"101 Dálmatas": clássico da Disney completa 60 anos e ainda é querido pela TV e Cinema

Publicado 25 de Jan de 2021 às 19:54

Clássico dos anos 60 foi responsável por incluir no cinema a figura vilanesca de Cruella de Vil, uma mulher cruel que não se importava com vidas de animais, sobretudo os de pele finas e belas. Criado por Dodie Smith, escritor romancista, os primeiros dálmatas Pongo e Prenda apareceram na TV ao lado de seus donos, Anita e Roger. Chamado de Rua Dálmatas 101”, o clássico dirigido por Clyde Geronimi, Hamilton Luske e Wolfgang Reitherman narra a historia de uma “família” de dálmatas que são cobiçados por uma mulher muito má chamada Cruella.

O memorável clássico da Disney deu vida a uma das vilãs mais “celebradas” de todo o seu escopo de produções. O público acabou se afeiçoando muito à personalidade fria e sem escrúpulos de Cruella Cruel. Cruella desejava matar os dálmatas afim de fabricar um maravilhoso casado de pele para se cobrir e isso não gerava nela nenhum tipo de remorso. Por ser um clássico infantil, o nível de maldade da vilã tomava um caminho que fugia do tradicional dos contos de fadas e de princesas indefesas presas no alto da torre de um castelo e vigiadas por um dragão. Digamos que Cruella era mais realista e colocava um medo real no público infantil devotos da Disney.

Hoje completa-se 60 anos do lançamento desse clássico. Os Studios Disney não pararam de explorar a história. Depois de 1961, 101 Dalmatas ganhou uma versão em 1996 dirigido por Stephen Herek e co-produzido por John Hughes e Ricardo Mestres. Nos anos 2000, a sequência 102 Dalmatas chegou aos cinemas na direção do cineasta Kevin Lima. Os Studios Disney lança em 2003 a animação sequencial da de 1961, 101 Dalmatians II: Patch's London Adventure. Recentemente o longa de Geronimi, Luske e Reitherman foi inspiração para trazer os cachorrinhos preto e branco de volta às telinhas. Lançada em novembro de 2020, Rua Dálmatas 101 reintroduz o casal de dálmatas e seus donos de volta à TV fazendo o público viver novas aventuras. Nas telinhas ainda vale ressaltar duas séries de TV: 101 Dalmatians: The Series (1997–1998), criada como uma sequência do filme de 1996 transmitida originalmente pela ABC e pelo SBT aqui no Brasil; e, a já mencionada, 101 Dalmatian Street (2019—presente), produzida pela Passion Animation Studios e Atomic Cartoons e transmitida no Disney Channel e disponível também no Disney +.

 

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Responsabilidade, amor e confiança

Arte celebrativo divulgada pela Disney Pictures. Foto: Reprodução/Stúdios Disney/Twitter


Todo o arco da história gira em torno da construção de uma confiança entre pet e humanos. O ensinamento que os 101 dalmatas transmite ultrapassa gerações e atinge até mesmo a comunidade adulta. Vemos na vilã, por exemplo, um excesso de desamor e desconforto com aquilo que vive e pensa diferente de si mesma. A história de Smith é sobre confiança e sobre amor também. Amar o diferente. Amar o frágil. Amar o que é dependente de nós é um ato de responsabilidade e de confiança.

O sentimento de pertença e a questão relacional também é muito explorada e nesse século ganha uma nova força motriz. As relações humanas estão em crise, e isso é até um mantra repetido entre nós. No entanto, quando nos dispomos a criar certo laço de pertença com algo, ou com um ser vivo que é completamente diferente de nós, essas relações nos ajudam a nos aproximar dos outros. A cuidar e a proteger e a reconhecer esses valores. No universo da criança, tais valores acabam se tornando muito importantes para o desenvolvimento pessoal e humano.

E, quem ganha é muito além que a criança, todos ao seu redor saem ganhando, pois se seu crescimento é saudável, a família em que ela está inserida também se cura e cresce de forma saudável e agregadora. Rua Dalmatas 101, é sobre a construção de valores humanos no início da formação da personalidade. A série mais recente produzida coloca a construção e a relação familiar como tema central. O desenho é educativo e vai além dessa construção pessoal da criança. Ela pretende penetrar no ambiente familiar trazendo valores como respeito, diálogo e comunidade fraterna.

 

O mercado pet e a interação infantil

Um grupo de pesquisadores dos EUA se reuniram afim de elencar a influência que filmes que utilizam da docilidade de pets no público. Foi notificado que tanto adultos como crianças sentem-se mais atraídos em “consumir” esse tipo de mercado. A aquisição de gatos e cães em ambientes familiares cresceram na medida que o cinema “instiga” esse tipo de postura. A pesquisa afirma, então que o cinema é fundamental influenciador nesse consumo.

Crianças sentem-se mais seguras com um “bichinho” ao lado, acreditando ser sua primeira proteção diante de um iminente perigo. Além disso, é a primeira instância da relação de amizade que constroem numa faixa etária essencial da vida humana. Entre os adultos os sinais não são tão positivos assim. A pesquisa elenca que os números de pets de estimação presentes em casas se dão por substituição ou até mesmo preenchimento de um vazio humano. “Diminui-se os filhos e cresce os cachorros e gatos”, afirmam.

Beethoven (Universal, 1992, 1994) e A Dama e o Vagabundo (Studios Disney, 2019) são exemplos mais recentes de longas que influenciaram o mercado na aquisição de pets como amigos e parceiros nos ambientes familiares. Portanto, mesmo com pontos positivos e negativos, nossos bichinhos, nos quais somos apaixonados continuam fazendo grande sucesso nas telonas e nas telinhas. Esses animais merecem de nós, respeito, amor, carinho e atenção. E no aniversário que celebramos hoje, que possamos cuidar de nossa natureza com sua fauna e flora com mais humanidade e respeito.

 

Foto Destaque: Clássico de "101 Dalmatas". Reprodução/Disney Studios

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