Família de Fiuk diz que vai processar psicóloga: "Não tem propriedade"

Publicado 01 de Feb de 2021 às 14:56

A família de Fiuk pretende processar a psicóloga Manuela Xavier, após fazer uma live criticando o comportamento do ator dentro do reality Big Brother Brasil. Na live feita no sábado (30), a psicóloga falou sobre diversos participantes e debateu a "cultura do cancelamento".

Talitha Zuppo, advogada da família de Fiuk, diz que está acompanhando o caso. "Ela não tem propriedade. A inscrição dela no Conselho Regional de Psicologia está cancelada. Eu e minha equipe estamos tomando todas as medidas legais e cabíveis contra ela. A Justiça vai prevalecer e ela não vai poder falar mais sobre o Fiuk ou sobre o Filipe Kartalian Ayrosa Galvão em qualquer meio de comunicação", disse Talitha, em contato com a Revista Quem nesse domingo (31).

Na live, Manuela disse: "Logo naquele primeiro discurso dele, na roda com os outros participantes, eu vi que ele era uó. Como ele se veste de mulher e acha isso legal? A máscara cai. Meu compromisso é com as mulheres que sofrem com a violência doméstica. O relacionamento abusivo vai extraindo muitas coisas das mulheres, como autoestima, autonomia. O relacionamento abusivo gera danos gravíssimos. E falo isso porque vivi. A minha antena apita".

Nos stories do Instagram, ela destacou os posts de Fiuk no BBB como "boy probleminha", após dizer que o cantor não é o tipo que vai chamar a mulher de escrota, e sim dizer que se magoou muito, dividindo a culpa como aconteceu na situação da xepa, onde ele comeu uma banana que não podia. "Isso é uma característica típica de boy probleminha. É um tipo de cara que não mata no peito a responsabilidade", alegou a psicóloga.

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A psicóloga Manuela Xavier fez diversos stories falando sobre Fiuk com o título de "boy probleminha" (Foto: Reprodução/Instagram)


Se defendendo, Manuela diz que não está julgando o ator, apenas que ele representa um perfil comportamental que compõe o que ela chama de "boy probleminha". Em seguida, ela afirma que não está analisando o Fiuk e sim o discurso e arquétipo Fiuk. "Em um programa com recorde de pessoas pretas, Fiuk, que vem como camarote, dizer que teve uma vida muito difícil é uma sacanagem. Ele é branco, cis, hétero, rico, padrão, veio de uma família rica e ainda é famoso. Esse é o momento dele entender esse lugar ao invés de tomar um protagonismo de que realmente teve uma vida muito difícil”, afirmou.

Na noite de domingo (31), Manuela divulgou uma carta para Talitha e Cristina - mãe de Fiuk. Leia abaixo: 

"Queridas, é o nome de vocês duas que estampa uma notificação extra judicial que chega ao meu e-mail. Talitha, é o seu nome que aparece no meu direct pedindo que eu tome conta da minha vida amarga, e também foi o seu nome que chegou aos portais de comunicação entregando a ameaça de me processar. Cristina, que é também o nome da minha mãe, é o nome que aparece como notificante. A minha mãe, a mãe do Filipe, que coincidência, carregam o mesmo nome. Escrevo abertamente a vocês duas como uma forma de dizer que eu sinto muito. Sinto muito que o patriarcado empurre mulheres umas contra as outras. Sinto muito que mulheres se sirvam de instrumentos cisheteropatriarcais de poder para silenciar uma mulher que se levanta, com seu corpo e sua voz, em nome de outras mulheres. Sinto muito que ainda hoje, um homem mobilize tantas mulheres. Sinto muito que a mordaça do patriarcado faz lustrar as minúcias de um homem e universaliza o próprio homem como se tudo fosse sobre ele. Talitha, eu podia processar você.

Eu fui orientada a notificar você na OAB pelas suas ameaças. Você sabe que seus atos violaram a conduta ética da profissão. Mas eu não vou fazê-lo. Porque eu, Manuela Xavier, não vou me servir dos instrumentos histporicamente e institucionalmente utilizados para manter as mulheres nos lugares de silêncio e obediência. Talitha e Cristina, vocês ainda não sabem, mas estamos do mesmo lado: somos mulheres, temos um mundo inteiro contra nós. Eu não vou me levantar contra vocês. Querem seguir adiante com o processo? Com a tentativa de censura? Boa sorte, isso é o que o patriarcado espera de vocês.

Mas saibam que com isso vocês ferem uma mulher que usa seu espaço, sua vida e sua voz a serviço de que não haja nenhuma de nós oprimidas, silenciadas, violadas ou mortas. Eu quero as mulheres vivas e fortes em suas vozes. E se eu luto pela voz das mulheres, eu quero que vocês também tenham preservadas as vozes de vocês. Sigo aberta ao diálogo. E desejando que vocês entendam que nessa luta, estamos do mesmo lado. Simone de Beauvoir apontou: o opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os oprimidos. É o patriarcado contra nós, manas. É preciso escolher um lado, e o meu lado é o das mulheres. Seguirei atenta, firme e forte. Ano passado eu não morri, e esse ano eu também não morro.

Com amor e resistência, Manuela Xavier".


O que Manuela Xavier disse sobre Fiuk (Foto: Reprodução/Instagram)


Leia o posicionamento oficial abaixo:

"A psicanalista Manuela Xavier vem a público, por meio dos seus advogados, informar que tem sido vítima de ameaças e agressões morais por parte de uma pessoa que se intitula advogada do Sr. Filipe Kartalian Ayrosa Galvão, publicamente conhecido pelo nome artístico Fiuk. Desde o dia 26/01/2021, a psicanalista faz posts em seu Instagram com intuito de analisar socialmente, a partir da perspectiva feminista e psicanalítica, as ressonâncias sociais dos comportamentos dos participantes do reality show Big Brother Brasil. Especificamente no dia 30/01/21, a Dra. Manuela fez uma live no YouTube, na qual analisou uma cena de grande repercussão entre dois participantes do reality show, demonstrando os possíveis problemas decorrentes de um comportamento específico de Fiuk, reforçando que este comportamento é corriqueiro em relações amorosas.

Durante esta mesma live, a Dra. Manuela começou a sofrer ameaças e agressões morais. É fundamental esclarecer que a análise da Dra. Manuela se faz, única e exclusivamente, a partir da ética psicanalítica - que se sustenta na análise de discurso - e pela ótica feminista. Não se trata de uma análise de determinada pessoa, uma vez que essa pessoa não está sob os cuidados clínicos da Dra. Manuela.

A análise é sempre crítica, política e social. Além disso, a psicanalista não atribuiu qualquer característica difamatória ou caluniosa à pessoa examinada, apenas uma análise psicológica e subjetiva daqueles atos. Manuela Xavier é psicóloga de formação, mestre e doutora em psicologia clínica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Além de se dedicar exclusivamente ao exercício da psicanálise clínica, a doutora exerce relevante ativismo social, atuando como defensora dos direitos e interesses das mulheres e de minorias sociais. Na maioria das vezes, sua atuação consiste na análise de casos concretos, de forma a esclarecer para a sociedade atos corriqueiros que devem ser evitados segundo sua opinião profissional. Da mesma forma, a psicanalista emite manifestos e opiniões acerca de notícias e eventos ocorridos na sociedade como forma de defender os interesses das mulheres e daqueles que são vítimas de preconceito.

Ao contrário do que foi falsamente veiculado pela agressora, a própria Dra. Manuela suspendeu a respectiva inscrição no Conselho Regional de Psicologia (CRP), tendo em vista que o exercício da atividade de psicanálise não exige tal registro. Como a Dra. Manuela Xavier é militante em favor dos direitos das mulheres e das minorias socialmente excluídas, suas manifestações tendem a incomodar. Contudo, o trabalho exercido pela psicanalista e feminista é fundamental para a concretização da igualdade de direitos e o aprimoramento do Estado Democrático de Direito. O Estado Democrático de Direito tem como principal e relevante alicerce a liberdade de expressão dos cidadãos, que é, diariamente, exercida pela Dra. Manuela em suas redes sociais.

No que tange as ameaças e agressões morais já proferidas pela suposta advogada do Sr. Filipe Kartalian Ayrosa Gaivão (Fiuk), estas serão apuradas e tratadas através dos meios legais cabíveis. Por fim, a psicanalista informa que continuará exercendo seus direitos constitucionais e atuando em defesa dos direitos das mulheres e das minorias, independentemente de quaisquer ameaças ou agressões que venha a sofrer".

 

(Foto Destaque: Fiuk e sua mãe, Cristina Kartalian. Reprodução/TV Globo)

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