Coronavírus: assuntos destaques da semana

Publicado 30 de Aug de 2020 às 10:24

Sem apoio do governo, pesquisa da UFPel sobre prevalência do Coronavírus  terá 4° fase com apoio da iniciativa privada

A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) retoma, nesta quinta-feira (27), a pesquisa nacional que avalia a prevalência do coronavírus. A quarta etapa da Epicovid19-BR aplicará testes em moradores de 133 municípios do país até domingo (30).

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Inicialmente, os trabalhos eram apoiados pelo Ministério da Saúde. Mas, em 21 de julho, a universidade perdeu o financiamento do governo federal. Na época, o reitor da UFPel, Pedro Hallal, considerou a decisão como uma ação política.


Pesquisa sobre prevalência do coronavírus. (Foto: Reprodução/ UFPEL)


A continuidade da pesquisa foi possível após receber o investimento do fundo Todos pela Saúde, criado pelo Itaú Unibanco para apoiar o enfrentamento da Covid-19 no Brasil em diversas frentes, entre elas, o suporte a pesquisa científica. O estudo busca conhecer a proporção de casos de coronavírus na população dos principais centros urbanos do país.

Portanto, além de estimar o percentual de brasileiros infectados, a pesquisa permite determinar o percentual de infecções assintomáticas, avaliar os sintomas mais comumente relatados pelos infectados e analisar a velocidade de disseminação do contágio ao longo do tempo.

Fases dos testes

Em sua primeira fase o percentual da população com anticorpos foi de 1,9%. A segunda fase, 3,1%. E, na terceira, 3,8%. Entretanto, o aumento da primeira para a segunda fase é considerado grande e indica que a proporção de pessoas com anticorpos para covid-19 aumentou 53% no país. Já da segunda para a terceira foi de 23%. Contudo, durante as três fases, a pesquisa entrevistou quase 90 mil pessoas de todo o Brasil.

Entre os principais dados já encontrados com os dados deste grupo, estão:

  • Indígenas têm 5 vezes mais risco de desenvolver a Covid-19 devido às condições socioeconômicas
  • Cerca de 90% das pessoas desenvolvem sintomas, contrariando a afirmação de que a maioria dos infectados seriam assintomáticos
  • Crianças são infectadas pelo coronavírus tanto quanto os adultos
  • Para cada caso registrado, existem cerca de seis casos não notificados
  • De cada cem infectados, um vai a óbito

Todavia, os dados da quarta etapa devem ser divulgados na próxima semana.

 

Depois de uma semana em queda país volta a registrar crescimento na transmissão do coronavírus, segundo dados do Imperial College de Londres

Os dados, divulgados nesta quarta-feira (26) pelo jornal Folha de S.Paulo, são do Imperial College, referência em acompanhamento de epidemias como o coronavírus.

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A taxa de transmissão (Rt) da Covid-19 no Brasil subiu esta semana. Na nova avaliação do Imperial College de Londres, o país voltou ao índice de 1, quando a doença alcança patamar de descontrole. Este número simboliza que cada infectado transmite a doença para uma outra pessoa saudável, mantendo a alta circulação do vírus.


Brasil tem alta no número de pessoas contaminadas pelo coronavírus. (Foto: Reprodução/G1)


O Brasil ficou por 16 semanas consecutivas com Rt acima de 1, sendo o país da América Latina com mais longa permanência nos altos índices de transmissão. No entanto, com o fechamento da semana 33, o país chegou a descer o nível para 0,98, mas não conseguiu manter a queda e, novamente, volto a lista de nações com a doença sendo considerada ativa. O status do contágio continua sendo considerado lento a estagnado.

Este é um dos indicadores que ajuda no controle da epidemia, mas, para se manter baixo, precisa estar alinhado com outros elementos. Dentre eles, os números de novos casos e óbitos, taxa de ocupação de leitos, e dados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag).

Taxa de contágio do coronavírus

Na lista dos 69 países avaliados, o Brasil tem a 33ª maior taxa de contágio do coronavírus, uma piora de seis colocações em relação à semana passada. Segundo país com mais mortes e casos por covid-19 na América Latina. O México também observou um significativo aumento no Rt de 0,91 para 0,95, mas ainda mantendo os níveis de controle.

Já a Argentina, que na avaliação anterior estava com o pior índice da região, com Rt de 1,42, esta semana baixou para 1,12. Entretanto, continua na lista de descontrole. O Peru é o único país sul-americano a ter sua taxa de transmissão abaixo de 1 pelo Imperial College.

O país registrou 0,98, o que indica que cada cem infectados contagiam outros 98, que por sua vez passam o vírus para 96, depois 94. Reduzindo o alcance do patógeno. Contudo, a taxa é calculada pelo Imperial College com base no número de mortes reportadas, e não de casos registrados.

Ademais, vale ressaltar que a defasagem entre o momento de contágio e o óbito faz com que mudanças nas políticas de combate à covid-19 levem cerca de duas semanas para se refletirem nos cálculos.

AstraZeneca começa a aplicação de fármaco em humanos no Reino Unido para avaliar eficácia de droga na prevenção e remediação do coronavírus

O laboratório farmacêutico britânico AstraZeneca, que está desenvolvendo em parceria com a Universidade de Oxford uma vacina contra o coronavírus, anunciou nesta terça-feira (25) que iniciou os testes clínicos de um fármaco em humanos para prevenir e tratar a doença.

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Oxford inicia testes clínicos para prevenção do coronavírus. (Foto: Reprodução/Jornal Contábil)


Os primeiros participantes no teste já receberam uma dose do medicamento, que combina dois tipos de anticorpos, explicou a AstraZeneca em um comunicado.

Todavia, a fase 1 dos testes, conta com 48 voluntários saudáveis do Reino Unido, com idades entre 18 e 55 anos, busca determinar se o fármaco é seguro e como responde ao corpo humano. O teste é financiado pelo governo americano, por meio dos Departamentos de Defesa e de Saúde.

O grupo afirmou que os testes constituem uma "etapa importante" para o medicamento, que poderia ser utilizado pelas pessoas expostas ao coronavírus e pelas já infectadas. Entretanto, os resultados da fase 1 são aguardados para antes do fim do ano e, se apresentarem dados conclusivos.

Ademais, a AstraZeneca iniciará os testes de fase 2 e 3, em maior escala, para avaliar a eficácia do fármaco. Em colaboração com cientistas da universidade britânica de Oxford, a AstraZeneca também está desenvolvendo um projeto de vacina contra a covid-19.

Vale ressaltar que o resultado da fase 3 dos testes deve ser publicado somente em setembro. Contudo, de acordo com a imprensa, o presidente Donald Trump está considerando acelerar o processo de aprovação nos Estados Unidos. O governo britânico anunciou na segunda-feira (23) que o Reino Unido seria o primeiro beneficiado pela vacina em caso de aprovação.

(Foto em destaque: Coronavírus e os destaques da semana. Reprodução/BBC)

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