Celebridades

Iza estrela primeira capa de revista internacional e destaca representatividade preta

Estrelando a primeira capa de revista internacional, a cantora fez questão de comentar sobre a falta de representatividade preta no Brasil e incentivar a liberdade capilar da mulher negra.

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24 Nov 2021 - 22h00 | Atulizado em 24 Nov 2021 - 22h00

Iza acaba de estrelar a primeira capa de revista internacional da sua carreira. A Allure, revista norte-americana com foco em beleza, destaca o tamanho da importância de Iza no cenário artístico brasileiro, além dos grandes números em seus videoclipes. A 'Edição Melanina' faz parte de um especial que exalta a representatividade preta no mundo.

''É comovente quando as pessoas dizem que sou um símbolo de beleza no Brasil. Mas sempre digo que eu só posso representar algumas pessoas, e não todas as mulheres negras. Somos plurais, tão diferentes, precisamos de mais espaço'', fala Iza, que relembra as dificuldades que passou quando era criança, por conta de seu cabelo e sua cor.


Iza Allure

Iza é, pela primeira vez, capa de revista internacional (Foto: Reprodução/Thaís Vandanezi/Allure)


''Quando eu era mais jovem, tipo 12 anos de idade, eu pedi a minha mãe para alisar meu cabelo. Eu falava, 'Por favor!'. Eu não aguentava mais na escola. Eu apenas queria me encaixar. Eu não tinha as ferramentas para cuidar do meu cabelo natural. O fato é que é muito difícil criar amor-próprio quando o mercado, quando o mundo, não te dá as escovas certas'', conta a cantora.


Iza capa de revista

Iza falou sobre a importância da representatividade preta (Foto: Reprodução/Thaís Vandanezi/Allure)


Iza faz questão de eslarecer que uma mulher preta é bem mais que seu cabelo, contando sobre a vontade constante de mudar o visual, com os cabelos naturais ou não. ''Primeiro que mulheres negras foram atacadas por conta do cabelo natural, porque era visto como sujo, danificado, era alvo de piadas racistas e os fios naturais, mesmo sabendo que o chefe poderia dizer que era inapropriado, ou o namorado não te achasse tão bonita. Isso era político porque estávamos dizendo: 'Estou usando meu cabelo natural, não me importo com o que você pensa'. Esse foi o primeiro momento da resistência, que foi muito importante. Mas também acho importante que as mulheres, em geral, são livres para usar e serem o que quiserem. Se quiser ir natural, eu vou, se quiser ficar careca, vou ficar, e se quiser usar algo liso e loiro, usarei. Eu não sou o meu cabelo. Sou mais do que isso''.


Iza revista 2

Iza contou sobre as dificuldades que passou durante a infância e adolescência por conta do cabelo (Foto: Reprodução/Thaís Vandanezi/Allure)


No Brasil, segundo o IBGE, 56% da população brasileira se considera preta ou parda, enquanto 44% se considera branca. Apesar de estarem em menor número ganham, em média, 74% a mais do que os negros e pardos. Um relatório publicado pelo Minory Rights Group Internacional diz que 78% dos afro-brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza, em comparação com 40% dos brancos.  

Iza entende bem essa desigualdade. ''Infelizmente, sou uma exceção aqui no Brasil. Sou uma negra com formação superior e isso não é uma coisa que se vê muito. A população negra é a parte mais pobre da nossa sociedade''.

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Sobre seu contato com a música, a cantora carioca, de 31 anos, conta sobre uma experiência que teve quando ainda era criança. ''Eu tinha seis anos. Não tinha meus amigos perto de mim e nem meus primos perto de mim, então estava passando muito tempo sozinha'', fala ela, relembrando que a família havia acabado de se mudar. ''Entrei no quarto dos meus pais e encontrei um CD de Brian McKnight (cantor e músico norte-americano de R&B e Soul) chamado 'Renember You' e pulei para a segunda música, 'On The Floor. Fiquei arrepiada e meu primeiro instinto foi desligá-lo porque me sentia estranha. Quando meus pais foram trabalhar, eu voltei (para o quarto deles) e toquei o CD. Comecei a cantar. Eu não tinha ideia do que estava cantando ou significado das letras, mas estava cantando e sentindo a às vezes chorando''.

 

Foto destaque: Iza. Reprodução/Thaís Vandanezi/Allure

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