Iza estrela primeira capa de revista internacional e destaca representatividade preta

Estrelando a primeira capa de revista internacional, a cantora fez questão de comentar sobre a falta de representatividade preta no Brasil e incentivar a liberdade capilar da mulher negra.

25 nov, 2021

Iza acaba de estrelar a primeira capa de revista internacional da sua carreira. A Allure, revista norte-americana com foco em beleza, destaca o tamanho da importância de Iza no cenário artístico brasileiro, além dos grandes números em seus videoclipes. A “/Edição Melanina”/ faz parte de um especial que exalta a representatividade preta no mundo.

“/”/É comovente quando as pessoas dizem que sou um símbolo de beleza no Brasil. Mas sempre digo que eu só posso representar algumas pessoas, e não todas as mulheres negras. Somos plurais, tão diferentes, precisamos de mais espaço”/”/, fala Iza, que relembra as dificuldades que passou quando era criança, por conta de seu cabelo e sua cor.


Iza Allure

Iza é, pela primeira vez, capa de revista internacional (Foto: Reprodução/Thaís Vandanezi/Allure)


“/”/Quando eu era mais jovem, tipo 12 anos de idade, eu pedi a minha mãe para alisar meu cabelo. Eu falava, “/Por favor!”/. Eu não aguentava mais na escola. Eu apenas queria me encaixar. Eu não tinha as ferramentas para cuidar do meu cabelo natural. O fato é que é muito difícil criar amor-próprio quando o mercado, quando o mundo, não te dá as escovas certas”/”/, conta a cantora.


Iza capa de revista

Iza falou sobre a importância da representatividade preta (Foto: Reprodução/Thaís Vandanezi/Allure)


Iza faz questão de eslarecer que uma mulher preta é bem mais que seu cabelo, contando sobre a vontade constante de mudar o visual, com os cabelos naturais ou não. “/”/Primeiro que mulheres negras foram atacadas por conta do cabelo natural, porque era visto como sujo, danificado, era alvo de piadas racistas e os fios naturais, mesmo sabendo que o chefe poderia dizer que era inapropriado, ou o namorado não te achasse tão bonita. Isso era político porque estávamos dizendo: “/Estou usando meu cabelo natural, não me importo com o que você pensa”/. Esse foi o primeiro momento da resistência, que foi muito importante. Mas também acho importante que as mulheres, em geral, são livres para usar e serem o que quiserem. Se quiser ir natural, eu vou, se quiser ficar careca, vou ficar, e se quiser usar algo liso e loiro, usarei. Eu não sou o meu cabelo. Sou mais do que isso”/”/.


Iza revista 2

Iza contou sobre as dificuldades que passou durante a infância e adolescência por conta do cabelo (Foto: Reprodução/Thaís Vandanezi/Allure)


No Brasil, segundo o IBGE, 56% da população brasileira se considera preta ou parda, enquanto 44% se considera branca. Apesar de estarem em menor número ganham, em média, 74% a mais do que os negros e pardos. Um relatório publicado pelo Minory Rights Group Internacional diz que 78% dos afro-brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza, em comparação com 40% dos brancos.  

Iza entende bem essa desigualdade. “/”/Infelizmente, sou uma exceção aqui no Brasil. Sou uma negra com formação superior e isso não é uma coisa que se vê muito. A população negra é a parte mais pobre da nossa sociedade”/”/.

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Sobre seu contato com a música, a cantora carioca, de 31 anos, conta sobre uma experiência que teve quando ainda era criança. “/”/Eu tinha seis anos. Não tinha meus amigos perto de mim e nem meus primos perto de mim, então estava passando muito tempo sozinha”/”/, fala ela, relembrando que a família havia acabado de se mudar. “/”/Entrei no quarto dos meus pais e encontrei um CD de Brian McKnight (cantor e músico norte-americano de R&B e Soul) chamado “/Renember You”/ e pulei para a segunda música, “/On The Floor. Fiquei arrepiada e meu primeiro instinto foi desligá-lo porque me sentia estranha. Quando meus pais foram trabalhar, eu voltei (para o quarto deles) e toquei o CD. Comecei a cantar. Eu não tinha ideia do que estava cantando ou significado das letras, mas estava cantando e sentindo a às vezes chorando”/”/.

 

Foto destaque: Iza. Reprodução/Thaís Vandanezi/Allure

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