Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) consultados por um blog avaliam que o ex-presidente Jair Bolsonaro só enfrentaria prisão após o julgamento sobre a tentativa de golpe de Estado caso praticasse algum ato que justificasse uma prisão preventiva
Os aliados de Bolsonaro chegaram a vislumbrar uma possibilidade favorável após o ministro Luiz Fux pedir mais tempo para analisar e adiar o julgamento de Débora Rodrigues dos Santos, acusada de pichar a estátua da Justiça em frente ao STF com a frase "Perdeu, mané".
Os advogados dos acusados até chegaram a imaginar que o mesmo adiamento concedido no caso de Débora poderia se repetir para Bolsonaro e os outros sete. Só que, no final do dia, a avaliação geral entre eles era de que essa esperança não passava de uma vontade. Alguns até brincaram, dizendo que o ministro já tinha usado sua chance de pedir mais tempo no caso anterior e que, por isso, era muito difícil ele fazer o mesmo novamente.
Esperanças e desilusões da defesa
A impressão da defesa e dos aliados de Bolsonaro era de que a ida dele ao STF no primeiro dia do julgamento, que pode transformá-lo em réu, realmente causou impacto, surpreendendo muita gente, como eles desejavam.
No entanto, nem todos concordaram com essa estratégia. Alguns consideraram que a presença do ex-presidente acabou fortalecendo ainda mais seu discurso político e até elevando a tensão com o Supremo. Tanto que, nesta quarta-feira, ele mudou de ideia e não foi acompanhar o julgamento no STF pessoalmente.
Bastidores e estratégias em Brasília
Nas últimas horas, os apoiadores do ex-presidente até confessaram que ficaram com medo de que ele pudesse ser preso logo após a denúncia ser aceita no julgamento. No entanto, essa ideia foi logo descartada por investigadores e membros do STF, que continuam dizendo que a prisão só aconteceria depois que o processo terminasse de vez, sem chance de novos recursos, ou se ele fizesse alguma coisa que justificasse uma prisão preventiva imediata.
Os advogados insistem em dizer que a ida de Bolsonaro ao julgamento não foi para intimidar os ministros, mas sim afastar a ideia de que ele poderia fugir caso seja condenado e tenha a prisão decretada.
Em conversas entre eles, os ministros até ironizaram essa história de tentativa de intimidação, com um tom de sarcasmo: “Nossa, estamos superintimidados, dá para perceber pelas nossas falas”.
STF retoma julgamento de Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe de Estado (Vídeo: reprodução/jornal da Record)
Os últimos dois dias em Brasília estiveram voltados para a preparação do julgamento no STF que decidirá se coloca Bolsonaro e mais sete pessoas no banco dos réus por tentativa de golpe de Estado.
A cidade ficou cheia de defensores dos denunciados e por aliados de Bolsonaro, que buscam as melhores estratégias para o "day after" da provável aceitação da denúncia pelos cinco ministros da primeira corte: Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Flávio Dino e Cármen Lúcia.
Foto destaque: ex-presidente Jair Bolsonaro (Reprodução/Câmara dos Deputados/Marina Ramos)