Governo Trump forma força-tarefa para investigar Obama após divulgação de documentos
Casa Branca acusa ex-presidente de “caça às bruxas” por investigação após eleições americanas de 2016; denúncia tenta desviar foco do caso Epstein

Nesta quinta-feira (24), o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou a criação de uma força-tarefa para apurar alegações não-comprovadas do presidente Donald Trump contra Barack Obama e seus assessores. Segundo a instituição, o ex-presidente e sua equipe teriam aberto uma investigação sobre a ligação da campanha de Trump com a Rússia nas eleições de 2016 para destruir o republicano.
A medida, feita em um curto comunicado no site do departamento, integra uma campanha de retaliação a Obama iniciada há algumas semanas por Trump. Para analistas políticos, ela simboliza também uma tentativa da Casa Branca de redirecionar a atenção da mídia sobre o caso Epstein e a ligação do presidente com o empresário, preso por tráfico sexual de menores em 2019.
Divulgação de documentos fundamentaram medida
O anúncio do departamento de justiça ocorreu após a divulgação de novos documentos pela diretora de Inteligência nacional, Tulsi Gabbard. Em ataques ao ex-presidente Obama, ela afirmou que os novos documentos comprovam erros após uma investigação feita em 2016, que apontou interferência russa a favor de Donald Trump nas eleições daquele ano.
Após o resultado que deu vitória a Trump em 2016, Obama ordenou uma investigação que, segundo Gabbard, estava sujeita a “diretrizes incomuns” do ex-presidente. Para ela, essa análise de inteligência se baseou em fontes desconhecidas e pouco claras e foi uma “conspiração golpista e traiçoeira” de anos contra Trump.
Tulsi Gabbard em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (23) (Foto: reprodução/ Chip Somodevilla/Getty Images Embed)
Democratas consideram divulgação “irresponsável”
Tanto os documentos divulgados nesta quarta-feira (23) quanto na semana passada, apontam que autoridades do governo Obama apressaram as agências de inteligência na investigação, pois queriam concluir uma revisão da investigação antes do término do mandato. No entanto, não há provas que indiquem comportamento criminoso ou uma contradição após interferência nas eleições.
Para jornalistas, o senador Mark Warner, principal democrata na Comissão de Inteligência do Senado, afirmou que a publicação dos documentos coloca em risco o trabalho do serviço de inteligência americano. “A divulgação desesperada e irresponsável do relatório partidário da Inteligência da Câmara coloca em risco algumas das fontes e métodos mais sensíveis que nossa comunidade de inteligência usa para espionar a Rússia e manter os americanos seguros” disse Warner.
O recente documento divulgado por Gabbard é um relatório do Comitê de Inteligência da Câmara de 2017, neste período, a casa era chefiada por republicanos. No parecer, os parlamentares contestaram a conclusão de dezembro de 2016 de que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, interferiu nas eleições a favor de Trump, em busca de prejudicar Hillary Clinton, candidata democrata daquelas eleições.
Apenas congressistas republicanos participaram do relatório de 2017 e das suas revisões feitas em 2020.