, ou no caso de mortes causadas por outros eventos extremos.


A produção agrícola pode ser afetada com as mudanças climáticas (Foto: Reprodução/Canalrural)

Grupos de risco

De acordo com a pesquisa científica do artigo "Mudanças climáticas e ambientais e as doenças infecciosas: cenários e incertezas no Brasil", publicado em (2009), alguns estudos demonstram que micro-organismos podem se expandir muito além de suas fronteiras geográficas naturais. Dessa forma, a elevação das temperaturas pode representar um risco maior para a saúde das pessoas mais vulneráveis, principalmente os idosos, as crianças e portadores de doenças crônicas.

 

Impacto na produção agrícola

Poderão afetar também a distribuição de alguns vetores de doenças infecciosas e endêmicas, como malária, dengue e febre amarela e doenças não transmissíveis, além de possíveis alterações na produção agrícola prejudicando o abastecimento e segurança dos alimentos.

É praticamente certo que mudanças importantes no clima do planeta, como o aumento na incidência de eventos climáticos extremos, alterações no padrão pluviométrico, alteração no padrão de temperatura têm efeitos imprevisíveis sobre a saúde humana, considerando que diversos agravos tem relação direta com as condições do ambiente.

 

Como ela pode afetar nossa saúde

Dentre os impactos das mudanças climáticas que podem trazer efeitos à saúde pode-se citar a alteração da disponibilidade de alimentos, que pode provocar subnutrição, com implicações no crescimento e desenvolvimento infantil, intoxicações por agrotóxicos decorrentes dos impactos negativos na produção de alimentos, alterações na quantidade e qualidade da água potencializando a ocorrência de doenças diarreicas e outras doenças de veiculação hídrica, como as hepatites A e E. Além da alteração no comportamento dos eventos climáticos extremos que podem alterar os perfis de morbimortalidade, mudanças no comportamento de vetores interferindo nas doenças infectocontagiosas, refugiados ambientais e migrações aumentando o risco de doenças emergentes e reemergentes.

 

Epidemias e as mudanças climáticas

Um ponto que não deve ser negligenciado é que os efeitos do clima associado a outros fatores, como conflitos políticos, crises econômicas, crescimento populacional, destruição de ecossistemas e esgotamento de áreas cultiváveis. Além disso, o aumento da frequência e a intensidade de desastres naturais, que podem estimular o deslocamento populacional, levando a uma intensa migração tanto interna quanto a de países vizinhos.

Neste contexto, do ponto de vista epidemiológico, as mudanças climáticas representam uma série de exposições a diversos fatores de risco e que não é possível a curto prazo evitar essas exposições. As modificações que se possam promover para alterar esse quadro no nível global podem consumir décadas para se obter um efeito estabilizador do clima. Portanto, o setor saúde deve tomar medidas e intervenções de “adaptação”, para reduzir ao máximo os impactos via ambiente, que de outra maneira poderão ser inevitáveis.

Essa adaptação deve-se se dar por meio de discussões intersetoriais visando à proteção da saúde por meio de investimentos em programas e projetos voltados para as áreas e populações mais vulneráveis. Por outro lado, devem ser adotadas medidas de “mitigação” para reduzir os determinantes das mudanças do clima que trará resultados a longo prazo.

 

Globalização e as mudanças ambientais

O mundo vem passando por mudanças que não estão limitadas apenas a aspectos climáticos. Paralelos aos processos de mudanças climáticas, vêm se acelerando a globalização (aumentando a conectividade de pessoas, mercadorias e informação), as mudanças ambientais (alterando ecossistemas, reduzindo a biodiversidade e acumulando no ambiente substâncias tóxicas) e a precarização de sistemas de governo (reduzindo investimentos em saúde, aumentando a dependência de mercados e aumentando as desigualdades sociais).

Os riscos associados às mudanças do clima não podem ser avaliados em separado desse contexto. Ao contrário, deve-se ressaltar que os riscos são produto de perigos e vulnerabilidades. Os perigos, no caso das mudanças globais são dados pelas condições ambientais e pela magnitude de eventos. Já as vulnerabilidades são conformadas pelas condições sociais, marcadas pelas desigualdades, as diferentes capacidades de adaptação, resistência e resiliência.

Dessa forma, a variação de respostas humanas relacionadas às mudanças climáticas parecem estar diretamente associada às questões de vulnerabilidade individual e coletiva. Variáveis como idade, perfil de saúde, resiliência fisiológica e condições sociais contribuem diretamente para as respostas humanas relacionadas às variáveis climáticas.

 

(Foto Destaque: Como a mudança climática pode afetar nossa saúde. Reprodução/Ibracam)

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