Diretora do Fed processa Trump por tentativa de demissão
Lisa Cook entra na justiça contra o atual Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra uma possível demissão considerada injusta

Em um confronto sem precedentes com implicações profundas para a autonomia do banco central americano, a governadora do Federal Reserve, Lisa Cook, recorreu à Justiça para contestar sua demissão, que foi uma tentativa promovida por Donald Trump.
Contexto e Alegações
Lisa Cook, que assumiu como governadora do Fed após confirmação apertada no Senado em maio de 2022, é a primeira mulher negra a ocupar essa posição. Sua cadeira permanece vaga até 2038.
Mas em 25 de agosto de 2025, Trump anunciou sua demissão alegando “má conduta e criminalidade financeira” relacionada a supostas falsificações em documentos hipotecários anteriores à sua indicação para o Fed. A ação causa forte repercussão, pois o Federal Reserve Act exige “causa justificada” para remover um governante e, até então, nunca havia sido feita.
Demissão de Lisa Cook (Vídeo: reprodução/Youtube/Uol)
A governadora assegura que Trump não tem autoridade legal para demiti-la sem motivo legalmente válido. O advogado Abbe Lowell, que a representa, classificou a ação como ilegal e sem fundamentos plausíveis.
Processo Judicial e Impacto Político
No dia 28 de agosto, Cook entrou com um processo formal contra Donald Trump, o Board of Governors do Fed e Jerome Powell, buscando uma liminar que garantisse sua permanência no cargo . O caso, intitulado Cook v. Trump, tramita na Corte Distrital de Washington, D.C., sob a relatoria da juíza Jia M. Cobb.
Especialistas alertam que uma eventual vitória de Trump pode enfraquecer severamente a independência do Fed, abrindo precedente para controle político direto sobre decisões de política monetária, adoção de juros, combate à inflação, entre outras.
A Transferência Criminal e Processos Futuros
Além da disputa judicial, Bill Pulte, diretor da FHFA (Federal Housing Finance Agency) nomeado por Trump, encaminhou ao Departamento de Justiça uma segunda referência criminal contra Cook. Ele acusa a governadora de promover declarações falsas em documentos hipotecários, ao apresentar imóveis como residência principal quando, segundo ele, eram alugados. O teor dessa acusação insinua possíveis benefícios financeiros indevidos por meio de taxas hipotecárias reduzidas.
Já a defesa de Cook justifica que se tratou de um erro de digitação, um “erro administrativo”, além de reforçar que as alegações precedem sua nomeação, já estavam expostas durante sua confirmação no Senado.
A Lisa Cook tem uma trajetória associada à promoção da equidade econômica, com trabalhos acadêmicos renomados que analisam disparidades raciais e fatores socioeconômicos. Seu embate legal não apenas desafia a autoridade presidencial, mas também simboliza a defesa de uma instituição que há mais de um século busca atuar longe de pressões políticas imediatistas. O caso por sua vez ainda pode alcançar a Suprema Corte, com efeitos duradouros no equilíbrio entre Poder Executivo e autonomia do banco central.