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Brasil x Argentina: A rivalidade das Américas

Saiba mais sobre o grande clássico das Américas. O retrospecto de confrontos entre Brasil e Argentina e a grande rivalidade histórica da América do Sul.

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17 Nov 2021 - 12h25 | Atulizado em 17 Nov 2021 - 12h25

Brasil e Argentina se encontraram em um clássico pelas Eliminatórias da Copa do Mundo e fizeram uma partida que, mesmo disputada e com os nervos dos jogadores à flor da pele, terminou em um empate sem gols. A Seleção Brasileira voltou para os vestiários após o apito final com tranquilidade já que vive boa fase, é líder invicta e já está classificada. Pelo lado da Argentina, mesmo sendo vice-líder, dependia de outros resultados para carimbar o passaporte para o Qatar. 

Brasil x Argentina (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

A partida desta terça-feira (16) não foi nada menos do que um esperado de um clássico entre Brasil e Argentina: Jogo disputado em todos os aspectos. Além de demonstrar toda qualidade de seus atletas em campo, o clima permaneceu tenso desde o primeiro tempo e cartões amarelos e pausas no jogo foram constantes em San Juan. 

O lance polêmico da partida ocorreu em uma disputa de bola entre Raphinha e Nicolás Otamendi. O zagueiro argentino tentava roubar a bola de Raphinha e acertou sua boca com o cotovelo. O atacante precisou jogar com um pedaço de algodão na boca para estancar o sangue, além de ter a famosa camisa amarelinha manchada de vermelho. 

Já o cartão vermelho permaneceu guardado no bolso do juiz que, pressionado pela torcida e equipe argentina, considerou o lance normal e mesmo com o VAR, não puniu o jogador. Raphinha precisou levar cinco pontos no queixo no intervalo. 

Porém, o lance de Raphinha e Otamendi é apenas a ponta do iceberg do clássico Sul-Americano, muito pelo contrário, o clima tenso já não era mais visto como em décadas passadas, onde violência policial e invasões de campo eram comuns. A atmosfera de "bandeira branca" entre as equipes se estendeu, principalmente porque a grande maioria dos jogadores possui uma grande amizade e até mesmo são companheiros em equipes internacionais. 

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O maior exemplo aconteceu em 1925, no Campeonato Sul-Americano sediado pela Argentina, onde somente Brasil e Paraguai concordaram em participar. Como a equipe paraguaia perdeu todos os seus quatro jogos, a decisão foi disputada entre Brasil e Argentina. O Brasil abriu o jogo com 2 a 0, com gols de Friedenreich e Nilo, o que não gerou boa reação na torcida e equipe argentina. 

O pesquisador Ivan Soter conta no livro "Enciclopédia da Seleção" que Friedenreich e o argentino Muttis se agrediram, dando início a uma confusão e instaurando o caos no campo de Barracas. Segundo Mário Filho (O negro no futebol brasileiro), a torcida invadiu o campo em meio a gritos de "macaquitos" e agrediu jogadores brasileiros. O ocorrido gerou protestos e passeatas na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, contra a Argentina. 

Protestos na Avenida Rio Branco (Foto: Reprodução/Onefootball)

Além de ser palco para grandes confusões, as duas Seleções também são responsáveis por revelações de grandes craques, o que estende a rivalidade para a discussão do século: Quem é o melhor do mundo? Pelé ou Maradona? 

O fato é que ambos possuem números incríveis e indescutíveis mas a história pesa e dá vantagem ao Rei Pelé. O brasileiro foi campeão mundial pela Seleção três vezes, possui dois Mundiais Interclubes, duas Libertadores, cinco Taças Brasil, além de torneios brasileiros. Pelé também soma um total de 1.281 gols em sua carreira. 

O ídolo Argentino, Maradona, foi campeão do mundo apenas uma vez, tem apenas um campeonato argentino, uma Copa do Rei, uma Copa da Uefa, dois Campeonatos Italianos e duas Copas da Itália. 

Pelé e Maradona (Foto: Reprodução/Shutterstock)

É nítida a capacidade de ambos os países de revelar grandes craques que foram além de Maradona e Pelé. Atualmente, Neymar e Messi - que são companheiros no PSG -, são os maiores nomes de Brasil e Argentina. Ángel Di María, Sergio Agüero, Paulo Dybala e Lautaro Martínez são grandes e atuais nomes argentinos. Pelo Brasil, Vini Jr., Lucas Paquetá, Gabriel Jesus e Roberto Firmino fazem parte de uma legião de revelações brasileiras pelo mundo. 

O talento dos jogadores pôde ser visto em campo nesta terça-feira, já que mesmo com marcador zerado, as duas equipes fizeram grandes lances de perigo e puderam abrir o placar. Entre faltas e cartões, os dribles também se destacaram, principalmente entre Dí Maria e Vini Jr. O argentino conseguiu dar uma linda caneta em Vinícius Júnior no primeiro tempo e o garoto logo descontou em outro adversário argentino, concluindo uma carretilha. 

No retrospecto de 108 partidas em todas as competições, o Brasil possui uma vantagem de 43 vitórias contra 39 dos argentinos e 25 empates. Ainda que envolvidos em absurdos e lances polêmicos, Brasil e Argentina segue sendo o maior clássico de todos os tempos com a maior rivalidade das Américas. 

Agora, os jogadores brasileiros voltarão a vestir a amarelinha apenas em 2022 e mostrou na última terça que pode conseguir se organizar taticamente para a Copa do Qatar e percorrer um caminho que nos leve até a taça do grande mundial. 

 

Foto destaque: Brasil x Argentina. Lucas Figueiredo/CBF

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