Top5daLorena: as músicas que representam a Consciência Negra

Publicado 23 de Nov de 2020 às 01:13

Na última sexta-feira (20), foi comemorado o Dia da Consciência Negra. Aliás, não podemos dizer que foi uma data para celebrar, mas sim para reflexões. Ainda mais, em uma semana que veio à tona um dos casos mais chocantes em relação ao racismo estruturado em nosso país, onde um homem negro foi espancado até a morte em um shopping no Rio Grande do Sul.

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O caso gerou protestos e, por mais que alguns possam negar, a data marcou a clara identificação de que há, de forma nítida, racismo em nossa sociedade. Em um momento onde passamos por uma conscientização mais difundida, aliando-se no combate ao racismo em nossa sociedade, nós, do site Lorena.r7, não poderíamos deixar passar a oportunidade de trazer um conteúdo especial. Dessa forma, em homenagem a todos os artistas negros que fazem pela nossa cultura há séculos, selecionamos cinco músicas que trazem consigo uma alta representatividade e poder de expressão, em que são retratados os feitos e as adversidades. Axé! 

5 - A Carne - Elza Soares

Elza Soares é, sem nenhum dúvida, um dos rostos mais representativos da nossa música. Em 1990, a cantora foi eleita pela Rádio BBC de Londres com a principal artista brasileira do milênio. Não apenas pelos seus versos regados de originalidade e de sua potente voz, Elza é uma referência para o surgimento de outras estrelas nacionais. Entre tantas canções, podemos destacar A Carnedo álbum "Do Cóccix Até o Pescoço", de 2002. Nela, a cantora denuncia o racismo por meio de letras fortes, apresentando uma das frases que marcaria para sempre: "A carne mais barata do mercado é a carne negra". Além disso, Elza Soares conseguiu evidenciar as condições e situações as quais o cidadão negro brasileiro é colocado desde que o Brasil é Brasil. 

"Que vai de graça pro presídio
E para debaixo do plástico
Que vai de graça pro subemprego
E pros hospitais psiquiátricos". Elza Soares - A Carne 


(Reprodução/YouTube @Elza Soares)


4 - Mandume - Emicida

Emicida traz o olhar do brasileiro, do negro, do pobre e do favelado em seus versos. Não sendo apenas a letra de uma melodia qualquer, mas sim a força de uma verdade traduzida em rimas; o desabafo e a inquietação revelada e facilmente assimilada por aqueles que vivem a realidade de suas canções. Aos 35 anos, o rapper é uma força da juventude negra na música, nos debates e na luta diária contra o racismo e a desigualdade. Poderíamos citar aqui várias composições do artista, mas a canção Mandumeque foi lançada em 2015 com a participação de vários rappers como Drik Barbosa, Coruja BC1, Rashid, Rico Dalasam, Amiri, Raphão Alaafin e Amiri. A música retrata a resistência negra, em que leva o nome do último rei da Angola a lutar contra a invasão dos povos europeus. 

"Pensa que eu num vi?
Eu senti a herança de Sundi
Ata, não morro incomum e
Pra variar, herdeiro de Zumbi." Emicida - Mandume 


(Reprodução/YouTube @Emicida)


3 - A Música da Mãe - Djonga 

Aos 26 anos, o cantor, historiador e escritor Djonga se tornou um dos artistas mais influentes do cenário atual do rap. Sua carreira é marcada pela forte crítica social em versos e pelo poder de expressão, trazendo à tona o dia a dia do povo negro; um grito de socorro e de libertação. A composição A Música da Mãe, lançada este ano, faz uma reflexão em relação ao racismo presente na sociedade. Assim, ela vem justamente em uma época que são abordados tantas problemáticas no Brasil, EUA e outros lugares em torno de preconceitos pré-existentes apenas em um olhar, abordagem e tratamento pela cor da pele. 

"Ô, mãe
Olha como me olham
Ô, mãe
Eles me pedem foto
Hey, all, hey, all
Olha como me olham
Do fundo da leste, eu cumpri a promessa
E fiz o jogo virar."    Djonga - A Música Mãe


(Reprodução/YouTube @Djonga)


2 - Olhos Coloridos - Sandra de Sá

Lançada em 1982 pela cantora Sandra de Sá, a música Olhos Coloridos é considerada um símbolo do manifesto do orgulho negro no Brasil. Assim, se libertando de ofensas pelos detalhes físicos, mostrando que o cabelo, os olhos e expressões negras são motivos de alegria. Aliás, poucos sabem que a canção surgiu após um caso de racismo. Autor do hit, Macau compôs a música na década de 1970 após ser preso injustamente pela polícia em uma exposição de escolas públicas no Estádio de Remo da Lagoa, no Rio de Janeiro. Após ser parado, o artista conta que foi ofendido por conta de sua roupa e cabelo. De acordo com Macau, o policial que o abordou disse: "É isso mesmo. Tudo pobre, tudo favelado. Essa coisa toda; tudo negro."

Devido ao fato, a música foi criada e, na voz de Sandra de Sá, surgiu como uma resposta de auto-afirmação da identidade afro. 

"Você ri da minha roupa
Você ri do meu cabelo
Você ri da minha pele
Você ri do meu sorriso

 

A verdade é que você
Tem sangue crioulo
Tem cabelo duro
Sarará crioulo."                Sandra de Sá - Olhos Coloridos


(Reprodução/YouTube @Sandra de Sá)


.1 - Nego Drama - Racionais Mcs

Na primeira colocação da nossa seleção está Nego Drama, do Racionais Mcs. Sendo uma das principais referências do rap nacional em todos os tempos, Mano Brown, Ice Blue, Eddie Rock e KL Jay formam o quarteto que trouxe diversas pautas importantes do cotidiano do pobre da periferia em suas composições. Do Capão (SP) até as vielas de Rio Branco no Acre, a canção revela as adversidades e como um negro precisa "virar o jogo" completamente para chegar num lugar ao sol. 

"Negro drama
Entre o sucesso e a lama
Dinheiro, problemas
Invejas, luxo, fama

 

Negro drama
Cabelo crespo
E a pele escura
A ferida, a chaga
A procura da cura"    Racionais Mcs - Nego Drama 


(Reprodução/YouTube @Racionais Mcs)


E aí, curtiu a nossa playlist desta semana? Fique ligado, pois toda semana trazemos uma seleção de músicas especiais e para todos os gostos. Até lá!

 

 

(Foto destaque: Top5daLorena: as músicas que representam a Consciência Negra. Reprodução / Instagram @RacionaisMcs) 

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