Covid-19 e os destaques da semana

Publicado 01 de Nov de 2020 às 14:46

O Brasil teve 159.909 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h deste domingo (1), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Desde o balanço das 20h de sábado (31), dois estados atualizaram seus dados, Ceará e Roraima.

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No sábado, às 20h, o balanço indicou 340 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas, chegando ao total de 159.902 óbitos desde o começo da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 425. A variação foi de -12% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de estabilidade nas mortes por Covid, ou seja, quando não houve aumento ou queda significativa no período.

Em casos confirmados, desde o começo da pandemia, 5.534.731 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 15.203 desses confirmados no último dia. A média móvel de novos casos nos últimos 7 dias foi de 21.930 por dia, uma variação de 11% em relação aos casos registrados em duas semanas. Ou seja, indica volta à estabilidade após quatro dias de aumento.


Capitais da região Sul e Oeste do país, apresentam sinais fortes de crescimento por covid-19 (Foto:Reprodução/Tvi24)


Dez capitais brasileiras tiveram aumento nas hospitalizações por covid-19

Há quase dois meses os dados oficiais da pandemia do coronavírus indicam sinais de arrefecimento no Brasil. O número de mortes notificadas diariamente, que estacionou ao longo de meses acima da trágica marca de mil óbitos, agora está em torno de 500.

Mas o país segue vendo a pandemia se espalhar sobre o seu território com distintas velocidades, e a tendência de queda geral contrasta com o fato de que dez capitais brasileiras apresentaram sinais de retomada de crescimento das infecções nas últimas semanas, segundo o Infogripe, um grupo da Fiocruz que acompanha as internações hospitalares por síndrome respiratória aguda grave, corrige atrasos de notificação e calcula a probabilidade de crescimento de contágio em todo o país.

Aracaju, Florianópolis, Fortaleza, João Pessoa, Macapá, Maceió e Salvador são as que apresentam sinais fortes deste crescimento, enquanto Belém, São Luís e São Paulo apresentam sinais moderados. Esta é a primeira semana que São Paulo dá sinais de que o contágio parou de cair e pode ver o contágio voltar a crescer. Esse aumento de internações,  concentrado especialmente em capitais do Nordeste, uma das primeiras regiões a vivenciar o quadro mais grave da pandemia no país, ainda está muito distante da demanda apresentada no auge da crise.

Desde então, o país fechou 65% das vagas de UTI abertas emergencialmente e as medidas de distanciamento começaram a ser relaxadas à medida que os casos diminuíam. Mas esse relaxamento, somado à preocupação com as movimentações decorrentes da campanha eleitoral, têm feito alguns Estados voltarem a sofrer pressão em seus sistemas de saúde, recuando da flexibilização do isolamento e anunciando a reabertura de novos leitos.

Mutação em 2ª onda do coronavírus foi detectada em Aragón, na Espanha

Na última quinta-feira (29), foi divulgado que o estudo preliminar do grupo indica que a nova variante, batizada de 20A. EU1, pode ajudar a traçar a disseminação do vírus e ainda auxiliar nas medidas de restrição para conter a pandemia. De acordo com Iñaki Comas, chefe da Unidade Genômica de Tuberculose do Instituto de Biomedicina de Valencia (IBV), essa pesquisa relacionada a descoberta da nova cepa já se alastrou por diversos países da Europa. As amostras estão em análise na Espanha desde abril. A identificação deste novo genótipo foi constatada com apenas três semanas e com isso a necessidade de publicar imediatamente esse estudo do consórcio espanhol SeqCOVID em parceria com pesquisadores suíços.

A fim de identificar essa nova variante do vírus batizada de 20A. EU1,  as sequências do genoma de 4 mil amostras foram enviadas pelos 30 hospitais e centros médicos espanhóis. Essa variante do vírus, que caracteriza a segunda onda na Europa, foi identificada pela primeira vez em Caspe e Alcañiz, na região de Aragón, no norte da Espanha, por volta da metade de junho e acabou se disseminando entre trabalhadores da zona rural de Huesca e Lleida, sempre na mesma região. Os primeiros casos foram detectados na Espanha e na Holanda. O que está confirmado é que a propagação dessa variante se deu a partir do território espanhol principalmente durante o período de férias na Europa.

Pesquisadores acreditam que o vírus mutado tenha passado de Aragón para a região da Catalunha e Valência e, em seguida, para o resto da Europa. Essa nova cepa, que hoje é uma das mais frequentes no continente, representa 80% das novas infecções na Espanha e 35% na Suíça, segundo os últimos dados. Vale lembrar que mutações nos genes podem ocorrer a todo momento nos vírus. No vírus da gripe comum, se verificam quatro mutações ao mês. No do coronavírus, duas. Um dos fatores que influem no desaparecimento ou diminuição de uma cepa é, por exemplo, o isolamento, o famoso lockdown.

Algo que aconteceu na primeira onda, com as medidas restritivas, conteve a potência do vírus. Quando a curva se estabilizou, houve um certo afrouxamento com a abertura das fronteiras e a não obrigatoriedade de máscaras e distanciamento social. Aí surgiu a oportunidade para a variante se empossar do território. A Alemanha acha que é difícil vacinar seus 83 milhões de habitantes até o final de 2021. Segundo, Thomas Mertens, chefe do Comitê Permanente de Vacinação do Instituto Robert Koch, agência alemã de controle e prevenção de doenças, a aplicação de 100 mil doses por dia seria “um grande desafio”.

O que o SUS, a Alemanha e a recaída europeia dizem sobre a doença no Brasil

No Brasil, o SUS chega a atender 1 milhão de pessoas por dia nas campanhas de vacinação contra a gripe. Em alguns anos, esteve preparado para vacinar quase 1,5 milhão de pessoas por dia, em cerca de 65 mil postos. Mesmo sem vacina, alguns países como Alemanha, Estados Unidos, Indonésia ou Brasil, se preparam para distribuí-las a partir de dezembro. Cientistas discutem ainda a possibilidade de, a princípio, usar as vacinas apenas de modo comedido, limitado e experimental. Há quem diga que a vacinação precoce pode até atrapalhar a continuidade dos testes de eficácia e segurança, que ainda prosseguirão por meses ou anos.

De acordo com, Anthony Fauci, chefe do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas e a autoridade oficial americana em matéria de Covid nesta semana, talvez em dezembro apareçam dados suficientes para que uma ou duas das vacinas que estão sendo testadas nos Estados Unidos possam ser submetidas à aprovação das autoridades sanitárias. A vacinação ficaria então para o início do ano que vem, se tudo der certo.

Na União Europeia, o número diário de mortes baixou muito até julho, quando chegou a 0,2 por milhão de habitantes. Agora, está em 2,9 por milhão, por dia, e crescendo rápido. No Brasil, estamos com duas mortes por milhão, por dia. Mas, há indícios de que a taxa geral de infecção por aqui não seja muito diferente da espanhola, por exemplo, ainda haveria muita gente que pode ser infectada. Assim, em tese, é possível a reinfecção da doença.

Os maiores países da Europa voltaram a fechar as portas de negócios e atividades. Mesmo antes disso, em outubro, a economia já balançava de novo, se é que a recaída na recessão já não estava ocorrendo. Não é o “lockdown” que derruba os negócios, mas a doença. Mesmo quase sem restrições oficiais, o movimento nos trens e metrôs de São Paulo ainda é a metade do que se via no ano passado.

 

(Foto destaque: Covid-19 e os destaques da semana. Reprodução/Engeplus)

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