Bem Estar

Estilo de vida: emagrecimento, saúde e estética, quais são os desafios?

Profissionais da saúde explicam quais os caminhos corretos para percorrer na busca por uma vida saudável e satisfatória. Segundo a OMS a obesidade está entre as doenças que mais mata no mundo.

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08 Set 2021 - 16h08 | Atualizado em 08 Set 2021 - 16h08

A busca por um estilo de vida mais saudável está associada com a forma individual como cada ser humano conduz a sua vida cotidiana, já que para a obtenção de qualquer mudança sempre será necessária a introdução de novos hábitos saudáveis e cuidados pontuais com o corpo e os problemas de saúde.  

A obesidade, responsável por resultar em doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, se apresenta como um dos fatores pontuais que levam à busca da incorporação de novos hábitos saudáveis na mudança do estilo vida. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade está entre as doenças que mais matam no mundo, tendo sua maioria como reflexos diretos.  


A obesidade está entre as doenças que mais mata no mundo. (Foto: Reprodução/Michal Jarmoluk/Pixabay)


 

Embora que a mudança do estilo de vida possa partir da adequação de uma alimentação mais correta ou da prática de atividades físicas direcionadas para perda de peso, alguns casos podem se apresentar como irreversíveis, apenas com dieta e a prática de atividade física, como na obesidade mórbida, em que o excesso de peso é dado pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, indicando na maioria desses casos a necessidade da cirurgia bariátrica. 

A busca por esses novos hábitos de vida saudável, seja por estética, indicação de sintomas leves ou na presença de quadros com agravamento clínico, o auxílio profissional deve estar presente em todas as etapas. Para que essas escolhas surtam efeitos imediatos na vida dos pacientes, é sempre necessário um acompanhamento profissional de qualidade. 

 

Os problemas decorrentes da obesidade para a saúde pública 

A obesidade é uma das doenças que mais afeta pessoas no mundo. Além dos problemas relacionados à estética, a obesidade causa problemas de saúde crônicos – como o diabetes e o aumento dos índices de hipertensão e infarto do miocárdio – causando um impacto devastador ao planejamento dos cuidados à saúde. 

Em estudo realizado no final de 2020, na coleta dos resultados da última Pesquisa Nacional de Saúde, o IBGE apresentou que entre 2003 e 2019 a ocorrência de obesidade entre brasileiros acima de 20 anos passou de 12,2 para 26,8%, dobrando a estimativa. 

 

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De acordo com o médico Luiz Gabriel Signorelli, gestor de saúde pública, os impactos causados pelas doenças crônicas geradas pela obesidade são muitos e necessitam de atenção, independente do grau em que se apresentem. “Quanto mais doenças crônicas se fizerem presentes, maior será o custo gerado para a saúde pública, principalmente por se tratarem de doenças silenciosas, assintomáticas, que quando apresentam sinais já se comportam como quadros irreversíveis, na maioria dos casos”, explicou o médico. 

Outro impacto ressaltado pelo gestor se destina a necessidade da obtenção de equipamentos específicos aos obesos, onde “as estruturas necessitam de adaptações”. Segundo ele, o impacto se tornou mais evidente com a extensão da pandemia do coronavírus, onde muitos pacientes vieram a óbito devido a sua patologia. 

 

Estado nutricional e mudanças alimentares: como o comportamento alimentar influencia no emagrecimento 

 

Comportamento alimentar e alimentação saudável. (Foto: Reprodução/Steve Buissinne/Pixabay)


A condição multifatorial em que a obesidade se apresenta, caracterizada pelo acúmulo excessivo de tecido adiposo, reforça a preocupação com a doença referente aos danos causados à saúde.  

O aumento da taxa de obesidade no Brasil chama a atenção para a presença de fatores multideterminantes que, segundo a nutricionista Daisy Fini, atenua a importância de levar em consideração o estilo de vida, o comportamento alimentar e o estado nutricional dessas pessoas que buscam uma mudança corporal e de vida. 

“A palavra emagrecimento é mais procurada no Google do que a palavra felicidade, isso traduz que boa parte das pessoas que sofrem com a obesidade elas querem fazer alguma coisa para mudar, e só dá para pensar nessa mudança se tivermos a presença de uma dieta hipocalórica, onde se come menos do que se gasta”, ressaltou a Daisy, ao abordar a necessidade de se fazer escolhas diferentes na busca por resultados. 

Ao abordar o tema como um fator predominantemente nutricional, a especialista ainda reforçou a tese de que “apenas a dieta com redução de calorias não é suficiente, é necessário que o paciente mude sua rotina completamente, se exercitando regularmente e sustentando as escolhas a longo prazo”. 

Para que haja um emagrecimento constante é necessário que todo o comportamento alimentar sofra alterações e seja regrado, uma mudança que passa pelos estados psicológicos, ambientais e naturais de cada indivíduo. 

 

O tratamento da obesidade por meio da cirurgia bariátrica

A cirurgia bariátrica é indicada, na maioria dos casos, para pacientes que não obtiveram êxito com o tratamento clínico através do uso de medicamentos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), no ano de 2019 foram realizados mais de 68 mil procedimentos, dando margem a 0,5% da população com indicação de tratamento cirúrgico. 

Entre os fatores que se apresentam como indicadores para a realização da intervenção cirúrgica está direcionado as pessoas que possuem um Índice de Massa Corporal (IMC) maior ou superior a 35, podendo apresentar algum tipo de comorbidade associada a doença, como diabetes, pressão alta e dislipidemia. 


Segundo a nutricionista Daisy Fini, a "palavra obesidade é mais procurada no Google que a palavra felicidade". (Foto: Reprodução/Tania Dimas/Pixabay)


 

O método cirúrgico é visto com cautela pelo médico Paulo Reis, especialista em cirurgia bariátrica e cirurgião geral, que explica sobre os critérios do procedimento. “É necessário que o paciente seja inicialmente avaliado por um especialista, com a intenção de colher as informações do estado de saúde atual do paciente, onde será analisado se o mesmo possui as indicações necessárias para a cirurgia”, explicou. 

O especialista ainda ressaltou que é também no processo “pré-operatório que atua a equipe multidisciplinar (psicólogo, nutricionista, fisioterapeuta e cardiologista), afim de garantir que o paciente esteja 100% apto para poder seguir para o procedimento de internação e cirúrgico”. 

A cirurgia bariátrica, além de ajudar na perda de peso, ajuda no controle das comorbidades, tratando da glicose, da pressão arterial e normalizando os níveis de gordura no sangue. 

 

Os procedimentos estéticos aliados aos novos hábitos e no tratamento pós-operatório

A necessidade das intervenções estéticas se apresenta de forma constante quando o assunto está relacionado à grandes perdas de peso, já que dentro das perspectivas desse processo, seja por dietas rígidas ou pela necessidade da cirurgia bariátrica, há um impacto direto na qualidade da pele. 

Nesse contexto, as cirurgias plásticas surgem como a principal forma eficaz de tratamento para as problemáticas em torno da pele. O cirurgião plástico Matthews Herdy, especialista na área, explica como o método cirúrgico atua no excesso de flacidez. 

“Normalmente, o objetivo maior das cirurgias plásticas é justamente tratar esse excesso de flacidez que, dependendo da quantidade, precisam de auxílio para serem tratadas mais intensamente, como através do Renuvion que ajuda na retração da pele”, enfatizou o cirurgião plástico. 

Em casos onde a pele apresenta uma qualidade abaixo do ideal ou apresenta grandes perdas ponderais – a exemplo dos casos de cirurgia bariátrica, onde o paciente apresenta um amplo peso corporal, ficando com um excedente de pele muito grande – Matthews Herdy explica que “há a necessidade de cirurgias maiores e com grandes cortes, como a abdominoplastia, lifting de braço e de coxas”, finaliza.  

 

 

 

 

Foto destaque: Prescrição de nutricionista. Reprodução/Assessoria.

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