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“Meus heróis morreram de overdose” não é Cazuza, é a série The Boys

O novo seriado da Amazon Prime, The Boys, chega na sua 2ª temporada e é muito mais que apenas um seriado.

3 min de leitura
02 Out 2020 - 15h25 | Atulizado em 02 Out 2020 - 15h25

Contém Spoilers

Quantos estereótipos o cinema implantou no consciente popular, mocinhas e vilões, heróis e heroínas, mafiosos e muitos outros. Mas, agora super heróis viciados, super heróis criados a partir de interesses humanos, por quem não quer se tornar um super herói? É, essa é nova.

Aliás, a palavra super herói aqui soou exagerado, não é mesmo? Então, assim como na série do Amazon Prime vamos nos referir somente como os supers. Exatamente, a série muda todo o estereótipo que talvez tenhamos construído mentalmente.

Essa sacada satírica enreda muito bem o contexto de o que é errado para você, pode ser o certo para mim. A Corporação Vought é uma indústria de super, sim, aqui eles têm um trabalho remunerado com benefícios, marketing e tudo que um emprego pode oferecer.

Há uma grande variedade de supers para todo tipo de necessidade. Eles são oferecidos a partir de um valor, a partir daí a cidade ou país interessado paga a Corporação e detém os serviços do super empregado. Mas, não se engane, há super por todo lado, há aqueles que não trabalham para a Vought, há os que se bandearam para o lado terrorista, os inofensivos, enfim, eles são pessoas normais como você e eu.

Entretanto, como todas as classes (alô Marx!) existe também a elite dos super, eles são chamados de Os Sete. Sim, esses são os mais caros e considerados diamantes preciosos. Trazem muita grana, fazem filmes, comerciais e têm os rostos estampados por todo lado.


Capitão Pátria e sua legião de fãs. (Foto: Reprodução/AmazonPrime/Omelete)


Contudo, a coisa muda de figura e existe o outro lado da moeda; as consequências das ações de “salvar o mundo” pelas mãos dos Sete. Óbvio dos outros também, mas se o mundo coloca alguém em um pedestal, o que se espera é quase nenhum efeito colateral, certo? Errado.

Os Sete, ou a maior parte deles têm interesses próprios, ambiciosos e podem levar as últimas instâncias para fazer o que é melhor para o próprio umbigo. Se salvar alguém impedirá meus projetos, que morra este alguém! Voilà! Capitão América, não faria isso, certamente.

Bom, mas aí você deve pensar, mas ninguém impede isso? É mais ou menos. Eles são chamados: The Boys. Aqui os bonzinhos se metem em briga, furtam, matam, se drogam, porém eles acreditam que os fins justificam os meios.

Nesse mesmo embalo, a origem dos supers também muito abriga desse ditado. O Composto V, um tipo de droga que cria poderes, além de ser um ativo viciante que potencializa as ações do super, alguns tornam-se viciados. Billy Bruto, um dos The Boys, se refere carinhosamente: “Zé Droguinha”. O V, como é chamado, serviu também para criá-los. Aí vale pensar, será que vale tudo em virtude da segurança? Não apenas física, a financeira também? O problema é que a sociedade paga e paga caro, no sentido literal e figurado, por conta de decisões supremacistas e cruéis.


Os "The Boys". (Foto: Reprodução/AmazonPrime/OVicio)


A série constrói e descontrói ideias engessadas na sociedade, de cunho político, religioso, ela brinca com a fé no sentido amplo. Sobre confiança profissional, pessoal, na amizade, no amor. Será que quem você considera um super herói, seja em qualquer esfera na sociedade, é de fato um? Ou estamos tentando justificar os meios porque não podemos aceitar os fins? It is what it is..

 

(Foto Destaque: Os Sete. Reprodução/AmazonPrime)

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