A revista internacional The Lancet HIV, um dos principais veículos voltados para divulgação de pesquisas sobre a AIDS, publicou um estudo no qual são analisados os impactos no combate ao vírus HIV a partir da redução do auxílio internacional fornecido a organizações que trabalham com a prevenção da doença. Segundo os dados divulgados, cerca de 10,8 milhões de novos casos podem ser registrados e, até 2030, o número de vítimas pode atingir 2,9 milhões.
O combate a AIDS representa um esforço conjunto entre diversas nações, que fornecem verbas para o financiamento de programas que atuam na difusão de métodos preventivos contra a doença, além de realizar testes em pacientes que possam estar infectados e contribuir para o acesso ao tratamento de pessoas diagnosticadas. Essas iniciativas operam, principalmente, em países que apresentam renda média e baixa. Apesar disso, a coautora do estudo da revista The Lancet HIV, Debra ten Brink, destaca que os impactos na redução dos recursos podem ser globais.
Durante os anos de 2010 até 2023, os países que receberam auxílio internacional reduziram o número de mortes causadas pela AIDS em 10,3%. Com o corte de verbas, todas essas organizações de combate ao HIV serão afetadas, podendo, inclusive, encerrar suas atividades.
Principais países que fornecem auxílio internacional
Atualmente, cinco países são os principais responsáveis pelo financiamento de serviços internacionais de combate ao HIV: Estados Unidos, França, Alemanha, Holanda e Reino Unido. Somadas, tais nações representam 90% de toda a ajuda fornecida. Com cortes anunciados por essas nações, porém, a redução do auxílio internacional pode atingir o valor de 24% até 2026.
O caso dos Estados Unidos
Os Estados Unidos representam o maior doador de recursos no combate ao HIV. No início deste ano, porém, ao assumir seu segundo mandato, o presidente norte-americano Donald Trump anunciou o encerramento do auxílio fornecido pelo país.
Segundo o governo Trump, a decisão foi tomada com o intuito de economizar recursos para os contribuintes estadunidenses e impedir fraudes com verbas do governo. No entanto, nenhuma prova foi fornecida para comprovar os argumentos apresentados.
O congelamento dos recursos fornecidos pelos Estados Unidos foi uma das medidas do presidente Donald Trump, logo ao assumir em janeiro deste ano (Vídeo: Reprodução/YouTube/@cnnbrasil)
Em manifestação contra a atitude dos Estados Unidos, a Organização Mundial da Saúde alertou para o aumento significativo no número de mortes causado pelo corte de verbas, afirmando que, tais medidas “podem levar ao aumento de novas infecções e mortes, revertendo décadas de progresso e possivelmente levando o mundo de volta aos anos 1980 e 1990, quando milhões morriam de HIV a cada ano…”.
Ainda segundo o estudo da revista The Lancet HIV, mesmo que o corte de recursos fique em vigor por pouco tempo, como meses, os impactos sofridos já poderão representar atrasos significativos na luta contra a AIDS.
Foto Destaque: Ajuda internacional é uma das principais formas de combate a disseminação do vírus HIV, causador da AIDS (Reprodução/Instagram/@opovoonline)