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China intensifica exercícios militares e realiza testes com mísseis perto de Taiwan

A depender da magnitude dos exercícios chineses nos próximos dias, realizados em resposta direta à visita de Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Estados Unidos, a ação pode ser vista como a mais provocativa contra Taiwan em décadas.

3 min de leitura
04 Ago 2022 - 16h00 | Atualizado em 04 Ago 2022 - 16h00

Nesta quinta-feira (4), a China intensificou um período de exercícios militares e teste de mísseis nos arredores de Taiwan. A movimentação terá duração de quatro dias, segundo o governo em Pequim.

A movimentação acontece um dia depois de Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Estados Unidos, fazer uma visita relâmpago a Taiwan.


China intensifica exercícios militares nos arredores de Taiwan. (Foto: Reprodução/Poder360)As manobras, que começaram ao meio-dia local (1h00 de Brasília), incluíram disparos de mísseis convencionais contra as águas da costa leste de Taiwan. (Foto: Reprodução/Poder360)


Alguma sinalização das duas partes no chamado "estreito de Taiwan", que liga a ilha à China continental, não é incomum: exercícios militares, passagem de embarcações militares e outras movimentações foram registradas diversas vezes nos últimos anos.

Mas a movimentação chinesa nas proximidades de Taiwan a partir desta quinta-feira acontece como resposta direta à visita da segunda maior autoridade dos Estados Unidos.

A última vez que um oficial do mesmo patamar visitou Taiwan foi em 1997, o que fez da visita da parlamentar do Partido Democrata um marco histórico, despertando a ira do governo chinês.

Vale destacar que a depender da magnitude dos exercícios chineses nos próximos dias, a ação pode ser vista como a mais provocativa contra Taiwan em décadas.

Taiwan tem um governo autônomo desde 1949, ano em que o Partido Comunista Chinês de Mao Tse-Tung venceu uma guerra civil que perdurava desde 1927. O então líder da China destituído do poder, Chiang Kai-Shek, fugiu com aliados políticos e se refugiou em Taiwan, fundando um governo paralelo.

O caso virou uma disputa entre as "duas Chinas" desde então.

Atualmente, os Estados Unidos não reconhecem mais a independência de Taiwan e embasam sua diplomacia no conceito de "China única", reconhecendo o governo comunista na China continental desde os anos 1970. 

Apesar disso, os americanos dizem defender o "status quo", isto é, que Taiwan continue com governo autônomo frente à China, mesmo que não como um país independente.

A Casa Branca tem tentando convencer a China de que a visita de Pelosi não deve se tornar uma crise global e que não representa uma mudança em sua política de "China única". O governo americano afirma que Pelosi, que é do partido do presidente Joe Biden, tomou a decisão de ir a Taiwan por conta própria.

A China leu a viagem como uma ameaça a sua soberania e disse, antes do embarque de Pelosi, que o movimento poderia ter "consequências".

A chegada de Pelosi a Taiwan acontece ainda enquanto os governos tanto de Biden nos EUA quanto de Xi Jinping na China vivem fortes pressões internas.

Neste ano, Biden enfrenta eleições legislativas em que os democratas caminham para perder a maioria no Congresso, enquanto Xi Jinping deve ser reconduzido ao cargo no Congresso do Partido Comunista, mas sofre com economia crescendo menos e os efeitos da pandemia.

Embora a situação entre China e Taiwan seja antiga, atualmente soma-se ao cenário a possibilidade de o conflito escalar para patamares globais, envolvendo a China, os EUA e, consequentemente, outras potências.

A situação em casa dos dois governos pode intensificar as pressões para mais demonstrações de força na política externa, como a desta quinta-feira.

Sanções

A visita de Nancy Pelosi a Taiwan irritou Pequim, que prometeu fortes retaliações aos Estados Unidos. Até agora, no entanto, foi a ilha asiática que pagou o preço maior pela convidada norte-americana e já começou a sofrer as consequências da visita com uma série de sanções anunciadas pela China.


Deputados de Taiwan e Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos EUA, na chegada a Taiwan, em 2 de agosto de 2022. (Foto: Ministério de Relações Exteriores de Taiwan/Reuters)Deputados de Taiwan e Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos EUA, na chegada a Taiwan, em 2 de agosto de 2022. (Foto: Ministério de Relações Exteriores de Taiwan/Reuters)


Na quarta-feira (3), Pequim suspendeu as importações de itens como produtos de pesca da ide Taiwan e frutas, além de paralisar as exportações de areia natural para a ilha. A alfândega chinesa ainda cancelou as importações de 35 exportadores taiwaneses de biscoitos e doces.

Pequim fez também um bloqueio aeronaval não-oficial, como prévia dos exercícios desta quinta-feira.

As represálias, até agora, têm sido vistas mais como simbólicas que práticas, um recado de Pequim ao governo de Taiwan do que mais pode estar por vir. Especialistas avaliam que as pressões do governo chinês à ilha já iriam aumentar, independente da visita da presidente da Câmara norte-americana.

Visita de Nancy Pelosi

Na visita, que durou menos de 24 horas, Nancy Pelosi encontrou-se com Tsai Ing-wen, a presidente de Taiwan. Além disto, ela fez uma visita ao museu de Direitos Humanos de Taipei e visitou o Parlamento.

Embora Pelosi tenha falado em nome dos Estados Unidos, a visita da presidente da Câmara não foi unanimidade dentro do país. Em 21 de julho, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que é do mesmo partido de Pelosi e próximo a ela, afirmou que os militares avaliavam que a visita não era "uma boa ideia".


A presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, então deputada, em visita surpresa à praça da Paz Celestial em 1991. Pelosi tem um longo histórico de oposição ao governo chinês. (Foto: Reprodução/Associated Press)A presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, então deputada, em visita surpresa à praça da Paz Celestial em 1991. Pelosi tem um longo histórico de oposição ao governo chinês. (Foto: Reprodução/Associated Press)


Ainda assim, a líder da Câmara, que soma um vasto histórico de confronto com a China, insistiu na viagem. Há 30 anos, Pelosi apareceu de surpresa na Praça da Paz Celestial com cartazes em homenagem aos dissidentes do governo chinês mortos no protesto que marcou o local em 1989.

Em 25 anos, esta foi a primeira vez que alguém em um alto cargo do tipo dos Estados Unidos visitou a ilha de 24 milhões de habitantes, que a China reivindica ser parte do seu território. Por isso, Pequim disse que a viagem de Pelosi foi um "sinal severamente errado às forças separatistas a favor da independência de Taiwan".

O governo local afirma ser o verdadeiro governo chinês no exílio. Já os Estados Unidos têm uma política de "ambiguidade estratégica": não reconhecem Taiwan como um Estado, mas mantêm relações com a ilha cada vez mais próximas.

Japão se manifesta

O Japão pediu o fim imediato dos exercícios militares chineses, após indicar que cinco mísseis caíram supostamente em sua zona econômica exclusiva (ZEE) e que quatro deles podem ter sobrevoado a ilha de Taiwan.

"As ações chinesas desta vez têm grande impacto na paz e segurança da região", declarou o chanceler japonês Yoshimasa Hayashi, à margem de uma reunião ministerial de países do sudeste asiático no Camboja.

 

Foto destaque: China intensifica exercícios militares e realiza teste com mísseis perto de Taiwan. Reprodução/Poder Naval

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