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Filmes para quem adora videogames

Confira a lista dos cincos filmes que souberam usar a estética de videogames em suas tramas. Free Guy, Jumanji 2 e Jogador N°1 ocupam posições de destaque no ranking.

3 min de leitura
04 Out 2021 - 22h00 | Atulizado em 04 Out 2021 - 22h00
Cinema e videogame são mídias que possuem muitas similaridades, mas são antagônicas em um aspecto: a interatividade. Enquanto nos jogos o público pode escolher o que o personagem pode fazer, nos filmes, isso já não acontece, pois, o cinema é uma experiência visual passiva que exige que o espectador fique inerte para absorver o que a obra deseja transmitir. Por outro lado, os jogos de videogame permitem que seus participantes passem por toda uma jornada emocional nas tentativas de passar pelos obstáculos de cada fase e, assim, criar um sentimento de aprendizado a cada vitória conquistada.
 
Por essa razão, a indústria do cinema sempre teve grandes dificuldades em adaptar franquias icônicas dos jogos. O que eram horas de modo história e missões difíceis nos consoles, torna-se um filme que muitas vezes não sabe adaptar a complexidade das experiências que o jogador adquire quando joga determinada obra. As tentativas de adaptar jogos famosos como Resident Evil, Assassin 's Creed e Super Mario Bros foram nada bem sucedidas, gerando alguns dos piores filmes da história do cinema contemporâneo.
 
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As tentativas fracassadas de alavancar adaptações de jogos foram tão traumáticas para Hollywood que diversos veículos de imprensa dos EUA acreditavam que existia uma maldição sobre esse subgênero do cinema. Por mais que acertos ocasionais dessem esperança para os executivos dos estúdios, ainda é um risco enorme investir uma quantia milionária em filmes de videogames, muitos deles fracassam ou fazem números poucos expressivos nas bilheterias, não justificando um maior investimento na franquia. Apesar desses problemas, nos últimos anos, parece que os cineastas descobriram o segredo para fazer obras interessantes sobre games, mas não adaptando franquias específicas, e sim utilizando o conceito de jogabilidade como parte das tramas centrais dos filmes. A seguir, confira uma lista de cinco filmes que falam sobre games e entenda o porquê eles foram bem sucedidos.
 
1 – Jumanji: Bem-vindo à Selva (2017)
Jumanji (1995) foi um filme muito adorado por quem cresceu nos anos 90 e contava com o incrível Robin Williams no elenco. A trama foi adaptada do livro de Chris Allan Allsburg e apesar do bom retorno financeiro, não foi bem recebida pela crítica. Foi então que em 2017, a sequência Jumanji: Bem-vindo à Selva foi lançada nos cinemas mundiais com o astro Dwayne Johnson como protagonista principal e o resultado foi muito acima do esperado. A obra arrecadou US$ 962 milhões e foi muito elogiada pela crítica, o principal acerto foi atualizar a premissa do jogo Jumanji para um antigo console de videogame, utilizando a estrutura narrativa presente em jogos para guiar o roteiro.
 
Durante a trama, o grupo de heróis enfrenta uma série de dificuldades para que possam sair de Jumanji, todas elas baseadas em regras de jogabilidade comuns em games dos anos 90. Eles possuem três vidas, têm poderes de acordo com os avatares escolhidos, devem enfrentar diferentes missões para descobrir novas informações e lidam com estranhos personagens não-jogáveis. Tudo isso enquanto buscam ser pessoas melhores, desenvolvimento de personagem bastante comum em obras atuais, a cada fase, o personagem principal utiliza seus sofrimentos para evoluir emocionalmente. Toda essa intertextualidade é o que faz com que esse filme seja um dos melhores exemplos de uso inteligente do conceito de games.

 
Dwayne Johnson, Kevin Hart, Karen Gillan, Jack Black e Nick Jonas em Jumanji:Bem-vindo à Selva. (Foto: Reprodução/Sony)

2 – Jogador N°1 (2018)
Steven Spielberg traz seu lado gamer à mostra na adaptação da obra de Ernest Cline. Jogador N°1 é outro exemplo bem sucedido na adaptação da estética gamer para os cinemas, o filme conta a história de um jovem sonhador que deseja ganhar um torneio de jogos em realidade virtual na tentativa de evitar que uma companhia inescrupulosa mande no mundo. Enquanto o público se maravilha com as diversas referências à franquias famosas da cultura pop, o roteiro da obra questiona a dependência emocional que os jogadores do Oasis adquiriram com o passar dos anos, preferindo a realidade entorpecida do jogo ao encerrar o mundo real, num bem-vindo paralelo com o filme Matrix.
 
Por mais que o principal atrativo do longa-metragem seja o sentimento nostálgico, há um apuro estético dos criadores em imaginar como seria uma sociedade pautada pelas microtransações presentes em jogos atuais. Tudo comprado no ambiente virtual do Oasis poderia ser convertido em bens materiais físicos no mundo real, fazendo uma divertida brincadeira com aquisições virtuais como skins, acessórios e conteúdos adicionais para download (DLC 's). Também é interessante o modo como a trama aborda a jogabilidade do Oasis, os gráficos são bastante realistas, seguindo a tendência atual de quanto mais real um jogo parecer, mais o jogador se sente imerso na experiência.

Tye Sheridan em Jogador N°1. (Foto: Reprodução/Warner)

 
3 – Detona Ralph (2012)
Até o momento, os filmes da lista foram sobre a relação de jogos  com pessoas reais, mas o que aconteceria quando um personagem de videogame é usado para falar sobre outros videogames? Essa é a premissa da divertida animação Detona Ralph, produzida pela Disney em 2012. Diferente dos filmes anteriores que ficavam em consoles mais modernos, este usa as máquinas de jogos presentes em fliperamas para contar a história de um vilão que deseja mudar sua realidade e conseguir a aceitação da sociedade (ou jogo) onde vive. O roteiro estabelece que há uma ligação direta entre as máquinas de jogos, permitindo que personagens pertencentes a outros universos possam transitar entre o espaço virtual quando o fliperama está fechado.
 
Ralph é o típico vilão de jogos antigos cuja função é destruir um prédio enquanto o herói reconstrói tudo, uma realidade bastante unidimensional, segundo o brutamontes. Em sua jornada para escapar de seu destino, ele encontra um universo novo repleto de inovações tecnológicas e muitos rostos familiares para os fãs de jogos como Pac-Man e Sonic. A grande sacada do roteiro foi utilizar conceitos de programação para criar um suspense sobre o destino de Ralph e seus amigos. A homenagem aos antigos fliperamas também demonstra um ótimo conhecimento das práticas recreativas de cada época e como elas sempre retornam com o passar do tempo.

Cena de Detona Ralph. (Foto: Reprodução/Disney)

4 – Free Guy: Assumindo o Controle (2021)
Para dar um senso mais realista para os jogos, as produtoras colocam o máximo de detalhes possíveis nos ambientes como prédios, ruas, animais e até pessoas. Essas pessoas que preenchem o espaço  são chamadas de personagens não jogáveis, feitos especificamente para cumprir um propósito narrativo ou enfeitar. Acontece que em muitos jogos de teor violento, esses figurantes são alvos de extremos atos de violência (GTA que o diga), o que abre um questionamento, o que esses personagens não jogáveis (NPC 's) falariam se ganhassem consciência? Free Guy responde essa pergunta de modo satisfatório, apresentando um dos filmes mais divertidos de 2021.
 
Na trama, Guy é um caixa de banco do Jogo Free City e todos os dias tem a mesma rotina de violência e monotonia, até despertar para a realidade do mundo ao seu redor. Ele passa a lutar pelos direitos de seus amigos que também são NPC 's para impedir que a violência continue e salvar seu jogo de um cancelamento. Assim como Jogador N°1, esse filme faz um comentário social sobre o uso da internet, mas aqui, o foco está no modo agressivo como as pessoas se comportam no mundo virtual, expondo uma falha social inerte ao ser humano, o apetite por violência. O tema de Inteligência Artificial (I.A) também é usado com maestria pelos produtores para exemplificar a mudança que os jogos sofrerão no futuro, jogar contra uma I.A é bem mais excitante do que lutar contra outra pessoa, afinal o desafio é maior. Outro foco da história está nos bastidores das empresas de jogos, há uma crítica pontual sobre a falta de originalidade de algumas companhias e na pressão imposta a programadores e designers para entregar trabalhos de qualidade em pouco tempo.

 
Ryan Reynolds em Free Guy. (Foto: Reprodução/Disney)

5 – Space Jam: Um Novo Legado (2021)
Nos anos 90, parecia insanidade dizer que o astro do basquete Michael Jordan estaria num filme dos Looney Tunes, mas aconteceu e fez sucesso entre a geração da época. Para a sequência desse clássico, Lebron James foi o escolhido para ser o protagonista da trama e honrar o legado do filme original, apresentando a trama para uma nova geração de crianças. A premissa continua a mesma, um jogo de basquete irá definir o futuro do universo e cabe a Lebron James e personagens como Pernalonga, Patolino e Lola Bunny salvarem o mundo de uma perigosa inteligência artificial. Poucas pessoas devem ter notado, mas esse filme é uma enorme paródia que a Warner Bros fez sobre si mesma, basicamente um grande comercial do próprio estúdio.
 
Ainda assim, o filme sabiamente atualiza a ameaça colocando uma inteligência artificial como vilã, apostando também numa abordagem mais tecnológica para a partida de basquete. Os personagens dos Looney Tunes ganham gráficos realistas como em games famosos de esportes, além de regras e habilidades únicas para cada jogador. Os astros da NBA fazem participações especiais, garantindo aquele easter-egg para os fãs de basquete, além disso, a história gira na tentativa do filho de Lebron James em seguir uma carreira criando jogos virtuais, algo que o pai desaprova. Se você adora o Pernalonga, o Lebron e ama referências à cultura pop, vai adorar o filme.

 
Pernalonga em Space Jam: Um Novo Legado. (Foto: Reprodução/Warner)

Você pode encontrar Jumanji: Bem-vindo à Selva disponível no catálogo da Netflix, enquanto Space Jam: Um Novo Legado e Jogador N°1 fazem parte dos conteúdos da HBO Max. Detona Ralph está disponível na Disney+ e Free Guy está em cartaz nos cinemas brasileiros.
 
 
Foto Destaque: Filmes para quem adora videogames. Reprodução/Sony/Disney/Warner

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