Covid-19: destaques da semana sobre o Scars-CoV-2

Publicado 15 de Nov de 2020 às 17:34

O coronavírus Sars-CoV-2 já circulava na Itália em setembro de 2019, muito antes do que se imaginava até agora, de acordo com um estudo divulgado neste domingo (15) pelo Instituto dos Tumores de Milão e pela Universidade de Siena. A pesquisa foi publicada pela revista científica Tumori Journal e se baseou em amostras coletadas em 959 pessoas que participaram de uma campanha de detecção de câncer de pulmão entre setembro de 2019 e março de 2020.

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Uma análise no sangue dos participantes mostrou que pelo menos 111 (11,6%) já tinham anticorpos para o Sars-CoV-2. Desses 111, 14% participaram da campanha de rastreio em setembro do ano passado. Até agora, acreditava-se que o novo coronavírus começara a circular na Itália em dezembro. Ainda segundo o estudo, os pacientes que tinham anticorpos já em setembro de 2019 eram provenientes de cinco regiões: Emilia-Romagna, Lazio, Ligúria, Lombardia e Vêneto.

A Itália é um dos países mais atingidos pela pandemia de coronavírus e contabiliza quase 1,2 milhão de casos e mais de 45 mil mortes, de acordo com o Ministério da Saúde. O primeiro contágio foi detectado no fim de janeiro, mas os registros iniciais de transmissão interna apareceram entre 20 e 21 de fevereiro. Para conter a segunda onda da crise sanitária, o governo colocou seis regiões em lockdown (Calábria, Campânia, Lombardia, Piemonte, Toscana e Vale de Aosta), englobando 44% da população nacional.


Estudo indica que coronavírus chegou na Itália em setembro de 2019 (Foto:Reprodução/DW)


Nove capitais no Brasil têm tendência de alta do coronavírus

Apesar da queda recente no número de casos e óbitos de covid-19 no Brasil, passados meses de um persistente cenário de platô, há um sinal de alerta às autoridades. Nove das 27 capitais brasileiras tiveram tendência de alta em casos de coronavírus, segundo boletim de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz. Outras nove capitais têm tendência de estabilidade ou oscilação no período e nove apresentam queda. Dentre as capitais com tendência de alta em pouco mais de um mês, todas são do Norte ou do Nordeste, com exceção de Florianópolis (SC).

As projeções são da plataforma InfoGripe da Fiocruz, com base em dados reportados pelos estados ao Ministério da Saúde sobre os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Os dados são referentes às semanas anteriores ao último boletim, com dados da semana epidemiológica 44, encerrada em 31 de outubro. Ainda não é o caso do Brasil, mas, sobretudo nos países do hemisfério norte, uma segunda onda da covid-19 levou ao fechamento de estabelecimentos e a regras mais rígidas de isolamento novamente nos últimos meses.

Uma série de países europeus voltou a fazer quarentena e, nos Estados Unidos, o país registrou ontem mais de 150.000 casos de coronavírus em um mesmo dia pela primeira vez. O cenário na Europa ainda é preocupante, obrigando a adoção de mais um mês com medidas mais robustas de distanciamento social, o que já impactou em indicadores econômicos como os índices de confiança, de expectativa e PMIs”, afirmou em relatório nesta sexta-feira o economista da Exame Research, Arthur Mota.

Fase Azul é suspensa e SP não terá autorização para eventos com aglomeração

O Governo de SP informou que a Fase Azul foi suspensa no estado pelo Centro de Contingência do Coronavírus. A Fase Azul é a quinta e última fase do Plano São Paulo de retomada às atividades durante a pandemia da Covid-19. Na noite desta quinta-feira (12), o secretário executivo do Centro de Contingência, João Gabbardo, confirmou a informação à CNN.  “A fase azul está suspensa pelo centro de contingência e descartada para 2020”, disse.

Dessa forma, as 645 cidades do estado de São Paulo não terão autorização para qualquer tipo de evento com aglomeração. Portanto continuam proibidos até segunda ondem festas de casamento e aniversários, baladas, shows e velórios com mais de 10 pessoas, por exemplo. O Centro de Contingência do Coronavírus tomou a decisão baseado nas informações da segunda onda de contaminação que está acontecendo na Europa.

Anteriormente à decisão da suspensão, o Centro de Contingência já havia informado que seriam necessárias três condições para avançar para a última fase do Plano SP, que seria uma diminuição significativa nos números da doença, um remédio capaz de curar as pessoas contaminadas ou uma vacina eficaz. O governo já usou como medida comunicar as cidades sobre um eventual recuo do plano de desmobilização de leitos dos hospitais. O alerta foi de que os quartos de tratamento de pacientes com Covid-19 que fossem liberados para pacientes com outras doenças, podem ter que ser novamente reservados para pessoas contaminadas com o vírus.

Coronavírus é encontrado em embalagem de carne bovina enviada do Brasil à China

A cidade de Wuhan, na China, epicentro do coronavírus, anunciou nesta sexta-feira (13) que o SARS-CoV-2 foi encontrado em embalagens de carne bovina importadas do Brasil. Os produtos são da marca Marfrig Global Foods, originadas da unidade de Várzea Grande, no Mato Grosso, de acordo com o código de registro. As informações foram divulgadas pela Comissão Municipal de Saúde do país asiático, afirmando que três amostras positivas foram detectadas na parte externa das embalagens. A carne entrou na China através da costa leste do país, pelo Porto de Qingdao, chegando no dia 17 de agosto a Wuhan, mas não teria chegado ao mercado.

A comissão revelou ainda que foram adotadas medidas de segurança no local onde estava a carne, com isolamento e desinfecção. Em resposta à Reuters, a Marfrig afirmou que não vai falar sobre o assunto, e o Ministério da Agricultura revelou que ainda não foi notificado pelas autoridades sanitárias do país asiático. Além deste caso, em outubro, o governo chinês também disse que foi detectada a presença do coronavírus em uma carga de carne também bovina da empresa Minerva Foods, que acabou sendo suspensa por uma semana.

No mês de agosto, a prefeitura da cidade de Shenzen, também na China, disse ter encontrado o SARS-CoV-2 em embalagens de frango enviadas do Brasil pela empresa Aurora, de Santa Catarina. A notícia resultou na suspensão voluntária das exportações para a investigação do ocorrido, permanecendo assim até hoje. Um mês depois, em setembro, o mesmo aconteceu com a empresa brasileira Monteiro Indústria de Pescados, com o coronavírus sendo encontrado nas embalagens de uma das cargas.

 

(Foto destaque: Destaques da semana sobre a Covid-19. Reprodução/Pebmed)

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