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Sentença é deferida aos quatro réus do caso Boate Kiss

Após anos de espera a sentença aos quatro réus do trágico caso da Boate Kiss é decretada, tendo em vista que todos os condenados foram considerados culpados nesta sexta-feira.

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10 Dez 2021 - 20h20 | Atualizado em 10 Dez 2021 - 20h20

Nesta sexta-feira, dia 10 de dezembro de 2021, após aproximadamente nove anos de espera, desde a grave tragédia que levou ao incêndio da Boate Kiss e depois de 10 dias ininterruptos de audiência levou ao Tribunal do Júri do Foro Central de Porto Alegre declarar os quatro réus do caso culpados. Sendo eles, Marcelo de Jesus dos Santos, Mauro Lodeiro Hoffmann, Luciano Augusto Bonilha Leão e Elissandro Callegaro Spohr.

Orlando Faccini Neto, o juiz do caso se pronunciou: "No caso como o presente, é preciso referir que se está diante da morte de 242 pessoas, circunstância que, na órbita do dolo eventual, já encerra imensa gravidade".


O juiz Orlando Faccini Neto em meio ao julgamento dos réus da Boate Kiss. (Foto: Reprodução/ TJRS/Diário do Nordeste)


Levando em conta que o processo do incidente rolando desde o ano de 2013, no dia 27 de janeiro, quando ocorreu o desastre, onde houve um grupo de 636 pessoas feridas e cerca de outras 242 mortas dentre o território do estado do Rio Grande do Sul, na cidade de Santa Maria. Só tendo sua sentença revelada agora, nessa semana de dezembro de 2021, lembrando que a trágica situação tem até hoje o segundo maior porcentual de incidentes dessa magnitude em toda história do Brasil e a principal e mais grave do RS.

Elissandro, mais conhecido como Kiko, um dos quatro réus julgados berrou: "Eu não quis isso, eu não escolhi isso. Eu não aguento mais. Eu aprendi a chorar em silêncio dentro de uma cadeia. Por que isso foi acontecer no beijo? Era uma boate boa, todo mundo era amigo. Eu virei um monstro de um dia para o outro. Eu estava lá".

"Não existe o que falar, não tem uma explicação que consiga dar. Fiquei como culpado. Vou falar o quê?", Kiko continua ao ser questionado sobre não ter feito nenhuma declaração de consolo aos parentes das vítimas naquela noite, o que mudou toda a sua vida da noite para o dia.

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Mauro Hoffmann, o segundo réu comentou mais sobre o que se lembrava da noite dentro da Boate Kiss: "Era muita fumaça, as pessoas trancaram muito no [ponto de] táxi. Uma tragédia é uma sucessão de pequenas coisas. Tudo atrapalhou".

O terceiro réu e vocalista do grupo Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos também se pronunciou sobre o assunto cheio de emoção: "Eu disse vou apagar. Na minha cabeça eu ia apagar. Tive uma chance só de apagar o fogo e a chance que eu terei eu não consegui. O extintor não funcionou. Entrei em desespero de cima do palco, não sabia o que fazer".

Já o último dos quatro réus condenados nesta sexta-feira e auxiliar do grupo antes citado, Luciano Augusto Bonilha Leão proferiu de modo desafiador: "Tenho tranquila consciente que não foi meu ato que tirou a vida desses jovens. Se for pra tirar como dor dos pais, eu tô pronto, me condenem".

Dessa forma, com mais de 3,2 mil dias passados desde o acontecido que teve as etapas de seu longo processo, tendo o Ministério Público, o Poder Judiciário e a polícia como seus analisadores. O fim desse julgamento também dá um ponto final no longo sofrimento de muitos sobreviventes do desastre na boate, conforto as seus familiares e testemunhas, além de finalmente dar uma sentença para os condenados.

Foto destaque: Juiz Orlando Faccini Neto /Reprodução/Migalhas

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