Saúde

Vacina universal contra o câncer é objetivo da ciência

Embora alguns tratamentos para certos tipos de câncer já tenham sido descobertos e aprimorados, a busca por uma vacina universal contra a doença segue sendo objetivo da medicina.

3 min de leitura
01 Ago 2022 - 15h01 | Atualizado em 01 Ago 2022 - 15h01

Os esforços para aproveitar o sistema imunológico para combater o câncer têm uma longa história. Na década de 1890, o médico William Coley relatou que as injeções de toxinas bacterianas – uma espécie de vacina – às vezes encolhiam os tumores dos pacientes, aparentemente estimulando o sistema imunológico.

Décadas mais tarde, os pesquisadores descobriram que as células imunes chamadas células T poderiam reconhecer antígenos tumorais como estranhos e atacar cânceres. Essa descoberta levou a duas classes de terapias aprovadas: medicamentos que levantam freios moleculares em células T para que possam intensificar seu ataque anticancerígeno e a sua versão projetada para abrigar células cancerígenas. Ambos os tipos de tratamento tiveram um sucesso notável contra certos cânceres.

Um terceiro tipo de imunoterapia também foi considerado. Os esforços decolaram no início dos anos 90, quando os pesquisadores começaram a registrar dezenas de antígenos tumorais que podem despertar as defesas imunológicas de um paciente. Muitas vezes, esses antígenos são proteínas que as células cancerosas usam para crescer ou se espalhar, então os antígenos são bons marcadores de células cancerígenas.

Mas, apesar dos dados promissores de experimentos em animais, a maioria das vacinas de tratamento não conseguiu parar o crescimento do tumor nas pessoas. Como os antígenos associados ao tumor também podem estar presentes em quantidades escassas em células normais, o sistema imunológico tende a ignorá-los.

A quimioterapia ou outros tratamentos severos que os pacientes com câncer recebem também enfraquecem sua resposta imune, e os tumores são protegidos por seu "microambiente", células e moléculas circundantes que suprimem as células T assassinas e as impedem de entrar nos tumores. A única vacina de tratamento aprovada, para o câncer de próstata avançado, estende a vida em apenas quatro meses.

Alguns cientistas pensaram que as vacinas contra o câncer poderiam funcionar melhor para prevenir em vez de tratar a doença. Um dos proponentes foi a imunologista de câncer da Universidade de Pittsburgh, Olivera Finn, cuja equipe em 1989 descobriu o primeiro antígeno associado ao tumor: uma versão do MUC1, uma proteína de superfície celular carregada de açúcar. A versão alterada apresenta muitos tipos de células cancerígenas.

A ideia é alimentar o corpo com uma porção das proteínas, ou dos antígenos, das células cancerosas para estimular o sistema imunitário para atacar todos os tumores incipientes. O conceito não é novo e enfrentou o ceticismo.


A medicina segue buscando novos tratamentos para o câncer. (Foto/Reprodução/Getty Images)


Há uma década, um editorial da revista “Nature” descartou o objetivo de um proeminente grupo de defesa do câncer de mama de desenvolver uma vacina preventiva até 2020 como "equivocado", em parte por causa da complexa geneticidade dos tipos de tumor. O editorial chamou o objetivo de um "objetivo que a ciência ainda não pode entregar".

Agora, porém, algumas equipes, incluindo uma financiada pelo mesmo grupo de defesa, a National Breast Cancer Coalition (NBCC), nos Estados Unidos, estão prontas para testar vacinas preventivas, em alguns casos em pessoas saudáveis com alto risco genético para o câncer de mama e outros tipos de câncer.

Seus esforços foram impulsionados por novos insights sobre as mudanças genéticas nos cânceres iniciais, juntamente com o reconhecimento de que, porque mesmo tumores nascentes podem suprimir o sistema imunológico, as doses devem agir mais eficientemente em pessoas saudáveis que nunca tiveram a doença.

Os pesquisadores estão testando várias estratégias vacinais. Alguns usam os chamados antígenos tumorais, marcadores moleculares que são escassos em células saudáveis, mas abundantes em células cancerosas. A vacina Lynch tem como alvo "neoantígenos", um tipo potente de antígeno encontrado apenas em células tumorais. A melhor abordagem não é clara, e os desenvolvedores também enfrentam o difícil desafio de medir o sucesso sem esperar décadas para que pessoas saudáveis desenvolvam cânceres.

As primeiras provações estão dando lampejos de promessa. Se a ideia funcionar para prevenir um ou alguns cânceres, ela pode ser estendida para atender a um objetivo ambicioso: desenvolver uma vacina que poderia prevenir muitos tipos de câncer, modelada nas vacinas de RNA mensageiro (mRNA) que ajudaram a combater a pandemia do coronavírus.

A oncologista médica Shizuko Sei, da Divisão de Prevenção do Câncer do Instituto Nacional do Câncer nos EUA, comentou a respeito da possibilidade da criação de uma dose global. "Estamos muito longe de uma vacina universal para prevenir o câncer”, disse a médica. A oncologista completou afirmando que isso pode ocorrer num futuro distante e que se trata de uma abordagem gradual.

Foto destaque: Vacina universal contra o câncer é objetivo da ciência. (Reprodução/Labiotech)

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