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Psicóloga fala sobre cancelamento e os Lucas e Karol's Conkás que existem fora do BBB21

O site Lorena R7 conversou com com a psicóloga Mariana Rohen, especialista em terapia cognitivo e comportamental (PUC-RJ), sobre o comportamento dos Brothers na casa e suas relações com o nosso dia a dia. Confira!

3 min de leitura
04 Fev 2021 - 15h44 | Atualizado em 04 Fev 2021 - 15h44

Na personalidade: agitados ou quietos; cabeça quente ou calculista; estourados ou calmos. Na identidade: brancas ou negras; famosas ou anônimas; militantes ou pessoas que desconhecem termos como "transfobia". Enfim, esta troca de interações entre pessoas totalmente opostas, mas jogadas em um local desconhecido e vigiado por todo o país, tornam o script de Boninho tão interessante e importante para compreender as relações humanas. Pois, apesar de estarmos vendo um show do entretenimento, as situações da "casa mais vigiada do Brasil" representam realidades ao nosso redor, mas que em muitas vezes não percebemos. 

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As ações do Big Brother Brasil mostram "o espelho da realidade"

Cancelamentos, perseguições, exclusões e tratamento de indiferença são comuns em nossa vida real, por mais que as situações promovidas no BBB21 possam parecer tão distantes. Apesar de o tratamento de Karol Conká com Lucas Penteado ser rejeitado e criticado por praticamente todo o público que assiste o reality, as cenas do reality ilustram, quase que como um filme, a tônica de uma realidade. Na nossa casa, escola, trabalho, faculdade e roda de amigos, as separações, exclusões e olhares indesejados dão ritmo a nossa vida com o próximo. 

"Pois da mesma forma que falamos sobre necessidades básicas para os brothers terem uma boa convivência na casa e manterem uma amizade, o público também precisa destes mesmos critérios para apoiar e se identificar com uma pessoa. De modo que, se os participantes manterem comportamentos contra ao esperado de um amigo consigo, pode haver menos probabilidade do público acolher e defendê-los. Isso está associado aos padrões de apego necessários para os vínculos afetivos", diz Mariana Rohen, especialista em terapia cognitivo e comportamental (PUC-RJ). 



Brothers ignoram Lucas Penteado na cozinha do BBB. (Reprodução/Twitter)

Um ato diferente do "certo", que é algo exercido e monitorado pelo público no BBB21, nos dá um sinal de indeferença; um sentimento de inquietação, principalmente ao ver uma ação tão comum, porém terrível, que é a exclusão. 

Quando vemos Karol Conká agir de forma tão extrema com Lucas, comentamos nas redes sobre o excesso e a falta de empatia. Ao mesmo tempo, esta vigia das câmeras é justamente o que torna as ações policiadas tão únicas, já que os "brothers" não sabem o que está sendo falado no "mundo exterior" sobre suas atitudes. O que pode ser considerado correto para o grupo ali da casa, não necessariamente está sendo aceito pelo público.

"É o que chamamos de “pensamento automático”. Nossas crenças influenciam a nossa percepção, que influencia nossos pensamentos automáticos e que por sua vez irá influenciar nossas reações emocionais, comportamentais e fisiológicas. Entretanto, nem sempre o nosso pensamento automático é verdadeiro. Muito pelo contrário. Por possuir uma das premissas de proteção, ele pode ser exagerado e irreal (catastrófico). É o que eu sempre digo, pensamentos não são fatos. Aprender a avaliar os pensamentos automáticos é uma habilidade construída e quando isso não é trabalhado, pode vir acompanhado de comportamentos automáticos também (muito da vezes para eliminar o mal estar). Por exemplo: Se algum participante tiver o pensamento automático “Eu estou fazendo tudo errado e serei canelado”, isso irá impactar em suas emoções, sensações e forma de agir", disse ela. 



Camilla de Lucas fala sobre a exclusão. (Reprodução/Twitter)

Como o cancelamento está sendo visto pelo público e pode afetar o BBB 

Todos ali não estão monitorando as reações dos espectadores. Logo, há uma pressão e uma pergunta na cabeça dos brothers: minhas atitudes são corretas perante o público? 

Daí vem a questão do "cancelamento" na casa e redes sociais. A ideia de se estabelecer uma régua moral e uma "lei", e que todos aqueles que não pertecem ou se enquadram dentro desta régua são expulsos do grupo e excluídos, como vemos com Lucas Penteado e Juliette, pode ter um efeito contrário, e os ditos "canceladores" acabarem sendo "cancelados" pelo público.

"Há de fato uma pressão pelas novas regras sociais do que é certo ou errado. Mas na verdade pode acabar ocasionando uma preocupação excessiva pela alta cobrança visto hoje na internet. É como foi dito na casa: “cancela o cancelamento” pois é humano errar. Somos obra em construção e isso precisa ser visto com mais aceitação. Esse julgamento muito das vezes do próprio  participante por ele mesmo pode acabar engessando os comportamentos. Podemos trocar as críticas das falhas pessoais por encorajamento, reflexões, autocompaixão, autobondade, etc. Mas se eu não faço isso comigo, como praticarei com o próximo? Fica ainda mais difícil para a manter relações e consequentemente uma boa convivência na casa", diz a psicóloga Mariana Rohen. 

Lucas Penteado x Karol Conká 



Karol Conká e Nego Di falam sobre Lucas mais uma vez. (Reprodução/Twitter)

O caso de Lucas Penteado é o que mais chama a atenção. Logo após protagonizar cenas de exageros na festa do Réveillon e brigar com quase todos os participantes, ele começou a ser visto com outros olhos. Mesmo pedindo desculpas e assumindo os seus erros, Lucas começou a ser excluído da convivência em grupo e está sendo tratado de forma indiferente, principalmente por Karol Conká. "Separado" da casa, a rejeição por alguns participantes pode afetar o emocional e até a convivência após o BBB21.

"Mediante a abordagem da terapia cognitiva e comportamental, acreditamos que os pensamentos influenciam o humor e comportamentos. No caso em questão do Lucas, a situação de rejeição pode vir a gerar mal estar e desconforto mediante suas crenças sobre essa questão. Tais crenças são idéias a respeito de si, do outro e sobre o mundo. Um dos objetivos da terapia é a modificação dessas crenças para serem vistas de forma mais realista e adaptativa. Vale ressaltar que uma simples conversa com um amigo não produz esse efeito desejado, e sim com a constância e empenho em terapia nas técnicas propostas pelo profissional formado em psicologia", revela Mariana. 



Lucas Penteado fala sozinho após ser excluído do grupo. (Reprodução/Twitter)

Enxergando toda a situação, mas sem tomar nenhuma atitude contrária, os outros participantes da casa não exercem uma posição sobre as atitudes de Karol Conká em relação a Lucas Penteado, e alguns até concordam. Correndo o risco de sair com uma das maiores rejeições do Big Brother Brasil, a cantora curitibana diminuiu o tom nos últimos dias, mas não conseguiu evitar a desaprovação do público. Para muitos, esta falta de atitude dos "brothers" com as ações de Karol pode mostrar uma manipulação e uso do prestígio, já que ela é uma cantora conhecida por todo o Brasil. 

Contudo, Relacionando ao nosso dia a dia, uma pessoa com prestígio e dita como a "líder" de um grupo de amigos ou qualquer convívio social, pode ter este poder de dizer o que é certo e errado, mas sem despertar nenhuma ação dos outros. Mesmo vendo uma atitude prejudicial ao próximo, o medo de se sobrepor à pessoa que tem o "poder" pode nos tornar cúmplices de ações prejudiciais. Assim, torna-se perigoso esta normalização da exclusão, ofensas, desrepeito, piada e abusos perante todos do grupo como ações aceitáveis.



Quase todos da casa falam e debocham de Juliette. (Reprodução/Twitter)

"Sobre a questão da manipulação da Karol: Acredito que não seja uma manipulação ou maldade consciente. Há indicativos que esses comportamentos possam ser sua maneira de se colocar no mundo diante de seus desafios. Durante toda a nossa historia de vida, aprendemos com o nosso contexto maneiras de solucionarmos nossos problemas e enquanto nossos aprendizados anteriores forem dando certo, nossa tendência é manter os comportamentos. Ou seja, a nossa personalidade possui bases genéticas herdadas e isso pode vir a explicar  o temperamento, comportamentos, afetos, crenças e motivações individuais. Lembrando que o temperamento de cada participante irá variar mediante as necessidades emocionais individuais. Entretanto, novos  aprendizados estão sempre disponíveis para  modificar crenças antigas de maneira que sejam desaprendidas e passem a ter como consequência novos comportamentos adaptativos. A grande questão muito desafiadora é essa modificação ser feita ainda dentro da casa", concluiu Mariana Rohen. 

 

 

(Foto Destaque: Os Lucas e Karol's podem estar ao nosso lado, mas não percebemos. Reprodução/TV Globo)

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