No último domingo (16), 200 venezuelanos desembarcaram em El Salvador. Eles foram deportados em função da Lei de Inimigos Estrangeiros de 1798, visto que faziam parte de uma gangue e, assim que chegaram, foram levados para o presídio de segurança máxima CECOT, para continuar cumprindo a pena julgada.
O juiz federal James Boasberg tentou barrar a deportação ao assinar o bloqueio da aplicação da lei, mas o plano de deportação já estava em andamento, então a medida foi dada continuidade.
Chegada dos deportados a El Salvador
Nas redes sociais, o presidente Nayib Bukele escreveu que os deportados haviam chegado, e que na aeronave estavam 238 membros da gangue venezuelana Tren de Aragua e 23 membros da gangue internacional MS-13.
El negocio de Nayib Bukele y Donald Trump
— El Cuarto Rojo (@ElCuartoRoj0) March 16, 2025
La realidad que es un negocio las nuevas cárceles de El Salvador y Guantánamo, asciende a una cifra de $200 millones
Mientras María Corina Machado miente diciendo que TODOS son delincuentes y criminales deportados desde Estados Unidos pic.twitter.com/TQ9nEhY0EU
Transferência dos deportados (Vídeo: reprodução/X/@ElCuartoRoj0)
Para que os deportados continuassem a cumprir suas penas pelos crimes cometidos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um acordo com Bukele, no qual pagará US$ 6 milhões por um ano, para que os presos sejam mantidos na mega prisão.
"Lei de Inimigos Estrangeiros de 1798"
Na última sexta-feira (14), o presidente estadunidense Donald Trump evocou a lei para haver a deportação rápida dos supostos membros do Tren de Aragua, uma organização criminosa ligada a sequestros, extorsão, crime organizado e assassinatos por encomenda.
A "Lei de Inimigos Estrangeiros de 1798" foi uma legislação dos primeiros anos da República dos Estados Unidos, permitindo ao governo federal tomar medidas contra cidadãos estrangeiros considerados ameaças à segurança nacional. Ela refletia o clima de desconfiança, especialmente em relação à França, durante a Revolução Francesa, e autorizava o presidente a deter e deportar estrangeiros caso os EUA estivessem em guerra com seu país de origem.
Apesar de ter sido criada em um momento específico da história, essa lei nunca foi amplamente utilizada. Ela só foi invocada em três momentos ao longo da história dos Estados Unidos, evidenciando tanto o seu caráter excepcional quanto o clima de tensão que envolvia o país em cada uma dessas crises.
Esses três momentos (a Primeira Guerra Mundial, a Guerra de 1812 e a Segunda Guerra Mundial), ilustram como a lei foi usada em momentos de crise para justificar ações que, em retrospectiva, são vistas como medidas drásticas e muitas vezes injustas.
Foto destaque: Presos sendo deportados (reprodução/ApNews/Gabinete El Salvador)