Celebridades

Sucesso nas Olimpíadas, Douglas Souza comemora visibilidade: 'Amei a voz que ganhei'

Aos 26 anos, Douglas Souza virou um sucesso nas redes sociais. O atleta que não levou a medalha com a equipe de vôlei masculino nas Olimpíadas, foi campeão no quesito carisma e animação. Ele ganhou mais de três milhões de seguidores no Instagram.

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03 Set 2021 - 19h23 | Atulizado em 03 Set 2021 - 19h23

Aos 26 anos, Douglas Souza virou um sucesso nas redes sociais. O atleta que não levou a medalha com a equipe de vôlei masculino nas Olimpíadas, foi campeão no quesito carisma e animação. Ele ganhou mais de três milhões de seguidores no Instagram, após mostrar os bastidores de Tokyo. Prestes a se mudar para a Itália, onde jogará no time Vibo Valentia, o atleta estrelou a capa da revista Quem de setembro, onde contou um pouco sobre vôlei, preconceito e sexualidade.

Com o turbilhão que aconteceu em sua vida, ele pode oficialmente se definir como um digital influencer. Com o apoio de famosos, Douglas diz ter sentido o impacto de tanto carinho de forma repentina. ''O que mais me impactou foi isso. Fui dormir em um dia sem ninguém me conhecer e no dia seguinte acordei com várias mensagens de famosos. A Camilla de Lucas, a Rafa Kalimman, a Luísa Sonza, que são pessoas que gosto muito e acompanho há anos, me mandaram mensagem. Eu ficava me tremendo pensando que elas me conheciam, é uma coisa de outro mundo para mim. Pablo Vittar também foi maravilhosa, perfeita quando a conheci'', conta.


Douglas SouzaCom seu jeito carismático, Douglas Souza virou um sucesso nas redes sociais (Foto: Repordução/Instagram)


Nascido no interior de São Paulo, Douglas aos 13 anos decidiu que queria se profissionalizar no esporte e para isso teve que mudar-se para a capital, onde começou a jogar no Clube Pinheiros. ''Fui para a capital morar com 14 outros meninos e fiquei lá de 2010 até 2013. Fazer sucesso no esporte é como ganhar na loteria. É um caminho muito longo e exaustivo até chegar no objetivo. Cheguei na Seleção Brasileira de base com 15 anos para jogar no infantil. Foi um sonho'', revela.

Indo na contramão dos padrões da maioria dos atletas, que são bem reservados, ele garante que da comissão técnica não houve nenhum ''puxão de orelha'' sobre sua exposição na internet, mas que alguns colegas não curtiram muito. ''Coleguinha revirando o olho sempre vai ter e é normal. Sou gay, se não tiver um coleguinha revirando o olho para mim, esse não é o mundo real. Enquanto a gente está ali fazendo o nosso e se divertindo, vai ter cara que vai falar: 'Como assim?'. Mas da comissão técnica, do nosso CT, que é o que realmente importa, ainda não tive nada disso. Foi tudo muito tranquilo e todo mundo sempre me tratou muito bem'', avalia.


Douglas Souza mostrava os bastidores das Olimpíadas de Tokyo (Vídeo:Youtube)


O primeiro atleta do vôlei masculino a se assumir gay, ele é uma importante voz para a comunidade LGBTQIAP+. Sobre preconceito, diz já ter sofrido e afirma ser impossível fazer parte de alguma minoria e não ter passado por alguma situação desse tipo. ''É impossível uma pessoal homossexual em 2021, qualquer pessoa LGBTQIAP+, não sofrer nenhum tipo de preconceito. Se não sofreu, é porque não percebeu. É igual uma pessoa preta dizer que nunca sofreu racismo no Brasil. Impossível que isso não tenha acontecido. Quando era da categoria de base, escutava das pessoas: 'Olha, você tem que se esconder. Se você chegar na Seleção falando e andando desse jeito, vão te cortar, te mandar embora. Não vão querer saber'. Estou aqui, provei para elas que estavam erradas e está tudo bem. Nunca escondi ou anulei o fato de ser gay. Sempre dei muito pinta mesmo'', reflete.

A descoberta da sexualidade, principalmente para quem faz parte da LGBTQIAP+, costuma ser um momento delicado, já que muitas vezes a família não encara muito bem. Para Douglas, essa descoberta veio cedo, porém ele preferiu não contar aos pais. ''Como saí de casa com 14 anos de idade, não tinha muito essa vontade de me relacionar com outras pessoas. Já tinha certeza absoluta que era gay. Quando morei com 14 caras, fui vivendo e comecei a me relacionar. Mas não tinha necessidade de contar para os meus pais, porque já não morava mais com eles. Também não queria algo forçado, tipo uma reunião de família para dizer que sou gay. Até porque, uma pessoa heterossexual, não precisa fazer isso. Para mim, não fazia sentido. Em 2016, quando estava nas Olimpíadas do Rio, minha mãe me mandou uma mensagem falando que a família toda já sabia que eu era gay e todo mundo me amava e me aceitava'', discorre.


 

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Sobre o futuro, ele diz que seu maior sonho é ter estabilidade. ''Isso é algo que o atleta não tem muito (estabilidade). Cada hora, ele está morando em um país, cidade diferente. Você constrói laços com as pessoas depois precisa se mudar. É muito ruim. Meu sonho é comprar o meu apartamento em São Paulo, porque amo morar lá. Gostaria muito que tivesse algum time grande lá, além do Sesi, para jogar'', finaliza.

 

(Foto destaque: Sucesso nas Olimpíadas, Douglas Souza comemora visibilidade: ''Amei a voz que ganhei''. Reprodução/Iude Richele/Quem)

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