A Xiaomi tem se tornado uma das marcas mais conhecidas e populares aqui no Brasil nos últimos anos, sobretudo por conta da venda de smartphones com ótimo custo-benefício, em comparação com as concorrentes. Contudo, o aparente declínio nas vendas desse setor motivaram a empresa chinesa buscar uma diversificação no seu portfólio; atualmente, a Xiaomi está dando os primeiros passos para ingressar na indústria de produção de veículos. Segundo informações divulgadas pela empresa nesta terça-feira (29), o processo inicial está até mesmo um pouco avançado em relação ao cronograma estabelecido no começo do ano.
Baixo no mercado de smartphones
Com a queda na venda de aparelhos móveis, a ideia da Xiaomi é desenvolver e comercializar EVs, ou veículos elétricos, tendo recebido a aprovação do planejador estatal da China para isso, conforme informou à Reuters ainda este mês.
Lu Weibing, presidente da companhia, disse durante uma conferência voltada aos analistas que os planos da empresa para iniciar a produção em massa de EVs no primeiro semestre de 2024 continuam inalterados. “O nosso progresso atual está até mesmo acima de nossas expectativas quando estabelecemos o cronograma original”, afirmou.
A Xiaomi pretende investir cerca de US$ 10 bilhões ao longo da próxima década no setor automotivo.
Receita da companhia diminuiu em relação ao ano passado
Esse movimento chega em boa hora, pois a receita divulgada pela companhia no trimestre passado chegou a 67,4 bilhões de yuans (US$ 9,2 bilhões, em conversão), inferior aos 70,17 bilhões arrecadados no mesmo trimestre de 2022. Essa, contudo, ainda é uma quantia acima dos 65,13 bilhões antecipados por analistas.
No mesmo período, o lucro líquido da empresa aumentou para 5,14 bilhões de iuans. Trata-se de um aumento significativo de 147%, também acima do esperado. A Xiaomi afirmou que esse aumento é derivado da redução de custos e das melhorias de eficiência empregadas pela companhia, principalmente em lojas físicas.
O Xiaomi T77, novo modelo de EV divulgado pela empresa (Foto: Divulgação/Xiaomi).
“Apesar dos ventos desfavoráveis na macroeconomia global, continuamos com a nossa forte presença”, disse Lu Weibing. “Vários de nossos concorrentes já saíram de certos setores nesse clima desafiador, mas não importa quão complexos sejam os desafios, manteremos nossa posição no mercado”, concluiu.
A demanda chinesa por smartphones teve uma queda de 5% no segundo trimestre deste ano, de acordo com a empresa Canalys. As vendas da Xiaomi, portanto, caíram em 19%, para 8,6 milhões de unidades. Em seu principal mercado externo, a Índia, elas caíram para 22%, cerca de 5,4 milhões de aparelhos.
Foto destaque: Escritório principal da Xiaomi. Reprodução/Xiaomi