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Navio é proibido de atracar no Porto de Santos por suspeita de varíola dos macacos em tripulação

Embarcação cargueira, de bandeira do Chipre, veio do porto de San Lorenzo, na Argentina e foi impedida de atracar no cais santista a pedido da Anvisa.

3 min de leitura
06 Ago 2022 - 12h00 | Atualizado em 06 Ago 2022 - 12h00

Com suspeita de que tripulantes estejam com a varíola dos macacos, o navio cargueiro MV Captain John P, de bandeira do Chipre, foi impedido, nessa sexta-feira (5), de atracar no Porto de Santos, no litoral de São Paulo. A informação foi confirmada pela companhia que administra o cais santista, a Santos Port Authority (SPA).

A autoridade portuária ressaltou ter sido notificada sobre a situação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A embarcação do Chipre veio do porto de San Lorenzo na Argentina e, de acordo com a SPA, agora está na área de fundeio, afastada da costa, aguardando autorização da Anvisa para atracar ou operar no cais santista.


Embarcação cargueira, de bandeira do Chipre, veio do porto de San Lorenzo, na Argentina. (Foto: Robert Alves/Marine Traffic)Embarcação cargueira, de bandeira do Chipre, veio do porto de San Lorenzo, na Argentina. (Foto: Robert Alves/Marine Traffic)


“A embarcação encontra-se na área de fundeio, não estando, neste momento, autorizada a atracar ou operar por parte da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária], disse a SPA em nota.

Ainda de acordo com a nota, a SPA reforçou que seguirá as orientações da autoridade sanitária em relação à prevenção do contágio.

A disseminação do vírus da doença preocupa as autoridades de saúde. A varíola dos macacos surgiu de forma aparentemente restrita às regiões da África Central e Ocidental, mas têm sido registrada na Europa, Estados Unidos, Canadá, Austrália e até mesmo no Brasil, um dos países com mais casos, até então, registradas.

Números

O Brasil confirmou 2.004 casos da varíola dos macacos nessa sexta-feira (5). Segundo dados do Ministério da Saúde, São Paulo está entre os estados com maior número de infectados, cerca de 1.501 casos, seguido pelo Rio de Janeiro, com 230 casos, Minas Gerais, com 81 casos e Goiás vêm na sequência, com cerca de 38 casos.


Varíola dos macacos e a situação epidemiológica no Brasil. (Foto: Reprodução/Ministério da Saúde)Varíola dos macacos e a situação epidemiológica no Brasil. (Foto: Reprodução/Ministério da Saúde)


Até este sábado (6), o Brasil confirmou uma morte causada pela doença, em Minas Gerais. Segundo o Ministério da Saúde, o paciente tinha a imunidade comprometida por outros problemas de saúde.

No resto do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), há mais 11 mortes confirmadas em decorrência da varíola dos macacos. Elas foram registradas na Nigéria (4), República Centro-Africana (2), Espanha (2), Gana (1), Índia (1) e Peru (1).

Em relação ao número de casos mundialmente registrados, o país com o maior número de infectados são os EUA, com 6.598. Em 2º e 3º lugar, respectivamente, estão Espanha, com 4.577 infectados e Alemanha, com 2.887. O Brasil ocupa a 6ª posição.

Preocupação mundial

Atualmente, a varíola dos macacos é uma doença tratada como uma emergência de saúde global pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Varíola dos macacos

É uma zoonose viral: uma doença que foi transmitida aos humanos a partir de um vírus que circula entre animais. Antes do atual surto, ocorria principalmente na África Central e Ocidental, sobretudo em regiões próximas à florestas, pois os hospedeiros são roedores e macacos.

A doença é causada pelo vírus monkeypox, que pertence à mesma família (poxvírus) e gênero (ortopoxvírus) da varíola humana. A varíola humana, no entanto, foi erradicada do mundo em 1980, e era muito mais letal. A taxa de letalidade histórica da varíola dos macacos, antes do atual surto, era considerada na faixa de 3% a 6%. O primeiro caso foi detectado em humanos em 1970.

As complicações são mais comuns em pacientes com problemas no sistema imunológico. O surgimento de pneumonia, sepse, encefalite (inflamação do cérebro) e infecção ocular, que pode até levar à cegueira, são caraterísticos de quadros mais graves.

Sintomas

Febre, dor de cabeça e dores no corpo, dor nas costas, calafrios, cansaço, feridas na pele (erupções cutâneas) e gânglios inchados (que comumente precedem a erupção característica da doença) estão entre os sintomas mais clássicos associados à varíola dos macacos.

Vale destacar que as erupções na pele passam por diferentes fases. Elas começam vermelhas e sem volume, depois ganham volume e bolhas, antes de formar as cascas. Essas feridas são diferentes das vistas na catapora, sarna, sífilis, herpes e outras doenças.


Imagem de pessoa infectada pela varíola dos macacos. (Foto: Reprodução/UOL)Imagem de pessoa infectada pela varíola dos macacos. (Foto: Reprodução/UOL)


No fim de julho, especialistas do Serviço Nacional de Saúde (NHS) alertaram em estudo publicado no periódico científico "BMJ" que dor na região do ânus e inchaço do pênis foram relatados por pacientes.

Além disso, em 10 de junho, Rochelle Walensky, diretora dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), destacou que nem sempre todos os sintomas estão presentes.

"Vimos manifestações de varíola do macaco que são leves e às vezes limitadas apenas a algumas áreas do corpo, o que difere da manifestação clássica vista em países endêmicos da África Central Ocidental", disse.

Segundo a diretora dos CDC, os casos atuais nem sempre apresentam sintomas associados à gripe.

"É importante notar que os casos de varíola podem ter semelhanças com algumas infecções sexualmente transmissíveis", como herpes, "e podem ser confundidos com outros diagnósticos", pontuou.

Maneiras de transmissão

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a varíola dos macacos é transmitida pelo contato próximo com as lesões de pele, por secreções respiratórias e pelo uso de objetos usados por uma pessoa que está infectada.

Ao contrário da Covid-19, em que há transmissão pelo ar através de pequenas gotículas suspensas no ar, o entendimento atual em relação à varíola dos macacos é que o vírus causador da doença se espalha pelo contato próximo com uma pessoa infectada, que pode passar o vírus pelas lesões características na pele ou por gotículas grandes espalhadas expelidas pelo sistema respiratório, como os presentes nos espirros.

Prevenção

O uso de máscaras, o distanciamento e a higienização das mãos são formas eficazes de evitar o contágio pela varíola dos macacos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou a adoção dessas medidas, frisando que elas também servem para evitar o contágio pela Covid-19.

Considerando que os dados iniciais mostraram que o maior número de casos notificados estava concentrados no grupo de homens que fazem sexo com outros homens, o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, aconselhou que este público deve considerar a redução, neste momento, do número de parceiros sexuais para diminuir o risco de exposição.

Não há confirmação de transmissão via fluidos sexuais, como o sêmem. "Não é considerado uma infecção sexualmente transmissível (IST) até esse momento porque não foi provada essa transmissão por fluido sexual”, explica Andrea Paula Bruno Von Zuben, professora de epidemiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Por outro lado, a própria OMS admitiu que a intimidade prolongada durante o sexo parece ser a condição principal que facilita a transmissão da varíola dos macacos durante o sexo.

De acordo com a líder técnica da OMS para a doença, Rosamund Lewis, é essencial que a população entenda que todos podem, eventualmente, contrair a doença.

"Apesar de as agências de saúde estarem compartilhando que um grupo é o mais acometido neste momento, é muito importante que todos nós entendamos que qualquer um de nós está em risco. Precisamos de informações sobre como esse grupo pode proteger a si mesmo, mas, ao mesmo tempo, qualquer um está exposto", esclarece Lewis.

Tratamento

A doença é autolimitada, geralmente se resolve sozinha e os sintomas costumam durar de 2 a 4 semanas. Não há tratamentos específicos para infecções por vírus da varíola dos macacos, segundo o Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.

No entanto, o vírus da varíola dos macacos e o da varíola são geneticamente semelhantes, o que significa que medicamentos e vacinas para se proteger da varíola também podem ser usados para prevenir e tratar a varíola dos macacos.

Vacina

Três vacinas contra a varíola humana podem ser usadas contra a varíola dos macacos, já que a doença ainda não tem uma vacina específica. Dados iniciais apontam que o imunizante produzido pela Bavarian Nordic tem efetividade de 85% contra a varíola dos macacos.

Ainda não há vacina disponível no Brasil, mas de acordo com o Ministério da Saúde, as tratativas para aquisição da vacina monkeypox já foram iniciadas e estão sendo articuladas com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A pasta também disse que a OMS coordena junto ao fabricante, de forma global, ampliar o acesso ao imunizante nos países com casos confirmados da doença.

Confira o que já se sabe sobre a vacinação

Em recomendações temporárias divulgadas no último dia 23, a Organização Mundial de Saúde (OMS) orienta que, em países onde há transmissão comunitária da monkeypox, como é o caso do Brasil, as ações para interromper a transmissão devem incluir a vacinação direcionada de pessoas com alto risco de exposição à doença.

Esses grupos incluem: homens gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens (HSH), profissionais de saúde lidando com casos suspeitos ou confirmados, alguns profissionais de laboratório e pessoas que fazem sexo com múltiplos parceiros. A OMS diz que os riscos e benefícios da vacinação direcionada também devem ser avaliados para grupos mais vulneráveis, como pessoas imunossuprimidas, crianças e mulheres grávidas.

 

Foto destaque: Navio MV Captain John P. Robert Alves/Marine Traffic

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