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Alta na inflação dos alimentos penaliza principalmente as populações de menor renda

Combinação entre baixa renda e o aumento da inflação faz brasileiros sentirem no bolso o custo de itens essenciais, como conta de luz e gasolina e população mais pobre sofre o dobro.

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27 Ago 2021 - 16h55 | Atulizado em 27 Ago 2021 - 16h55

Com o aumento da inflação desde o ano passado, os preços de alguns itens básicos, como comida, conta de luz e gasolina, nunca estiveram tão altos. Mas o grande problema, explicam os economistas, é a alta nos preços de itens essenciais acompanhada pela baixa renda dos brasileiros.

"No Brasil do momento, a renda está acorrentada ao pé da escada enquanto o elevador do preço segue subindo", diz a economista Juliana Inhasz, coordenadora do curso de graduação em Economia no Insper.


Além do preço dos alimentos, consumo de energia elétrica e combustíveis pressionam o custo de vida. (Reprodução: Laura James/ Pexels)Além do preço dos alimentos, consumo de energia elétrica e combustíveis pressionam o custo de vida. (Reprodução: Laura James/ Pexels)


O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,96% em julho depois de avançar 0,53% no mês anterior, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse foi o maior resultado para um mês de julho desde 2002, quando a alta foi de 1,19%. Em 12 meses, a taxa acumulada até julho foi de 8,99%.

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Para a população mais pobre, apesar do auxílio emergencial colocado em vigor, o  Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) , vinculado ao Ministério da Economia, calcula que famílias mais pobres sentiram quase o dobro da inflação. — A projeção é que o Brasil já tenha voltado ao mapa da fome em 2020.

Segundo levantamento do Procon-SP em parceria com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a cesta para quatro pessoas ficou em 1.064,79 reais em julho de 2020.

Em meio às críticas sobre a alta nos preços, o ministro da Economia, Paulo Guedes, também gerou polêmica nesta semana ao minimizar os impactos da alta na energia."Qual o problema agora que a energia vai ficar um pouco mais cara porque choveu menos? Ou o problema agora é que tá tendo uma exacerbação porque anteciparam as eleições... Tudo bem, vamos tapar o ouvido e vamos atravessar", disse o ministro na quarta-feira(25), afirmando também que a economia brasileira está "voltando com toda força"Entre os motivos dos aumentos de preço no Brasil, estão a alta do dólar e o ciclo de commodities — que favorecem a exportação de alimentos, mas reduzem a oferta no mercado interno.

(Foto destaque: Com a inflação, produtos essenciais têm seus valores aumentados. Reprodução: Anna Shvets/Pexels)

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