Segundo levantamento feito pela ouvidoria russa para os direitos da criança, Maria Lvova-Belova, mais de 700 mil crianças ucranianas acabaram sendo levadas para fora de seu país, desde o início da guerra entre os dois países.
Relatório também contabilizou crianças acompanhadas
Número de crianças que deixaram a Ucrânia, foi contabilizado desde o início dos conflitos, em fevereiro do ano passado. O relatório foi divulgado nesta segunda-feira (31/07) por Belova, que foi uma das autoridades a receber um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia, juntamente com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Ambos foram responsabilizados pelos crimes de deportação ilegal e transferência de crianças durante a guerra, em que a Ucrânia foi invadida.
"Desde fevereiro de 2022, a Federação Russa recebeu cerca de 4,8 milhões de residentes da Ucrânia e das repúblicas de Donbass, dos quais mais de 700 mil são crianças", de acordo com o relatório. Lvova-Belova afirma que a maioria dessas crianças chegou na Rússia acompanhadas por seus pais ou outros familiares.
700 mil crianças ucranianas saíram de seu país. (Foto: Reprodução/Unicef/UNO598517/Moldova)
Tribunal emitiria mandado de forma secreta
Ainda segundo o relatório, aproximadamente 1.500 crianças que viviam em instituições para órfãos e menores em situação de vulnerabilidade, que não recebem os cuidados necessários dos pais foram para a Rússia e mais 288 seguiram da região de Donetsk, que foi tomada pelas tropas russas, ficaram sob tutela de famílias adotivas do outro país.
Belova complementou os dados do relatório: "As crianças da LPR (República Popular de Luhansk) retornaram às suas instituições, mas posteriormente 92 crianças deixadas sem cuidado parental, a pedido dos órgãos autorizados no campo da tutela e tutelada República, foram colocadas sob tutela em famílias adotivas russas".
O TPI, em um comunicado emitido em março, afirmou que com a ordem de prisão contra Putin e Belova, os juízes acabaram por considerar que existem motivos para entender que ambos têm responsabilidade pelos crimes apontados, focando principalmente nas crianças. Segundo o comunicado, essas violações ocorrem desde, pelo menos, o dia 24 de fevereiro do ano passado, data de início da invasão. Considerou-se a possibilidade de que esses mandados fossem emitidos em sigilo, porém, os magistrados acreditaram que se divulgados publicamente, outros casos poderiam ser evitados.
O outro lado
Já as autoridades da Ucrânia, acusaram a Rússia de "sequestrar" cerca de 16 mil menores de seus territórios, desde que o país foi invadido. Moscou nega que tenha violado os direitos humanos ou que tenha cometido algum crime de lesa-humanidade na Ucrânia.
Lvova-Belova adotou garota de Mariupol. (Foto: Reprodução/Serviço de Imprensa da Comissária Presidencial para os Direitos da Criança da Rússia)
O Observatório de Conflitos da Univerdade de Yale, em relatório que foi custeado pelo governo americano, trouxe à tona que em fevereiro deste ano, foram registrados mais de 6 mil casos de crianças ucranianas, com idade entre quatro meses e 17 anos, que estariam sob a custódia da Rússia. Algumas teriam sido enviadas para o que seriam colônias de férias, mas sem retornar.
Belova, em fevereiro deste ano, relata que adotou uma garota ucraniana, de 15 anos, vinda de Mariupol. A menina entrou para a família da comissária, que já possuía 22 filhos, entre eles cinco biológicos e 17 adotados.
Foto destaque: Crianças ucranianas. Reprodução/Unicef