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Frutose artificial em excesso causa diabetes tipo 2 e doenças no fígado

Cientistas canadenses e brasileiros da USP concluíram que o alto consumo dos ultraprocessados modifica o intestino e compromete o controle da glicemia

04 Abr 2025 - 09h19 | Atualizado em 04 Abr 2025 - 09h19
Frutose artificial em excesso causa diabetes tipo 2 e doenças no fígado Lorena Bueri

Há um ditado da sabedoria popular que diz: “o peixe morre é pela boca”. Embora o caso não seja literalmente o peixe quem sucumba, mas sim o ser humano, quem atesta a afirmativa, pelo menos quando o assunto é a ingestão de alimentos industrializados, comumente ricos em frutose, é um estudo publicado na revista "Molecular Metabolism".

Com apoio da FAPESP, pesquisadores da Université Laval (ULaval), do Canadá, e do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) chegaram a uma conclusão que reforça a ideia já discutida há algum tempo de que, se consumida em demasia, a frutose artificial altera sensivelmente o modo com que o nosso intestino responde à presença de glicose, aumentando o seu potencial de absorção desse açúcar. Segundo o estudo, essa dinâmica compromete o controle da glicemia (quantidade de açúcar no sangue), causando assim diabetes tipo 2 e doença hepática gordurosa.

De acordo com os cientistas, esses efeitos observados precedem a intolerância à glicose e o acúmulo de gordura no fígado. Como se sabe, esse são dois fatores relacionados ao desenvolvimento do diabetes tipo 2 e da doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica. A modificação da capacidade de absorção intestinal é o início do problema.

Mas será que as pessoas estão cientes do risco disso e será que elas sabem em que alimento encontra-se o tipo de frutose que causa doenças para tentar se prevenir? Antes de responder a essa pergunta, é essencial saber o que é frutose e discernir a saudável daquela que causa males. 

Frutose natural x frutose artificial

Presente no mel, em leguminosas vegetais como beterraba, cebola, cenoura e em frutas, daí o apelido de o “açúcar das frutas”, a frutose é um açúcar simples (um monossacarídeo). Essa é a frutose natural. Por ser um açúcar, ele nos fornece energia, e também pode ser produzido pelo nosso próprio organismo. A frutose que está contida nas frutas e nos demais alimentos naturais não causa mal à saúde, visto que seu nível é baixo. Já o que diz respeito a fibras, a quantidade é bem alta e isso é um aspecto positivo.


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O mel contém frutose natural (Foto: reprodução/Thomas Trutschel/Photohek via GettyImages Embed)


Por outro lado, existe a frutose artificial, que costuma ser extraída daqueles mesmos alimentos naturais citados e é usada pela indústria alimentícia, como o xarope de milho, por exemplo, a fim de adoçar uma série de produtos processados. E é aí que mora o perigo. Muita gente acaba consumindo esse tipo de frutose exageradamente, alheia às consequências nocivas para saúde. Dentre os alimentos industrializados vilões estão: refrigerantes, sucos, bolos, certos biscoitos, molhos, geleias e compotasetc. Esse tipo de frutose transformada por meio dos ultraprocessados pode provocar obesidade, elevação dos índices de ácido úrico e de colesterol LDL (lipoproteína de baixa densidade) e finalmente causar diabetes e outros males crônicos.


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Copo com refrigerante, uma bebida que contém a frutose artificial (Foto: reprodução/Gado/GettyImages Embed)


Conforme matéria publicada pelo Portal “O Globo”, o estudo sobre a ação da frutose foi conduzido por Paulo H. Evangelista-Silva, doutorando no Programa de Pós-Graduação do Departamento de Biologia Funcional e Molecular do ICB-USP, em coautoria com Eya Sellami, pesquisadora da ULaval, e Caio Jordão Teixeira, pós-doutorando no Departamento de Fisiologia e Biofísica do ICB-USP. 

Paulo H. Evangelista-Silva explicou que os resultados da pesquisa referem-se ao consumo de frutose de alimentos industrializados. “Frutas in natura são ricas em fibras, que ajudam a retardar a absorção de glicose e aumentam a saciedade. Além disso, contêm nutrientes benéficos para a saúde intestinal e hepática”, explicou.  

Como foi a pesquisa

De acordo com os pesquisadores responsáveis pelo artigo científico, as experiências foram feitas em camundongos. Por sete semanas foi administrada uma alimentação na qual a obtenção de energia era em 8,5% de origem de frutose. A porcentagem já é considerada elevada e próxima da que nós humanos consumimos. Bastaram três dias para que os roedores já começassem a sofrer o aumento da capacidade de o intestino deles absorverem glicose (açúcar que fornece energia para as células do corpo). Tanto a glicose como a frutose são monossacarídeos (açúcares simples). Porém, existe uma considerável diferença entre elas: o processo e o transporte na metabolização. A frutose é absorvida pelo organismo, sobretudo pelo fígado, e pode ser transformada em glicose, que servirá como fonte de energia para as células. Se isso não ocorrer, será armazenada como gordura. Já a glicose é rapidamente metabolizada pelo intestino delgado e transformada diretamente em energia.

Ainda segundo a avaliação do estudo, após um mês, a glicose passou a não ser mais removida do sangue como antes. Observou-se também que ocorreu o acúmulo de gordura no fígado (risco de evoluir para quadro de cirrose hepática). Além disso, outro aspecto destacável é que, apesar dos efeitos adversos, o organismo dos animais não desenvolveu resistência à insulina nos músculos ou no tecido adiposo. A conclusão disso foi que a quantidade inicial de glicose no sangue ocorre por alterações no intestino e não por falha na resposta insulínica periférica.

Os cientistas explicam que, esse fenômeno é resultante da ação do hormônio chamado GLP-2, produzido por células intestinais, e o consumo excessivo de frutose de alimentos industrializados eleva os níveis circulantes dessa substância. O GLP-2 é que estimula o crescimento da superfície intestinal e o aumento a capacidade de absorção de nutrientes. Como teste, o receptor desse hormônio (Glp2r) foi bloqueado por meio de uma droga. A aplicação possibilitou impedir o aumento da absorção de glicose, o que evitou não só a intolerância, mas também o acúmulo de gordura no fígado.

"Mostramos que o aumento da absorção de glicose pelo intestino ocorre antes da intolerância à glicose. Isso abre caminho para o uso desse mecanismo como um biomarcador precoce", explicou Fernando Forato Anhê, professor da Faculdade de Medicina da ULaval e coordenador da investigação em recente entrevista ao “O Globo”.

“O teste de absorção intestinal de glicose é barato, seguro e já utilizado em humanos – bastaria aplicá-lo em um novo contexto”, complementou o professor Fernando Forato.

A próxima etapa do grupo, que contará com o apoio do Canadian Institutes of Health Research (CIHR), é investigar como o microbioma do intestino pode ser manipulado a ponto de ser viável reduzir os efeitos nocivos do excesso de frutose.


Foto Destaque: criança consumindo refrigerante (Reprodução/iStockphoto)

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