A missão chamada Fram2 foi lançada nesta segunda-feira (31) das instalações da SpaceX, no Centro Espacial Kennedy da Nasa, Flórida, Estados Unidos. A decolagem ocorreu por volta das 21h46 (horário dos EUA) e teve como destino a órbita polar da Terra, algo inédito.
O trajeto passa pelos dois polos do nosso planeta — norte e sul — sendo que o comum são as outras espaçonaves com tripulação seguirem a linha do Equador. A missão da espaçonave tem duração de um dia e o objetivo é realizar 22 experimentos de pesquisa e ciência. A espaçonave Crew Dragon está levando quatro pagantes para o espaço: o bilionário Chun Wang e três convidados.
O que há de inovação
O trajeto do voo foi planejado para que o foguete, Falcon 9, lançasse a espaçonave para o sul, em direção à órbita. Pouco após a decolagem, o propulsor de primeiro estágio do Falcon 9, responsável por fornecer a explosão inicial da decolagem, se separou do segundo estágio do foguete e retornou para pousar em uma balsa marítima.
Então, a parte superior do foguete acionou seu próprio motor, que impulsionou a aeronave a mais de 28 mil km/h em uma trajetória sobre os polos da Terra. A localização da Flórida é ideal para que o foguete viaje diretamente para o leste, porque a rotação da Terra ajuda com um impulso natural significativo. Mas a Fram2 teve que ser lançada em direção ao sul.
Essa trajetória exige que o foguete gaste muito mais energia, explicou o Dr. Crag Kluever, professor de engenharia mecânica e aeroespacial da Universidade do Missouri. E disse que o foguete Falcon 9 tinha energia suficiente para colocar a espaçonave Fram2 na órbita pretendida. Mas isso levanta a questão: por que exatamente essa órbita?
Embora os membros da tripulação estejam estimados para realizar 22 experimentos de pesquisa e ciência durante seus dias no espaço, a maioria envolve a avaliação da saúde da tripulação e poderia ser realizada independentemente de sua trajetória de voo. A trajetória foi escolhida apenas porque o grupo é interessado na exploração polar, e em uma expedição paga, é interessante ter algum feito inovador para chamar de seu.

Lançamento do foguete Falcon 9 na base da SpaceX da Florida, rumo à missão Fram2 em Aril de 2025 (Foto: reprodução/X/@SpaceX)
A tripulação
Não foi divulgado quanto Chun Wang pagou à SpaceX pela experiência. O bilionário é cofundador da F2Pool e fez fortuna com operações que envolvem a solução de problemas matemáticos complexos, para mineração de Bitcoin. Chun levou outros três entusiastas da exploração polar.
A primeira é Mikkelsen, cinegrafista e diretora que concentrou seu trabalho em projetos de ficção científica e documentários e no desenvolvimento de tecnologia para filmar em ambientes hostis e remotos, de acordo com seu site. Ela planeja fazer um filme sobre esta missão.
Rabea Rogge é outra mulher que também está na tripulação. Ela faz pesquisa para veículos automatizados que atravessam condições adversas, de acordo com uma página da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia. Ela é a primeira mulher alemã a voar para a órbita do planeta.
Philips, é um guia que realizou cerca de 30 excursões às regiões polares da Terra desde 1992, de acordo com seu site. O grupo fez treinamentos desde o ano passado, incluindo isolamento em “ambientes hostis” no Alasca e treinamentos na sede da SpaceX na Califórnia.
Foto Destaque: À esquerda, tripulante Rabea Rogge; à direita, foto da Terra, primeiras imagens divulgadas da missão Fram2 (Reprodução/X/@SpaceX)