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Sem apoio do Ministério da Defesa, famílias russas procuram sozinhos soldados desaparecidos

Ente 70 mil a 80 mil soldados russos foram mortos na Guerra da Ucrânia, segundo o Pentágono. Sem a colaboração do governo, familiares criam rede de apoio e pesquisa na tentativa de acharem seus entes e conhecidos convocados

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08 Nov 2022 - 11h40 | Atualizado em 08 Nov 2022 - 11h40

Mais um triste drama paira em meio a Guerra da Ucrânia: famílias russas tentam encontrar seus entes desaparecidos desde que o conflito começou, em meados de fevereiro. A missão deveria ser atribuída ao Ministério da Defesa da Rússia, porém a falta de preocupação, despreparo e desorganização do órgão resultou uma onda de indignação ao povo russo, que decidiram, por sua vez, assumir a extensa e trabalhosa tarefa, segundo uma matéria especial publicada pelo jornal O Globo.

"Conseguir informações sobre soldados russos que estão na guerra, que foram feitos prisioneiros ou que morreram é um problema desde o início do conflito. Ninguém no Ministério da Defesa esperava tal escala e simplesmente não criaram os serviços apropriados", afirmou Sergei Krivenko, diretor de um grupo de direitos humanos que presta assistência jurídica a soldados no país. De acordo com o Pentágono, 70 a 80 mil soldados da Rússia foram abatidos desde o início do conflito armado, com ainda outras centenas de milhares desaparecidos. Somente em duas ocasiões que a Rússia anunciou publicamente um número de baixas de seu quartel: no fim de março e em setembro, com Sergei Shoigu, ministro da Defesa do país, oficializando 6 mil mortes de soldados.

Com o sistema falho de contagem e busca de desaparecidos e mortos na guerra, cabe às famílias o doloroso processo, como uma tentativa de acharem seus entes familiares, que vão desde irmãos, pais a filhos, como é o caso da cidadã russa Irina Chistyakova. Em uma conversa com a equipe do O Globo, Irina relatou seus métodos de apuração para tentar encontrar seu filho, Kirill Chistyakova, jovem-adulto de 19 anos convocado pelo governo. A última vez que contatou o filho foi em março, e, desde então, Irina Chistyakova visita recorrentemente o principal necrotério militar da Rússia, situada na cidade de Rostov, sudeste do país. O extenso necrotério fica em uam área interna de uma série de armazéns, atrás de um hospital militar.


Reservistas russos embarcam em um ônibus em um ponto de encontro na cidade de Volzhsky, na Rússia. (Foto:Reprodução/ Reuters/Stringer)


Foi no necrotério militar que Irina disse ter visto mais de 500 fotografias de cadáveres de soldados russos, com sua própria pesquisa descobrindo que 32 soldados do pelotão de seu filho foram mortos, quatro estão desaparecidos e quatro permanecem vivos. No local, familiares podem ter acesso a dezenas de computadores que mostram os últimos registros dos soldados, ainda um psicólogo militar fica nos arredores das instalações oferecendo tranquilizantes e amparo . Muitas das vezes, corpos de combatentes russos nem chegam ao necrotério, ficando nas estradas e zonas de guerra para não atrasarem outras ofensivas ou defensivas. Tendo em mente isso, Irina Chistyakova até viajou a Donetsk, no Leste da Ucrânia e zona ativa de embates. A mãe russa também disse ter enviado carta ao presidente Vladimir Putin pedindo respostas, assinadas por parentes de mais de 100 desaparecidos.

Outras táticas de descoberta de informações aderidas aos familiares russos, que tentam encontrar seus entes convocados à Guerra da Ucrânia, são ligações diretas para o Ministério da Defesa, contato com outros soldados e/ou comandantes, apelar para líderes de províncias e municípios ambiente da guerra e grupos online com outras famílias de soldados russos preocupados e tensos com a falta de atualizações sobre seus conhecidos e familiares. No caso dos grupos de bate-papo online, foram criados inúmeros chats com centenas de pessoas dentro, muitas vezes focadas em soldados de uma determinada região ou de unidades específicas. Além da rede de informação. estes grupos também compartilham mensagens de apoio e também até frustração, com parcelas de russos suspeitando que espiões ucrianianos podem estar ativos no grupo a fim de explorar informações sobre os soldados.

Mesmo com muitas alternativas de busca e empenho massivo destes cidadãos, a maioria sai sem respostas. "Nós não damos a mínima para a política. Se eles foram mortos, apenas devolvam seus corpos", disse Irina Chistyakova, que atualmente ainda busca notícias de seu filho Kirill Chistyakova.


Irina Chistyakova (direita) ao lado de seu filho Kirill Chistyakova (esquerda) em sua convocação. (Foto: Reprodução/ Acervo Pessoal/ O Globo)


Ucranianos que estão desaparecidos, desde o início do conflito armado contra a Rússia, são rastreados por uma equipe composta por militares e civis voluntariados, em mais de sete lugares que foram palco de embates, resposta bem diferente em comparação com sua rival. Segundo Oleh Kotenko, responsável ucraniano para organizar o esforço de rastreamento de pessoas desaparecidas, disse que 15% dos desaparecidos são civis e mais de 4 mil soldados eainda não foram encontrados.

Vladimir Putin ordenou no dia 21 de setembro que o Ministério da Defesa, em conjunto com o Exército da Rússia, fizessem uma mobilização militar em todo o país, a primeira feita desde a Segunda Guerra Mundial. Ao todo, 318 mil reservistas foram convocados para lutar na Ucrânia. Putin, nesta segunda-feira, 7, ao portal de notícias Interfax, oficializou que destes mais de 300 mil novos combatentes, 50 mil soldados russos estão já lutando contra unidades de defesa da Ucrânia; 80 mil estão “na zona da operação militar especial” – o termo que a Rússia usa para sua guerra na Ucrânia – e o restante dos 188 mil recrutas estão em campos de treinamento na Rússia.

Desde o início da mobilização, pesquisas de como sair do país e até a consideração de quebrar partes do corpo de maneira rápida tiveram saltos exponenciais, além de manifestações contra o andamento da guerra que resultaram em mais de 1000 pessoas detidas, tendo em vista a grande retomada dos soldados ucranianos frente à guerra. Estima-se que mais de 6 mil quilómetros de quadrados de território por meio de suas contra-ofensivas.

 

Foto Destaque: Retrato da guerra, com soldados mortos pelo conflito. (Foto: Reprodução/ Jahis Laizans/ Reuters)

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