Bem Estar

Estudo demonstra que 20% das pessoas que superam a covid-19 não desenvolvem imunidade

Imunologistas da Universidade de Medicina de Viena apresentaram estudo em que 20% das pessoas que superam a covid-19 não desenvolvem imunidade ao vírus causador da doença

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31 Ago 2021 - 16h34 | Atulizado em 31 Ago 2021 - 16h34

Um estudo da Universidade de Medicina de Viena (MUV) demonstrou que cerca de 20% das pessoas que superam a covid-19 não desenvolvem imunidade ao vírus causador da doença, pois isso somente é alcançado se forem produzidos anticorpos contra uma parte específica das espículas, que permitem aderir às células que infecta.

Na conclusão do estudo, publicada na revista “Allergy”, os pesquisadores adiantam que em algumas pessoas esse mecanismo não ocorre, o que eles acreditam também poder explicar o motivo de não desenvolver proteção contra os tipos de vacinas disponíveis no momento.

A proteção que evita a infecção apenas se manifesta caso forem produzidos anticorpos contra o “domínio de ligação ao receptor”, ou RDB, uma parte da espícula viral, a proteína semelhante a uma saliência com a qual o vírus se liga à célula hospedeira.


Uso de máscaras continua necessário mesmo após contágio da covid-19. ( Foto:Mário Oliveira/SECOM)

 

 


 

Ano passado, o mesmo grupo de imunologistas e alergistas já tinham observado que um grupo de pessoas que tinha desenvolvido sintomas leves da doença não era capaz de produzir anticorpos protetores contra o coronavírus.

A pesquisa foi feita utilizando uma técnica que aplica um grande número de antígenos virais a um chip de tamanho microscópico, ao qual peptídeos (um tipo de molécula) são fixados até que a espícula viral seja coberta.

A reação imunológica que os cientistas esperavam ver nos peptídeos ocorreu apenas contra a espícula intacta e dobrada, o que representa que somente o RDB dobrado produz uma proteção quando imunizado.

Uma vez que as vacinas genéticas em uso hoje imitam a infecção, é possível que os casos em que as vacinas não funcionem se devam à falta de desenvolvimento de anticorpos contra o RBD dobrado.

Seguindo este argumento, os autores do estudo defendem que uma vacina baseada em RDB seja desenvolvida para induzir anticorpos específicos para essa parte da espícula.

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Uma forma, dizem, de explorar melhor o "calcanhar de Aquiles do vírus", como definido por Rudolf Valenta, um dos diretores do estudo, que lembra que esse ponto de acoplamento SARS-CoV-2 não muda substancialmente em mutações sucessivas.

O estudo serve como mais um exemplo de que a chamada “imunização de rebanho” é completamente ineficaz, pois mesmo a pessoa se recuperando da doença sem a defesa do imunizante, seu corpo não está preparado para variantes da doença como a delta, que tem sido responsável por uma alta taxa de infecções pelo mundo.

Foto destaque: Imunologistas observam um frasco em pesquisa sobre reação da covid-19. ( Reprodução/Getty Images)

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