Um estudo, publicado na revista científica Nature Neuroscience revela um novo projeto de inteligência artificial (IA) em fase de teste. A nova tecnologia tem um sistema semelhante ao ChatGPT, mas está sendo desenvolvido para ter a capacidade de transformar pensamentos em linguagem.
Os pesquisadores da Universidade do Texas em Austin estão desenvolvendo a tecnologia que, via leituras de ondas cerebrais, consegue interpretar padrões, através de uma máquina de ressonância magnética funcional (fMRI), além de uma nova interface cérebro-computador.
“Nosso objetivo é utilizar as gravações da atividade cerebral do usuário e prever as palavras que o usuário estava ouvindo, dizendo ou imaginando. Naturalmente, esperamos que essa tecnologia possa ajudar pessoas que perderam a capacidade de falar devido a lesões como derrames ou doenças como a esclerose lateral amiotrófica”, disse Jerry Tang, aluno de pós-graduação em ciência da computação na Universidade do Texas, que está liderando o estudo.
Esse decodificador, de acordo com Tang, é um novo sistema que não atua de forma invasiva como os dispositivos implantados, que necessitam de cirurgia. A linguagem contínua é reconstruída a partir da atividade humana cerebral através da fMRI.
“Para um método não invasivo, este é um verdadeiro avanço em comparação com o que foi feito antes, que normalmente são palavras únicas ou frases curtas (...) Estamos desenvolvendo um modelo para decodificar linguagem contínua por longos períodos de tempo com ideias complexas”, afirmou Alex Huth, outro autor da pesquisa.
Máquina de ressonância magnética funcional (fMRI) - (Foto:Reprodução/Pixabay)
A princípio, a tecnologia é capaz somente de ler e interpretar as mentes nas quais ele foi treinado. Três voluntários passaram em torno de 16 horas cada um em uma máquina de fMRI ouvindo histórias para que a atividade cerebral fosse medida e o treinamento fosse concluído. Enquanto o indivíduo fica escutando as histórias, a máquina aprende como associar os sinais cerebrais com o que é captado pelo ouvido ou pelos olhos. Logo após, ao ouvir ou imaginar uma história, a tecnologia tentará reconstruir as ideias que passaram pela mente do participante.
A IA conseguiu traduzir as narrativas de áudio em linguagem, à medida que os participantes as ouviam, contudo suas traduções usaram construções semânticas diferentes das gravações originais. Essas diferenças surgem porque o decodificador prevê o texto através de atividades cerebrais captadas pela fMRI diferentemente dos eletrodos invasivos que prevêm através de atividades motoras.
Apesar de ainda estar em fases iniciais de teste e de que o decodificador exige a cooperação dos indivíduos para seu funcionamento, os pesquisadores alertaram sobre os potenciais riscos que a tecnologia pode oferecer.
"Nossa análise de privacidade sugere que a cooperação do sujeito é atualmente necessária tanto para treinar quanto para aplicar o decodificador (...) No entanto, desenvolvimentos futuros podem permitir que decodificadores ignorem esses requisitos. Além disso, mesmo que as previsões do decodificador sejam imprecisas sem a cooperação do sujeito, elas podem ser intencionalmente mal interpretadas para fins maliciosos.", disseram os pesquisadores. "Por essas e outras razões imprevistas, é fundamental conscientizar sobre os riscos da tecnologia de decodificação do cérebro e implementar políticas que protejam a privacidade mental de cada pessoa", concluíram.
Há pouco tempo um grupo de especialistas na área, incluindo Elon Musk, pediram uma pausa de seis meses no desenvolvimento dessas tecnologias para estabelecerem bases legais e éticas. A preocupação em relação ao desenvolvimento livre de IAs acende um sinal de alerta na sociedade.
Foto Destaque: Inteligência artificial. Reprodução/Pixabay