O Brasil sofreu um declínio na edição 2025 do ranking de bilionários da Forbes, que foi divulgada na terça-feira (1º), passando da 7ª para a 9ª posição entre os países com representação no seleto grupo dos ultra-ricos. Neste ano, o país conta com 56 bilionários, 13 a menos do que os 69 registrados no ano anterior.
Essa diminuição também afetou o patrimônio total dos bilionários brasileiros, que recuou cerca de US$ 231 bilhões (equivalente a R$ 1,3 trilhão) para US$ 212 bilhões (aproximadamente R$ 1,2 trilhão). Apesar de ainda ter nomes de destaque, como Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, cuja fortuna aumentou para US$ 34,5 bilhões (R$ 197 bilhões), o Brasil foi superado por Hong Kong (66 bilionários) e Itália (74 bilionários), diminuindo sua influência entre os bilionários globais.
A lista completa de 2025 apresenta cerca de 3.028 bilionários, cujas fortunas globais somadas chegam a US$ 16,1 trilhões (R$ 91,8 trilhões), um aumento de US$ 2 trilhões (ou R$ 11,4 trilhões) em relação ao ano anterior. Para se chegar a esses cálculos, a Forbes US utilizou cotações e valorização de ativos até 7 de março, sendo que para a elaboração do ranking oficial, é considerada apenas as fortunas superiores a US$ 1 bilhão (equivalente a R$ 5,7 bilhões). O título de mais rico do mundo vai para Elon Musk (dono do X), cujo patrimônio está estimado em US$ 342 bilhões (aproximadamente R$ 1,95 trilhão).
Posição dos países
O desempenho do Brasil no ranking, contrasta com o crescimento de outros países, tanto emergentes quanto desenvolvidos. Um exemplo disso é a Alemanha, que aumentou de 132 para 171 bilionários; a Rússia passou de 120 para 140; e o Canadá ganhou nove novos bilionários, subindo de 67 para 76. O Reino Unido, por sua vez, manteve-se estável, com 55 bilionários, estando atrás um a menos que o Brasil neste ano. Vejamos a seguir os dados dos países com mais bilionários:
Elon Musk, dono da Tesla e da plataforma X (antigamente Twitter) é a pessoa mais rico do mundo. (Foto: reprodução/Beata Zawrzel/NurPhoto/Getty Images Embed)
- Estados Unidos - 902 bilionários, com um total de US$ 6,8 trilhões. Tendo Elon Musk como o mais rico do mundo com cerca de US$ 342 bilhões;
- China - 450 bilionários, totalizando US$ 1,7 trilhão. Tendo entre os mais ricos Zhang Yiming (US$ 65,5 bilhões);
- Índia - 205 bilionários, somando um total de US$ 941 bilhões. Tenho entre os mais ricos Mukesh Ambani (US$ 92,5 bilhões);
- Alemanha - 171 bilionários, totalizando US$ 793 bilhões, tendo entre os mais ricos Dieter Schwarz (US$ 41 bilhões);
- Rússia - 140 bilionários, somando cerca de US$ 580 bilhões. Tendo entre o mais rico Vagit Alekperov (US$ 28,7 bilhões);
- Canadá - 76 bilionários, com um total de US$ 359 bilhões. Tendo entre os mais ricos Changpeng Zhao (US$ 62,9 bilhões);
- Itália - 74 bilionários, somando US$ 339 bilhões. Tendo entre os mais ricos Giovanni Ferrero (US$ 38,2 bilhões);
- Hong Kong - 66 bilionários, totalizando US$ 335 bilhões. Tendo entre os mais ricos Li Ka-shing (US$ 38,9 bilhões);
- Brasil - 56 bilionários, somando um total de US$ 212 bilhões. Tendo entre os mais ricos Eduardo Saverin (US$ 34,5 bilhões);
- Reino Unido - 55 bilionários, totalizando US$ 238 bilhões. Tendo entre os mais ricos Michael Platt (US$ 18,8 bilhões).
Enquanto os EUA mantêm sua liderança com 902 bilionários, e a China se estabelece em segundo lugar com 450, no Brasil registra uma diminuição em sua representatividade, evidenciando os efeitos de fatores como a desaceleração econômica, a volatilidade cambial e o desempenho oscilante da bolsa de valores brasileira (B3).
Cinco brasileiros mais ricos
1- Eduardo Saverin (43 anos) - é a segunda vez consecutiva que ele ocupa a vanguarda dos brasileiros mais ricos segundo a revista, possuindo um patrimonio líquido estimado em US$ 34,5 bilhões (R$ 196,6 bilhões), e ocupando a 51ª posição no ranking global.
Cofundador do Facebook (atualmente Meta) e ex-sócio de Mark Zuckerberg, em 2024, continua sendo o brasileiro mais rico a performar a lista, porque grande parte de sua fonte de riqueza se concentra em sua participação minoritária, mas valiosa, na empresa.
Em 2016, Eduardo lançou o fundo de capital de risco B Capital, que administra US$ 1,4 bilhão em ativos, com sede em Singapura, em parceria com o ex-executivo do BCG e da Bain Capital, Raj Ganguly. Atualmente CEO da B Capital, reside em Singapura após renunciar à sua cidadania americana em 2012, antes do IPO (Oferta Pública Inicial) do Facebook, ou seja, quando uma empresa emite ações para serem negociadas pela primeira vez na bolsa de valores.
2- Vicky Sarfati Safra (72 anos) e seus herdeiros - possuem um patrimônio líquido de US$ 20,7 bilhões (equivalente a R$ 119,44 bilhões. Vicky construiu sua riqueza a partir do Banco Safra, ocupando a 98ª posição no ranking global. Ela e seus quatro filhos adultos herdaram a fortuna do banqueiro brasileiro Joseph Safra, falecido em 2020.
3) Jorge Paulo Lemann (85 anos) e Família - com um patrimônio de US$ 17 bilhões (R$ 96,9 bilhões), ocupa a 119º posição no ranking mundial. Lemann, principal acionista da Anheuser-Busch InBev (fusão da brasileira Ambev com a belga InterBrew, em 2004), considerada maior cervejaria do mundo, construiu sua fortuna a partir da empresa. Ele também possui investimentos na Restaurant Brands International, que é a controladora do Burger King e da rede canadense de café Tim Hortons. Além disso, ele é fundador da 3G Capital, uma empresa de private equity.
4- Carlos Alberto Sicupira (77 anos) e Família - com um patrimônio líquido de US$ 7,6 bilhões (R$ 43,32 bilhões), ocupa a 418º na posição do ranking global. A fonte da fortuna de Carlos "Beto" Sicupira provém de sua participação de cerca de 3% na Anheuser-Busch InBev, a maior cervejaria do mundo. Sicupira, juntamente com seus sócios Jorge Paulo Lemann e Marcel Herrmann Telles, ambos bilionários, também investe na Restaurant Brands International, controladora do Burger King e da rede Tim Hortons.
5- André Santos Esteves (56 anos) - com um patrimônio líquido de US$ 6,9 bilhões (R$ 39,33 bilhões), ocupa a 487º na posição do ranking global da Forbes. Sua fonte de riqueza foi construída a partir do Banco BTG Pactual. Esteves iniciou sua trajetória profissional como estagiário no banco de investimentos Pactual e, com o tempo, assumiu o controle da instituição. Em 2006, ele vendeu o Pactual ao banco suíço UBS por cerca de US$ 3,1 bilhões, construindo a subsidiária brasileira UBS Pactual. Em 2009, ele vendeu o UBS Pactual para a BTG e se tornou presidente do conselho e CEO da nova entidade, conhecida como BTG Pactual.
Segundo a Forbes, o setor financeiro é o que mais contribui para o ranking, com 12 bilionários brasileiros, herdeiros de bancos tradicionais como Safra e Itaú, incluindo os fundadores da XP e Nubank.
Novas entradas na lista
O Brasil tem duas novas estreias na lista global de bilionários. Max Van Hoegaerden Herrmann Telles, filho do bilionário Marcel Telles, aparece na nona posição entre os brasileiros, após receber uma participação significativa na Cervejaria AB Inbev em 2023.
Outro novato é Mário Araripe, que fundou da Casa dos Ventos em 2027, considerada a maior produtora de energia renovável do Brasil, que em 2023 vendeu 34% de seu portfólio de energia para a francesa TotalEnergies, em uma joint venture avaliada em mais de US$ 2 bilhões.
Foto Destaque: Eduardo Saverin, o brasileiro mais rico do mundo. (Reprodução/Wei Leng Tay/Bloomberg/Getty Images Embed)