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Primeiro lutador gay de MMA sonha com chance de competir em grandes eventos

Washington Souza, também chamado de Princesinha Dourada, é o pioneiro entre os homens em atividade no MMA a se declarar homossexual e, através das lutas, ergue a bandeira LGBT

3 min de leitura
25 Abr 2022 - 11h50 | Atualizado em 25 Abr 2022 - 11h50

Na história do MMA brasileiro nunca houve um lutador em atividade que assume ser homossexual. Porém, o tal tabu começou a ser quebrado por Washington Duarte Souza (conhecido em sua academia como: “Princesinha Dourada”), originário de Laranjal do Jari, município localizado ao Sul do Amapá. 

Assumidamente gay, o lutador de 29 anos, em reportagem do Fantástico, afirma não se lembrar de quando se descobriu homossexual. Segundo Washington, sempre foi algo natural por toda a sua vida. No ambiente da academia, sob a liderança do treinador Ricardo macaco e tendo como um de seus atletas o ex-UFC Tiago Trator, Dorado sempre foi muito bem tratado pelos companheiros e encarado como um atleta com potencial para chegar aos grandes eventos. No entanto, mesmo com tudo isso, o rapaz foi vítima de preconceito dentro do MMA.


Washington Souza junto a Ricardo Macaco e Tiago Trator. (Foto: Reprodução/Globo Esporte)


Washington conta o caso: “Primeira parte de preconceito que tive dentro do MMA foi um rapaz de uma cidade vizinha. Ele falou pro meu professor de jiu-jítsu que, se ele perdesse pra mim, ele iria embora da cidade. Eu ganhei a luta no primeiro round, nocauteei o menino e ele saiu da cidade.” 

O treinador ratifica a fala com: “Aconteceu um episódio, um lutador na época falou que, se ele perdesse, ele ia embora. Então, a luta foi fechada. Chegou o dia do evento, Dourado foi lá e ganhou e o cara foi tão ‘chicotado’ que, de um tempo pra cá, sumiu. E hoje não mora mais na cidade.”

O cartel do rapaz no site “Sherdog” (plataforma onde são registrados os resultados de lutadores de MMA em todo o mundo) conta com cinco vitórias e duas derrotas, tendo três resultados positivos, apesar de Washington garantir ter mais de 30 lutas em sua carreira. Segundo Tiago Trator, o jovem lutador está pronto para enfrentar “o top 1 do Brasil” na categoria até 61 kg. O ex-UFC, também, lembra de outro episódio onde acredita que seu amigo e companheiro de equipe tenha sido atingido por preconceito.


Washington Souza sonha em participar de grandes eventos. (Foto: Reprodução/Globo Esporte)


“Fui levar ele para lutar em Macapá, simplesmente ele deu um show, ganhou os três rounds. No resultado dos juízes deram a luta para o oponente dele. E todos que estavam presentes no evento viram que ele ganhou a luta e creio que teve um certo preconceito pela parte de ele ser homossexual.” 

A lutadora Jéssica Bate-Estaca, que protagonizou a primeira luta da história do UFC entre duas atletas homossexuais (quando enfrentou Liz Carmouche), acredita que é o machismo combinado com a homofobia que dificulta o surgimento de atletas gays no MMA masculino, já que tal esporte costumeiramente é taxado de “coisa de homem”. 


Jessica Bate-Estaca, ex-campeã de peso-palha do UFC. (Foto: Reprodução/Umuarama Ilustardo)


A ex-campeã do peso-palha do UFC fala: “Dentro do mundo do MMA, nunca conheci (lutadores homossexuais do sexo masculino). Mulheres a gente costuma ver bastante, agora é muito difícil ter homens assumidos. Pode existir algum, mas que assumiu, até hoje não conheci. Acredito que o mesmo preconceito que há de ter mulheres lutando MMA na visão das pessoas de "ah, não é uma profissão pra mulheres", também seria uma coisa muito machista de um homem assumir que é gay e ser lutador de MMA. A visão que é passada de lutador de MMA é do cara fortão, super hétero, que bate, que briga, essa é a visão. Para a mulher é mais fácil, a mulher já nasceu cheia de tabus, de preconceitos de profissão, que mulher tem que ser só dona de casa e mãe, então, pra gente, assumir é motivo de força. De mostrar que sou forte, sou decidida na minha vida, sou gay e não tenho problema de expor isso pro mundo porque não me importo com o que as pessoas vão dizer, porque a vida inteira eu sofri preconceito.”

Nos tempos atuais, Washington teve a chance apenas de lutar em eventos no Amapá. O lutador tem o sonho de ter oportunidades em eventos de maior escala. O mesmo acredita que a sua posição pode incentivar outros lutadores homossexuais a se assumirem publicamente, além de utilizar o esporte com o propósito de erguer a bandeira contra a homofobia.

“Meu sonho é lutar em grandes eventos de MMA e ter uma oportunidade que até hoje não tive. Acredito em mim mesmo e tenho potencial para isso. O único (gay) assumido (no MMA) está sendo eu. Sei que tem mais pessoas, só que elas têm medo do preconceito, do que as pessoas vão falar. Elas têm medo da reação de muitas partes da academia. (Peço para eles) aparecerem e dizerem seus nomes, baterem no peito. Estou aqui, também vim fazer parte, vim somar e quero que eles tenham essa coragem. Mostrar para as pessoas que a gente pode ir além daquilo que tentam limitar a gente.”, finalizou.

 

 

Foto Destaque: Washington Souza é o primeiro lutador de MMA assumidamente gay. Reprodução/Globo Esporte.

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