Exclusivo: Novo relacionamento entre a moda e arte, por Marcel Lemarc

Publicado 18 de Feb de 2021 às 11:25

Recentemente as maiores marcas de calçados Dakota e Tanara, escolheram entre os melhores artistas modernos o artista plástico Marcel Lemarc (@lemarc.arts), para a produção de uma nova parceria, onde fariam uma intervenções em produtos best-sellers.

Com a parceria fechada o jovem artista plástico Lemarc, customizou 2 modelos exclusivos de botas em cores vibrantes, com respingos e pinceladas solta (no estilo Pollock), peças únicas para item de colecionador.


Botas customizadas. (Modelo:  Angélica Kaiser. Fotógrafo: Cláudio Logatto)


O artista plastico Marcel nos concedeu um pequena entrevista, onde ele nos conta como surgiu a proposta de juntar a arte e a moda, e também, um pouco de sua carreira.

Como suirgiu o convite para a parceria? 

 

"Em janeiro de 2020 eu participei de uma exposição em uma galeria da cidade de São Paulo em que preparei um painel preto e branco de 2 metros que os visitantes podiam interagir. A pessoa vestia uma jaqueta que ficava ao lado da obra e boom... Entrava na tela!

 

O efeito visual em foto gerava uma confusão estética única dando uma sensação de completa imersão na obra! A “brincadeira” deu tão certo que passou a ser um dos espaços mais visitados da galeria e ali eu pude mostrar um pouco mais do meu trabalho e graças a um dealer da galeria eu fui indicado para essa experiência com o mundo da moda. "


 

Lemarc expoarteSp (Foto: Cláudio Logatto )


 

De onde veio sua inspiração? Como foi seu processo de criação? 

 

"A inspiração para as botas veio justamente do painel e da jaqueta da exposição, eu quis reproduzir a técnica em algo diferente e que pudesse remeter diretamente ao meu trabalho e a minha busca de proporcionar estampas únicas e experiências visuais em tudo aquilo que faço."

 

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Quais foram as dificuldades desse processo? 

 

"Com toda certeza, a maior dificuldade foi enfrentar os desafios da Pandemia, quando fui procurado não podíamos fazer nenhum encontro presencial de alinhamento e tudo precisou ser feito à distância, por aplicativos e por áudios até chegarmos na linha de trabalho. Tudo precisou ser despachado, desinfetado... Uma verdadeira correria de logística tendo em vista os desafios de 2020. "

 

Como você vê essa junção de arte e moda? 

 

"Eu vejo a Moda e Arte como formas de expressões pelas quais as pessoas mostram suas crenças, sentimentos, desejos e, principalmente, suas identidades. Nós buscamos fazer parte de algo, queremos deixar nossa marca, sermos reconhecidos por outros semelhantes, mas no mundo das artes esses pensamentos ficam um pouco mais restritos ao público de museus, galerias e artistas. A linguagem da moda vem justamente para tornar mais escalável a transmissão desses questionamentos, dessas mensagens, ajudando a atingir grandes públicos e novos espaços."


Arte e moda (Foto: Cláudio Logatto)


 

Quais os outros trabalhos que envolvem a arte e a moda que você já participou? 

 

"A minha experiência de juntar arte e moda veio da necessidade de encontrar alternativas para viver financeiramente das minhas criações. Por mais paixão e talento que uma pessoa tenha, existe um lado que não da para fugir que é o da parte financeira. Nosso país enfrente desafios estruturais gigantescos e para um artista conseguir viver de arte ele precisa vender... Telas e painéis têm um ticket alto de entrada e não se vendem facilmente... E a moda surgiu para mim como uma alternativa para conseguir levantar um dinheiro para preparar minha saída do escritório de advocacia que eu trabalhava."

 

Como foi essa troca grande entre o direito e a arte? Quais foram os motivos da mudança? 

 

"Eu não planejei passar a minha vida tentando promover Arte e sua importância para nós, humanos... Eu sequer dava relevância para o assunto. Acreditava que seria um mensageiro da justiça, um agente ativo de transformação na vida das pessoas e que meus materiais de trabalho seriam paletó, gravata e cuspe. 

 

Isso tudo com toda a energia dos 23 anos de idade! Tudo deu certo para o carinha do interior, me mudei para Brasília e pude frequentar as principais cortes e conhecer quem eu estudava, quem fazia acontecer, estava exatamente onde todo mundo que eu conversava da minha área queria estar. No topo! 

 

Na visão panorâmica que esse lugar me trouxe eu senti algo que jamais imaginei sentir... Vazio... Vazio de vida, vazio de paz, vazio de amor, vazio de inspiração... Mesmo em uma cidade feita por Oscar Niemeyer. 

 

Nesse momento eu tive a noção que não bastariam boa vontade e ternos alinhados para tentar ajudar a melhorar alguma coisa... Por maior que seja a conquista de se tornar advogado, quando você passa, você passa também a fazer parte de uma estrutura engessada, pesada e ineficiente chamada poder judiciário. 

 

Depois de afastar muitas pessoas por esse conflito interno do que fazer da vida e me sabotar de várias formas, eu decidi que algo precisava mudar e procurei ajuda na psicologia e em terapias até cair no mundo da Arte. 

 

Desde então, rajada após rajada eu fui descobrindo a capacidade de criar no caos de cores algo único, irreproduzível! Capaz de me fazer sentir vivo, existindo... Nessa caminhada descobri que as vezes são necessárias camadas e camadas de cores (acontecimentos na vida) para que nossa obra comece a tomar forma. 

 

Foi assim que ressuscitei minha alma e através da Arte encontrei um caminho que me provoca todo dia e que me faz querer levantar da cama para tentar esse sonho doido de viver de Arte! Hoje consigo fazer minha micro-parte para que alguma micro-coisa mude.  Nem que seja de cor!"

 

Foto destaque: Botas customizadas, por Marcel Lemarc. Fotógrafo: Cláudio Logatto 

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