Ginny & Georgia: um milkshake de referências quase bem-sucedidas

Publicado 19 de Mar de 2021 às 09:00

Ginny & Georgia continua no Top 10 da Netflix e anda, literalmente, na boca do povo. Até Taylor Swift se pronunciou a respeito. Por que? Bem, essa mistura um pouco inusitada do seriado de questões raciais, estereótipos e um motor que parece entrar no tranco, mas vai perdendo força resume bem o caso.

A série traz no enredo Ginny (Antonia Gentry), sua mãe Georgia (Brianne Howey) e o pequeno Austin (Diesel La Torraca), uma família que vive de mudanças, por conta dos rolos emotivos e financeiros da matriarca. O fantasma da adaptação está sempre os rodeando e trazendo atritos no relacionamento dos três.

Ator de 'Lupin' diz que não esperava sucesso global

Novo thriller da Netflix 'The Gray Man' com Ryan Gosling muda suas filmagens para Praga

Monday, novo filme de Sebastian Stan, ganha primeiro trailer


Ginny e GeorgiaGeorgia tenta agradar Ginny em seu aniversário. (Foto: Reprodução/Netflix)


Ginny é uma jovem que sofre preconceito racial na nova escola e bullying de alguns amigos. Enquanto Georgia é a mãe descolada, que está sempre atrás de alguém para manipular e manter sua vida e de seus filhos em segurança. Muito embora, esse senso de proteção seja distorcido pelo: “vale tudo”, seja roubar, matar e mentir – sempre sorrindo, é claro.

O seriado consegue entregar personagens construídos, mas é visível referência de outras histórias, outras críticas comentam sobre Gilmore Girls e a relação com Ginny. No entanto, para os fãs de Bates Motel, Georgia é o modelo mais jovem de Norma Bates e, obviamente, menos convencional.

Quando dá espaço para questões raciais, a série trabalha situações de desrespeito no ambiente escolar por profissionais, mas não encorpa a cena. Dá a sensação de potencial, que se deixa morrer. Lembra do motor do carro? Ginny está sempre tentando se defender, mas os diálogos, alguns em forma defensiva, já outros embasados em razões lógicas fazem a personagem ser rapidamente engolida pela cena seguinte. Com isso, a questão é esquecida quando a menina está com seu quarteto “amigo”.

Aliás, amizade nesta produção é algo a ser questionado. Ao mesmo tempo, que Ginny é jogada aos lobos na escola, ela faz parte da matilha, mesmo que não perceba. Atitudes e comentários com duplo sentido mostram que a jovem aceita o amor, que “acha” merecer. Algumas vezes, ela os reproduz e sabe disso.


Ginny e GeorgiaO "MANG" é como o quarteto das amigas com as inicias dos nomes. (Foto: Reprodução/Netflix)


Os relacionamentos amorosos de Ginny são um pouco superficiais. Todas as suas referências sobre o assunto, em algum momento, se misturam com o da mãe e ela passa de “sei tudo sobre a vida”, para “o que estou fazendo com a minha vida?”. E novamente, entram as amizades que ajudam, mas também a julgam, mesmo em alguns momentos tendo tipos de relacionamentos liberais, quando estão rodeadas por outras pessoas. Estranho ponto de reflexão.

Além disso, a série mistura assuntos atuais, que de novo, poderiam ser mais bem explorados, como: automutilação, padrões de beleza impostos pela sociedade, depressão, posse de armas e muitos outros. As falhas nos estereótipos também. Há um tom de proposital, mas o único diálogo entre Ginny e Hunter (seu namorado) que poderia entregar mais, foi repleto de posicionamentos duvidosos e irreais sobre debates aqui no mundo real. Cena foi “cancelada” pelos fãs.

Esse lado da balança oscila quando o foco é Georgia, muito humor e tiradas rápidas da personagem. Um lado sombrio aparece nas últimas cenas, e o que foi construído em todo o seriado é posto à prova. Tudo que ela fez para os filhos e para a própria segurança, seria mesmo amor ou desejo de poder?


(Vídeo: YouTube)


Esse coquetel de situações é estranhamente combinável. Entretanto, observar as pequenas deixas fazem o telespectador querer mais do roteiro. Tem potencial e poderá surgir uma segunda temporada, caso a Dona Netflix veja os números subir.

(Foto Destaque: Ginny & Georgia. Reprodução/Netflix)

Deixe um comentário