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É descoberto poema inédito de Mario Quintana

Foi descoberto por um livreiro em Porto Alegre o poema inédito “Canção do Primeiro do Ano” assinado pelo poeta Mario Quintana

3 min de leitura
21 Jan 2022 - 10h17 | Atualizado em 21 Jan 2022 - 10h17

Há cerca de duas semanas, foi descoberto um poema inédito de Mario Quintana, em Porto Alegre, dentro de um livro, também do poeta, que foi adquirido por um livreiro. George Augusto, encontrou o manuscrito intitulado de “Canção do Primeiro do Ano”, dentro de um livro do poeta de uma coleção particular que conta com mais de 5 mil livros.

Poema inédito, datado de 1º de janeiro de 1941, o papel amarelado é assinado por Quintana, foi comparado por George e Antônio Hohlfeldt (diretor do Theatro São Pedro) a outros registros que possuem a letra de Quintana. Devido ao conjunto de características envolvendo a escrita do poeta, não restaram dúvidas de que o manuscrito se trata de algo legítimo e original.

O livro chamou atenção por conter duas dedicatórias, indicando que foi repassado de presente para pessoas diferente, por isso George folheou o volume e encontrou entre as páginas o papel amarelado, dobrado.


Poema encontrado em livro de Mário Quintana. (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)


George disse que foi como encontrar bilhetes de loteria. “Encontramos cartas, encontramos poemas de amor, encontramos poemas de desespero de um amor rompido, e podemos encontrar inclusive uma moeda de luar como esse poema do Quintana que foi efetivamente o que aconteceu, foi assim que se processou essa visita do anjo Quintana para todos nós”, contou George.

Gilberto Schwartzmann, presidente da Associação de Amigos da Biblioteca Pública Estadual do RS, alega que o documento é original e diz que o poema é um “mistério”.  A associação comprou o manuscrito e o livro, que ficaram no acervo da biblioteca. Há de ser marcada uma cerimônia. Uma exposição está prevista na Casa de Cultura Mario Quintana, no centro de Porto Alegre, onde o poeta morava.

Abaixo poema trasncrito :

Canção do primeiro do ano

Pelas estradas antigas
As horas vêm a cantar.
As horas são raparigas,
Entram na praça a dançar.

As horas são raparigas…

E a doce algazarra sua
De rua em rua se ouvia.
De casa em casa, na rua,
Uma janela se abria.

As horas são raparigas
Lindas de ouvir e de olhar.
As horas cantam cantigas

E eu vivo só de momentos,
Sou como as nuvens do céu…

Prendi a rosa dos ventos
Na fita do meu chapéu.
Uma por uma, as janelas
Se abriram de par em par.

As horas são raparigas…

Passam na rua a dançar.
As horas são raparigas
Lindas de ouvir e de olhar.

As horas cantam cantigas
E eu vivo só de momentos,
Sou como as nuvens do céu…

Prendi a rosa dos ventos
Na fita do meu chapéu.

Uma por uma, as janelas
Se abriram de par em par.

As horas são raparigas

 

Foto destaque: poeta Mário Quintana. Reprodução/ Dulce Helfer

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