Aline Wirley fala sobre seu novo single e abre o jogo sobre racismo

Publicado 23 de Nov de 2020 às 16:45

Aline Wirley, ex integrante do grupo Rouge, fez o lançamento de seu novo single Curva do Rio na última sexta feira, feriado da Consciência Negra.

Desde 2019, quando o Rouge chegou ao fim, Aline vem focando na sua carreira solo, deixando seus fãs com muitas expectativas sobre os novos lançamentos da cantora. Em entrevista a Quem, Aline falou sobre a nova fase da sua vida, contou um pouco sobre racismo e como ela e o marido cuidam do filho Antonio, de 5 anos.

"É um trabalho de muita entrega. Curva do Rio é uma música forte, muito potente. Ela fala sobre a minha ancestralidade, sobre a força da minha raça. é uma música que eu gosto muito e que, especialmente, está sendo lançada no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. Não existe melhor data para colocar essa canção no mundo", contou Aline.

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Aline explica mais um pouco sobre a nova música, e o que o público pode esperar de Curva do Rio. "Eu costumo dizer que esse trabalho é uma mistura de Beyoncé com Maria Bethânia. Vocês que lutem para entender. É um trabalho profundo, uma análise sobre meus sentimentos, sobre a minha identidade. Se tiver que catalogar ele, diria que está mais para MPB, mas ele tem uma batida que foge um pouco. Não é pop. É uma música mais densa, mais provocativa", explicou a cantora.

Racismo

"Fico muito feliz por ter hoje tanto acesso a pensadores negros, ativistas, a pessoas que fazem a diferença com o seu discurso. Eu aprendo com cada uma delas. Tenho muito orgulho da minha raça, de quem eu sou. E faço questão de passar isso para o meu filho. Mas, por muito tempo, ficava num lugar passivo na vida, sabe?! Hoje, não mais! Não tolero racismo. Não tolero preconceito. E não tolerar tem a ver com a expansão da minha consciência e o domínio do conhecimento que eu tenho hoje. A transição capilar foi um processo transformador na minha vida", fala Aline.


Aline aproveitando a piscina com seu marido e ator Igor Ricciardo e o filho do casal Antonio. (Reprodução/Instagram)


 

Como todas as pessoas, Aline não esconde que tem seus momentos de fragilidade, e conta que já foi sim vítima de inúmeros preconceitos, principalmente por ser negra e ser casada com um loiro dos olhos azuis. " Quando eu raspei a cabeça, por exemplo, falaram que eu tinha feito feitiço para amarrar o Igor a mim. Pois é... Foram incontáveis as vezes em que o preconceito se manifestou. Mas, sou uma mulher forte. Filha de uma mulher forte. Eu respiro, me mantenho de pé e sigo em frente. Prefiro valorizar o que é bom. O que não é bom, eu processo no meu interior e deixo para trás", conta a ex integrante do grupo Rouge.

Filho

Aline conta que conversa muito com seu filho sobre racismo, mas que com apenas 6 anos, não tem um entendimento muito claro do assunto. "Ele não está isento mesmo. Ele já passou por preconceito. É que ele ainda não tem idade para dimensionar. Eu e o pai dele conversamos muito com ele. É claro que, com seis anos, tem um limite de entendimento. Mas como filho de um homem branco e de uma mulher negra, nós fazemos questão de que ele saiba e tenha orgulho de suas origens. E ele tem! Ele sabe que ele é branco, que ele é preto. Que ele é fruto desse amor. E ele se ama. Isso, para mim, não tem preço", diz Aline

Assalto durante a quarentena

Aline contou um pouco como está sendo passar a quarentena ao lado de seu marido e do filho, e se recorda do dia em que teve sua casa assaltada. " Nossa casa foi assaltada. Tivemos que lidar com esse episódio e ressignificar o nosso lar. Lidar com o Antônio, que ficou se sentindo sozinho e triste longe dos amigos. Foram muitas questões para administrar. E olha que eu sei que estávamos num lugar de privilégio, porque muitas pessoas não podiam ficar em casa", finaliza a cantora.

 

Foto destaque: Aline Wirley. (Reprodução/TvGlobo)

 

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