Saúde

Ações visam combater doenças tropicais negligenciadas até 2030

Comumente transmitidas por mosquitos, doenças tropicais negligenciadas (DTN’s) acometem 1,7 bilhão de pessoas no mundo, sendo 10 milhões no Brasil. Enfermidades atingem, sobretudo, regiões sem saneamento básico

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23 Fev 2022 - 14h53 | Atualizado em 23 Fev 2022 - 14h53

No ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou um novo roteiro para as Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN’s), como a doença de Chagas, a dengue e a esquistossomose. A Sociedade Brasileira de Medicina Tropical informou que o documento propõe ações de prevenção, controle, eliminação ou erradicação de 20 doenças e grupos de doenças até 2030.

Essas doenças são causadas por micróbios e parasitas, e, em geral, transmitidas por mosquitos. Como estão associadas a condições de baixa renda, atingem principalmente as áreas carentes de saneamento básico, onde o investimento público não chega, que é o caso do Brasil.

"O Brasil foi responsável por 70% das mortes no mundo por doença de Chagas em 2017; contribuiu com 93% dos novos casos de hanseníase e 96% dos casos de leishmaniose visceral do continente, só para citar alguns exemplos", sinaliza Jardel Katz, gerente de pesquisa e desenvolvimento da Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDI).


Taxa de mortalidade causada por doenças tropicais negligenciadas aumentou durante a pandemia (Foto: Reprodução/Agência Brasil).


Conforme indica a Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, as metas do programa estabelecem a erradicação da dracunculose (doença do verme-da-Guiné) e da bouba, diminuição em 90% do número de pessoas que precisam de tratamento para as DTN em geral, pelo menos 100 países com alcance de metas de eliminação de pelo menos uma DTN e reduzir em 75% os anos de vida perdidos ajustados por incapacidade (DALYs) relacionados às DTN. Para isto, o fortalecimento dos sistemas de saúde é um dos focos da intervenção.

Seguindo as metas estabelecidas pelo novo roteiro da OMS, a União de Combate às DTNs pretende oferecer tratamento aos enfermos e reduzir empecilhos à prevenção das doenças. Residente na Inglaterra, Thoko Elphick-Pooley, diretora da entidade, explicou à revista VEJA que a iniciativa não pode ser isolada, cada país precisa mobilizar recursos e envolvimento ativo do governo, parceiros do setor privado e filantropos.

“Temos que atender quem precisa. Fornecer tratamento em massa para populações em risco é uma estratégia fundamental e tem levado a eliminação de algumas doenças”, afirma a líder da União. Elphick-Pooley ainda mencionou a erradicação iminente da oncocercose, doença que castiga a comunidade Yanomami na fronteira entre Venezuela e Brasil. Além de sofrerem com o garimpo ilegal em suas terras, o povo yanomami tem sido vítima de surtos de malária e desnutrição.


Falta de atendimento médico coloca em risco vida de crianças yanomami (Foto: Reprodução/Alexandro Pereira/Rede Amazônica).


Por não se tratar de business, os investimentos governamentais no país negligenciam, gradativamente, a precariedade na qual alguns povos se encontram. A pós-doutora em Epidemiologia pela Universidade de Hopkins, Ethel Maciel, pontuou que as moléstias só são olhadas pela esfera federal quando atingem a classe média. "Às vezes em que chamam a atenção é quando saem do circuito de baixa renda e locais pobres em que normalmente são endêmicas e atingem a classe média, bairros ricos", ressalta.

Em tempo, Thoko Elphick-Pooley contou que a própria OMS sinalizou abordagens para facilitar o cumprimento do novo roteiro de combate às DTNs. Entre elas, estão o melhor acesso a monitoramento, avaliação e diagnóstico, incrementos na logística e no fornecimento de medicamentos e outros produtos, fortalecimento da capacidade de defesa e financiamento da causa.

 

Foto Destaque: Comunidade em situação precária de saúde e higiene. Reprodução/CicloVivo.

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