Debutando com “Bridgerton”: primeira temporada

Publicado 15 de Jan de 2021 às 10:37

Para um seriado lançado no dia de Natal, pode-se imaginar algo bem pomposo. Sim, caro leitor, a palavra pode parecer antiga, mas é bem adequada ao contexto de Bridgerton. Se você, assim como eu, já leu os livros de Julia Quinn entenderá, mas se não, se prepare para entrar num universo de espartilhos, rendas, bailes e mais bailes, orgulho, romance e grana!

Bridgerton é baseada na série de livros com quase o mesmo nome, exceto porque está no plural: Os Bridgertons. Assim como os livros, a série em cada temporada tratará de um integrante da família. O que ajuda bastante os fãs a compreenderem a árvore genealógica e mergulhar dentro de cada personagem.

Nesta primeira temporada, temos a doce Daphne Bridgerton (Phoebe Dynevor) de uma boa linhagem, filha de um visconde, com uma larga família e procurando um esposo (rico). As mulheres eram educadas para este momento, para o momento de debutar, serem aceitas formalmente na sociedade e se casarem. Mesmo que o tema pareça antiquado, a premissa do livro e da série é encontrar o amor, onde não se espera.

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A família Bridgerton. (Foto: Reprodução/Netflix)


Daphne tem a forte proteção de Anthony, seu irmão mais velho e o novo visconde. Cheio de vontades e demasiadamente rígido, a moça entra num circuito sem fim de bailes e pretendentes não aprovados. Até que, um amigo de longa data de Anthony está de passagem por Londres, o Duque de Hastings (Regé-Jean Page).

No entanto, apesar de sua riqueza de berço e título, Hastings leva fama de mulherengo, farrista – levando a muitos embates quando ele tenta cortejar Daphne. É claro, ela não se deixaria levar tão facilmente, apenas se respaldou no rapaz para conseguir, digamos, que um pretendente à altura.

As coisas saem do rumo e já pode imaginar. Muitas indiretas, palavras não ditas, mas uma paixão em ascendência. Vale levantar que Bridgerton trabalha muitas caraterísticas interessantes: bela fotografia, figurinos impecáveis, roteiro desenvolvido com primor, mesmo com diferenças de adaptação livro versus série, o resultado é bonito e bastante convincente. Os personagens são bem construídos, embora possa sentir falta de humor e até mesmo, de diálogos mais apaixonados.


O Duque de Hastings e Daphe Bridgerton. (Foto: Reprodução/Netflix)


A história de Hastings é sensível, porém fica um pouco desconexa, por falta de atribuições na próprio enredo da produção. Já Daphne é crescente, a evolução é natural e vemos no final, não mais uma menina, mas uma mulher.

Enquanto a família Bridgerton, apesar de algumas reações muito diferentes do que temos na história original, palmas para a personagem Eloise, irmã de Daphne (Claudia Jessie) – firme, forte e engraçada na medida certa. Ela quer liberdade, tudo que na época era proibido às mulheres.  E claro, Lady Whistledown – a fofoqueira mais escondida de Londres. Ácida, direta e perspicaz – aqui ela é revelada rapidamente. Aproveite, porque no livro demora bastante.

É preciso colocar em voga a escolha dos personagens pela Netflix. Como a história se passa no início de 1800, pessoas negras não tinham posições na nobreza. Aqui, a Netflix mudou este cenário preconceituoso e racista e trouxe protagonista, nobres e famílias ricas num contexto multirracial.

Embora, não trabalhe o tema como voz de engajamento (infelizmente), mas é perceptível a aderência do público a uma luta que precisamos lutar todos os dias: o racismo. O seriado aborda de forma bastante rápida, em poucos diálogos, o que as pessoas negras conquistaram – aqui, caberia mais força e espaço, mas não foi o intuito da série. 

Em suma, a série é delicada, sensível e faz o coração aquecer. Só tenho uma recomendação: assista e prepare-se para querer ir em todos os bailes londrinos. Os quais, certamente, acontecerão nas próximas temporadas.

 


(Vídeo: Reprodução/YouTube)


 

 (Foto/Destaque: Bridgerton. Reprodução/Netflix)

 

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