Saúde

Tecnologia permite ‘criar’ proteína animal em laboratório

Embora encontre desafios, a agricultura celular é um investimento esperançoso para o ramo da alimentação. Em larga escala, a produção pode favorecer o controle dos gases estufa emitidos no planeta.

3 min de leitura
02 Jan 2022 - 16h00 | Atualizado em 02 Jan 2022 - 16h00

Tecnologia promissora, a agricultura celular visa a criação de novas formas de produzir alimento sem utilizar animais no processo. Para isso, cientistas pretendem elaborar réplicas de carne e laticínios em laboratório.

A cadeia alimentícia é responsável por grande parte da emissão de carbono, sendo a criação de gado encarregada de cerca de 14,5% das emissões de gases do efeito estufa. A indústria alimentícia como um todo representa 1/3 das emissões de carbono geradas no planeta, segundo o G1.

Além disso, cada etapa da cadeia alimentícia (desmatamento, transporte, armazenagem e gestão de resíduos) envolve um gasto de carbono. Para romper com tamanho malefício ao ecossistema, como proposto no Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, cientistas trabalham com alternativas ao consumo humano que sejam mais sustentáveis – é onde entra a agricultura celular.  

https://lorena.r7.com/post/Vacinas-Brasil-aplicou-mais-20-milhoes-de-doses-de-reforco

https://lorena.r7.com/post/Como-comecar-a-fazer-exercicios-fisicos

https://lorena.r7.com/post/Aumenta-o-numero-de-pessoas-que-optam-por-retirar-implante-de-silicone


A BBC conheceu dois casos de sucesso a partir da agricultura celular, o caso da start-up Perfect Day e da empresa A TurtleTree Labs de Singapura. Os bioengenheiros Gandhi e Ryan Pandya residem nos Estados Unidos e são responsáveis pela Perfect Day, onde trabalham com fungos geneticamente modificados para produzir certas proteínas do leite, como a proteína do soro. Segundo a agência, a dupla trabalha com genes decodificados para as proteínas do leite:

“Em vez de retirar DNA de uma vaca, eles inserem nos fungos genes já decodificados para as proteínas do leite. Os fungos então produzem as proteínas em um processo de fermentação. O produto resultante pode ser usado para criar um líquido com propriedades similares ao leite ou para fabricar sorvetes ou queijos cremosos, sem o uso de animais”, informa.


Iniciativa propõe uso de leite fabricado em laboratório. Foto: Reprodução/Pixabay. 


Já a TurtleTree Labs, de Singapura, é a primeira empresa do mundo a usar células-tronco de mamíferos para produzir leite em biorreatores. A produção de leite em laboratório diminui a necessidade de vacas no processo, o que reduz a extensa quantidade de gás metano sendo liberada na atmosfera. Fora isto, a TurtleTree garante que os custos do transporte também serão atenuados devido a possibilidade de os biorreatores serem instalados perto dos locais de venda do leite.

Outro produto no qual os cientistas imprimem esforços é a carne, sendo Mark Post o pioneiro na criação de hamburguer em laboratório, no ano de 2013. O alimento criado por ele era composto de pequenos feixes de fibras musculares produzidas com o cultivo de células retiradas de uma vaca. Para o entusiasta, a criação teve um bom começo e sua companhia Mosa Meat tem capacidade de criar 80 mil hambúrgueres atualmente.


Carne também está na lista de alimentos que podem ser produzidos em laboratório. Foto: Reprodução/Pixabay. 


As principais dificuldades para implementar essa nova maneira de fazer alimentos são os custos de produção, que só baixam ao alcançar uma larga escala, e o desperdício da população. Conforme dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), pelo menos 61% dos desperdícios ocorreram nas residências.

O diretor do programa de ambiente e sociedade da organização britânica Chatham House, Tim Benton, afirmou que se diminuirmos a demanda por alimentos, será possível reduzir a agricultura intensiva, fazendo com que a biodiversidade não seja destruída por produtos químicos e demais agentes tóxicos ao ecossistema. "Não é uma bala de prata. Toda a arquitetura de inovação e renovação dos sistemas de gestão é muito importante para que todo o sistema alimentar se transforme em um sistema de baixa emissão de carbono", finaliza.

 

Foto Destaque: Leite puro. Foto: Reprodução/Pixabay. 

Deixe um comentário