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Wagner Moura bate um papo no 'Roda Viva' sobre 'Marighella'

Wagner Moura respondeu algumas perguntas sobre o filme 'Marighella', e comentou algumas coisas dos bastidores, no programa Roda Viva, da TV Cultura.

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02 Nov 2021 - 13h17 | Atualizado em 02 Nov 2021 - 13h17

Na última segunda-feira, Wagner Moura participou do programa Roda Viva, da TV Cultura. O diretor falou bastante sobre seu primeiro filme, 'Marighella'. A entrevista foi grande e complexa e aqui está os principais pontos da conversa. 

A entrevista começou com o Wagner dizendo como estava se sentindo sobre o lançamento do filme no Brasil "Tá tudo misturado, porque esse alívio e essa alegria de estar lançando o filme aqui, finalmente, ela é reforçada pelo período que estivemos impossibilidados de lançar o filme. Mas as pré-estreias, todas, Salvador, Fortaleza, Rio, São Paulo, e logo as que vão fazer nos movimentos sociais, todas elas tem sido tão bonitas e tão emocionantes. Porque esse sentimentos que eu tenho, que é um filme feito para o Brasil e não é somente um filme sobre os que resistiram a ditadura militar nos anos 60 e 70, mas também é sobre os resistem hoje no Brasil, fica muito forte nas pré-estreias. Os movimentos sociais estão chegando em peso nas pré-estreias, Colizão Negra Por Diretos, MST, MTST, Levante da Juventude, e não só eles, eu sinto que a gente tem recebido muito amor pra um filme que tem sido tão atacado, com tanta volência desde da época do financiamento até agora, e seguimos sendo atacados. Chegar as pré-estreias e receber amor das pessoas. As pessoas olharem pro filme e dizer 'Nós queremos que esse filme aconteça, queremos que esse filme estreie, a luta de Marighella é a nossa luta nesse momento', isso para mim tá sendo muito bom, estou muito feliz", disse Wagner.

Perguntado sobre quais foram as referências para fazer o filme, ele respondeu: "Este é claramente um filme dirigido por um ator [...] Eu fico muito feliz quando as pessoas elogiam as atuações no filme, porque elas são muito potentes, e eu como ator queria que isso acontecesse , não só dirigindo os atores mas quando estava escrevendo o roteiro. Os meus personagens, eu como artista, como ator, a coisa que mais prezo na vida é ter personagens complexos, personagens que não chapados, que não são vetores para um discurso político . Então os personagens de Marighuela, inclussive o próprio Marighela é um personagem muito complexo no meu filme. E quando eu digo que é um filme dirigido por um ator, não é só por isso [...] a minha vivência no set, é a minha vivência de ator, então poucas vezes eu ficava no monitor, no video system olhando, eu estava ali com eles o tempo todo, tomado pela mesma energia que estava contagiando os atores ali em cena. Então você vai reparar que a minha câmera está sempre muito próxima dos atores, quase como se fosse eu mesmo ali dentro", e continuou falando sobre as cenas de ação, "Eu tratei essas cenas de conflito, ditas como de ação, como tratei as outras cenas do filme [...] Eu nunca tratei as cenas de ação como cenas espetaculares, o espetaculo da ação, a minha câmera nunca está parada observando o espetaculo. O meu interesse é o que está acontecendo com aqueles personagens naquele momento que eles estão, naquela situação. Então esse é um filme dirigido por um ator. Eu também filmei do jeito que eu gosto de ser filmado quando trabalho como ator, eu não gosto muito de muita posição de câmera, não gosto muito quando o fluxo da cena é interrompido, se eu puder resolver a cena com uma posição de câmera ou duas, (porque) três já está muito. Porque eu gosto quando os atores fluem, a energia flui, tanto que o plano que abre meu filme é um plano sequência, quando ponho aquele plano no incio do filme eu quero dizer 'Vai ser assim, este vai ser meu filme'. Agora minhas referências são muitas, o Zé padilha é inegavelmente uma referência forte pra mim. Ele me ensinou que um filme político não tá em contradição com o cinema popular, que você pode fazer um filme político e você pode fazer um filme para as pessoas. Eu sou um artista que eu gosto de comunicar com as pessoas, o Tropa me ensinou isso, e a própria linguagem do Zé. E o Zé filma de um jeito que eu gosto muito, muita câmera na mão, muita energia no set. Mas uma referência muito forte pra mim são os irmãos Dardenne porque o meu filme tem muita gente jovem, o Marighuela é um cara de 57 anos, morreu com 57 mas cercado de gente que tinha 19, 18, 20 (anos). E eu gosto muito da maneira que os Dardenne filmam os conflitos da juventude, são os meus cineastas favoritos, e tem essa câmera que se aproxima sempre, que está sempre viva olhando de um lado pro outro", e ele citou de maneira mais breve, Costa-Grava como uma outra referência.


Trailer do filme 'Marighella' (Video: Reprodução/Youtube/Ingresso.com)


Sobre o que 'Marighella' representa, ele disse: "Um filme ou uma obra de arte qualquer é a conjunção do que pensou um realizador no momento em que pensou aquela obra, que a produziu, com o tempo em que aquela obra é apreciada. Então esse filme é contra o Brasil de 2021, e é esse o filme, Marighella agora é esse. Quando Marighella viajou por outros países, eu tive momentos incriveis com o filme, no Chile, que é um país que tem uma ferida aberta com a ditadura militar, era uma coisa muito potente o Marighella lá. Por outro lado na Índia, a curiosidade que eles tinham sobre o que estava acontecendo aqui, (porque) na Índia também tem um presidente de super direita, o filme pra passar lá foi um super sufoco [...] Eu fiz um filme que homenageia, Canudos, Palmares, Malês, as revoltas populares que que houve no Brasil, tantas e que foram contadas sob o ponto de vista do dominador. A história de Marighella e da luta armada é a mesma e de quem está lutando hoje no Brasil, é, esperamos que não seja a mesma né, mas que essa gente se identifique com o meu file agora é a melhor coisa que eu poderia esperar"

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Sobre o que vem a ser o terrorismo, onde todo protestante hoje é chamado de terrorista, "Geralmente os acusados de terrorismo são os pobre, MST é terrorista, Black Lives Matter é terrorista, e isso sempre me incomodou muito [...] Cara, 600 milhões de mortos de covid é terrorismo, 19 milhões de pessoas passando fome no Brasil é terrorismo, Amazônia pegando fogo é terrorismo também, sabe? O ministro da economia que tem conta offshore enquanto o povo paga imposto alto é terrorismo" , e continuou, "A gente não pode admitir um governo federal trabalhar para que um filme não aconteça, para que um produto cultural não aconteça. Até hoje tem gente falando mal do filme, twittando contra o filme, mobilizando a sua militância digital para dar nota baixa pro filme no IMDB [...] Isso tudo que está acontecendo hoje com Marighella, é duro, é difícil falar, é um filme contra um governo. Mas isso aí diz muito mais sobre o estado das coisas no Brasil hoje, do que propriamente o filme que eu fiz. Eu fiz um filme sobre um personagem histórico, você não precisa gostar de Marighella para assistir ao filme, você não prcisa ne ir ver o filme, agora você não pode trabalhar para que um produto cultural seja interditado"


Poster oficial de 'Marighella' (Imagem: Reprodução/O2 Filmes)


E sobre toda a questão com a Ancine, ele falou: "Eu não tenho medo dessa gente, eles são covardes [...] Fazer um filme sobre Marighella, entregar um filme sobre Marighella faz parte de um enfrentamento do qual eu tenho muito orgulho de participar, contra o facismo. A questão contra a Ancine, foi uma questão absolutamente clara de censura. No momento que os negativas que fizemos, o Marighella tinha sio comtemplado com o fundo setorial para complementação da produção, fomos comtemplados e não recebemos o dinheiro porque os dois pedidos da O2 foram negados pela Ancine, no momento em que Bolsonaro abertamente falava em filtragem da Ancine, e que filmes como Bruna Surfistinha não podia existir e que não só Marighella mas vários outros produtos culturais, com temática LGBT no Brasil, estavam sendo cancelados. Eram várias situações que aconteciam ao mesmo tempo, e eu acho que eu estou coinciente da importância de participar desse enfrentamento, assim como vocês jornalistas tem que fazer isso também, não pode esses caras chegarem em Roma e agredir jornalistas dessa maneira, não pode eles darem permissão a essa militância covarde deles de fazer esse tipo de coisa. Então, eu estou aqui com o meu filme, participando com vontade, e estou muito feliz que meu filme esteja sendo abraçado, que as pessoas estejam vendo isso no filme, que estejam vendo que ele é um produto da cultura brasileira, disposto ao enfrentamento"


Entrevista do Wagner Moura no Roda Viva (Video: Reprodução/Youtube/ Roda VIva)


"Marighella é sobre não ter medo, Marighella não teve tempo de ter medo, e essa é época que a gente não pode recuar. E eu quero fazer uma denúncia muito grave, quando eu digo que nós seguimos sendo atacados, é porque os ataques são graves, ontem mesmo nós fomos exibir o filme  na cidade do Prado, no acampamento do MST no Prado, e ontem mesmo vinte homens encapuzados chegara ao acampamento do MST, atiraram nos carros, fizeram gente do MST de refém lá e eu não posso descontextualizar  esse ataque nesse lugar a exibição do filme lá [...] Eu vi isso ontem, conversei com pessoal do MST e disseram que está tudo bem, e eu quero fazer um apelo ao governador Rui Costa, governador da Bahia, e policia da Bahia para que tomem providência e prestem a devidas medidas para que garantir a integridade fisíca das pessoas que estão lá nesse momento. E se você me perguntar se eu tenho medo de ir pra lá, eu não tenho nenhum, eu não sou valentão e nem nada disso e o meu entendimento é que não sou eu, nós todos temos que falar e tomar uma providência porque o estado das coisas é muito grave", disse Wagner.

Assista a entrevista completa acima. 'Marighela' está em pré-estreia em alguns cinemas do Brasil e estreiará de fato na próxima quinta (04). 

 

Foto destaque: Wagner Moura e Seu Jorge. Reprodução/O2 Filmes

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